Globo terrestre de Martin Behaim (Nuremberg, 1492), o Erdapfel: o mais antigo globo terrestre conservado
1492, ano de composição do globo em Nuremberg, segundo a Enciclopedia on line da Treccani. O Wikidata dá a data como "1490~1492" (década, circa); o registro adota a data da Treccani e começa na feitura do globo · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 1492, em Nuremberg, o comerciante e cosmógrafo Martin Behaim fez um globo terrestre que a Treccani descreve como síntese notável do saber geográfico anterior à chegada ao Novo Mundo, ainda sobre a geografia de Ptolomeu, mas com resultados dos portugueses na costa africana, das viagens de Marco Polo e de novos conhecimentos do norte da Europa. O globo, feito a pedido dos magistrados da cidade, traz mais de 1.100 nomes de lugares e hoje está no Germanisches Nationalmuseum. Ravenstein (1908) duvida da competência de Behaim como cosmógrafo.
Quem era Martin Behaim
Segundo a Treccani, Behaim nasceu em Nuremberg em 1459 e morreu em Lisboa por volta de 1507. Em 1484 esteve em Lisboa por razões de comércio, em 1486 visitou os Açores e, de volta à terra natal, retornou a Lisboa em 1493, onde ficou até morrer. A enciclopédia diz que é incerta a sua participação em navegações oceânicas portuguesas da época e liga a sua fama ao globo de 1492, hoje conservado no Germanisches Museum de Nuremberg. ("Behaim)
Encomenda e fabricação
Segundo Ravenstein, a ideia da obra foi proposta a Behaim pelos três "capitães-chefes" ou "triúnviros" da cidade imperial, provavelmente por sugestão de George Holzschuher, membro do conselho municipal que viajara ao Egito e à Terra Santa em 1470 e recebeu a supervisão do trabalho; o agradecimento a sua "ajuda e conselho" consta de uma legenda no próprio globo. Os registros de contas de Holzschuher ao conselho se conservam e foram publicados. O trabalho envolveu primeiro um mapa-múndi como guia para o artista, depois a fabricação do globo e de seus acessórios, e por fim a pintura. (Ravenstein 1908)
Custo, pintura e destino do globo
Ravenstein conta que a pintura foi confiada a Glockenthon, que levou quinze semanas e recebeu 7 libras, e que o conjunto custou à cidade 13 libras e 17 xelins. Por mais de cem anos o globo ficou numa sala do paço municipal, até ser reclamado pelo barão Behaim, descendente de Martin; em novembro de 1907 saiu da casa da família, na Egydienplatz, para o Germanisches Museum. Em 1510 o meridiano de ferro foi trocado por um de latão, atribuído por Murr ao astrônomo Johann Werner. O globo traz mais de 1.100 nomes de lugares e muitas legendas, e Ravenstein critica a escolha de nomes e as ausências (Hamburgo, Lübeck, Antuérpia, Bruges, Colônia, Frankfurt e Malta). (Ravenstein 1908)
Restauros e cópias
O mecânico Karl Bauer, com o filho Johann Bernhard, restaurou o globo em 1823 e o achou muito friável. Ravenstein considera que as intervenções de 1823 e de 1847, feitas sem a orientação de um geógrafo competente, estragaram de modo irreparável muitos topônimos e escreve que o brilho atual das letras se deve a esses "restauradores". Entre as cópias, só uma é fiel: o fac-símile em volume feito em 1847, por sugestão de E. F. Jomard, para a Biblioteca Nacional de Paris, sob a supervisão de Albrecht Reindel. (Ravenstein 1908)
Fontes
- "Behaim, Martin". Enciclopedia on line, Istituto della Enciclopedia Italiana (Treccani). https://www.treccani.it/enciclopedia/martin-behaim/ . Lido em texto bruto em 30/10/2026; sem autor nomeado no texto. Acessar
- Ravenstein, Ernst Georg (1908). Martin Behaim: his life and his globe. London. Universitätsbibliothek Freiburg i. Br., J 4554,d; pp. 58–60 do livro (OCR em https://dl.ub.uni-freiburg.de/diglit/ravenstein1908/0072/ocr , 0073 e 0074). Lido em texto bruto em 30/10/2026. Acessar
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