Atlas da História

Trapper Creek Overlook (Alasca): caçadores no alto do esker sobre o médio Susitna, de c. 8550 a 5750 a.C.

Atividade limitada desde c. 10.500 cal AP (c. 8550 a.C.); componente I definido entre 9.000 e 7.700 cal AP (c. 7050–5750 a.C.), segundo Wygal e Krasinski (2019) · América do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

O Trapper Creek Overlook é um sítio num alto de esker sobre a confluência de três rios no médio Susitna, no centro-sul do Alasca. Segundo Wygal e Krasinski (2019), pequenos grupos de caçadores o usaram em paradas curtas, com atividade limitada desde c. 10.500 cal AP e ocupação definida entre 9.000 e 7.700 cal AP, trazendo obsidiana de uma fonte a 420 km ao noroeste. Uma camada mais funda, de 12.600 a 11.800 cal AP, pode ser humana ou obra do gelo, e os autores não a dão por provada.

Um alto sobre três rios e uma camada duvidosa

Segundo Wygal e Krasinski, o sítio fica num esker que domina a confluência de três rios no médio Susitna, região que no fim da glaciação era ocupada por uma geleira de piemonte que bloqueava o acesso à costa sul do Alasca. A camada mais funda, o componente Ia, está nos estratos 1 a 3a e tem 50 itens: um conjunto de pedra tosca, quase todo de material local, com ocre vermelho e amarelo, osso calcinado e carvão disperso, além de uma bigorna de basalto vermelho com dois "lápis" de ocre. Carvão de salgueiro (Salix) e de uma betulácea ligado a esse estrato deu pontos médios de radiocarbono entre 12.601 e 11.827 cal AP. Os autores dizem que o contexto é problemático em parte do sítio e que o conjunto pode ser glacial ou humano. (Brian T. Wygal e Kathryn E. Krasinski)

Componente I: paradas curtas de caçadores

O componente I tem datas entre 9.000 e 7.700 cal AP, com atividade limitada já desde c. 10.500 cal AP, em linha com o vizinho Susitna River Overlook, datado no mínimo em 9.100 cal AP. Os autores descrevem pequenas atividades espalhadas por muito tempo: caçadores que paravam para observar a caça, processar peles e refazer instrumentos, com microlâminas, núcleos de microlâminas, buris, bifaces e lascas. Quase não há osso preservado. A fluorescência de raios X ligou a obsidiana dos componentes I e II à pedreira de Batza Téna, no rio Koyukuk, a 420 km a noroeste; o conjunto lembra o complexo Denali, mas poderia ser também Arcaico do Norte inicial. (Brian T. Wygal e Kathryn E. Krasinski)

Do componente II às visitas dene

O componente II, entre 7.000 e 4.500 cal AP, mostra atividades mais intensas e fogueiras mais bem conservadas, e para os autores o uso do sítio se tornou frequente no Holoceno médio. Uma breve visita de atabascanos tardios, no componente III, aparece em carvão de 916 a 727 cal AP, em linha com a expansão das tradições dene. Os autores concluem que os primeiros grupos conhecidos no baixo Susitna eram pequenos, ocupavam posições de observação e se dedicavam sobretudo à caça especializada e ao processamento de carne e peles, com modo de vida pouco alterado até o Holoceno médio. (Brian T. Wygal e Kathryn E. Krasinski)

Fontes

  1. Brian T. Wygal e Kathryn E. Krasinski, "Post-glacial human colonization of southern Alaska: the archaeology of Trapper Creek", Alaska Journal of Anthropology 17(1–2): 77 ss., 2019. https://www.alaskaanthropology.org/wp-content/uploads/2021/02/AJA-v17-Wygal-Krasinski.pdf (texto bruto lido em 31/10/2026, a partir de URL) Acessar

Na mesma região