Yinxu, última capital Shang
c. 1300 a.C. em diante; capital por 255 anos (UNESCO) · Leste Asiático
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Sítio arqueológico da última capital da dinastia Shang. Segundo a UNESCO, a capital foi transferida para lá por volta de 1300 a.C. e funcionou por 255 anos.
A capital de Pan Geng às margens do Huan
O sítio fica perto de Anyang, c. 500 km ao sul de Pequim, nas duas margens do rio Huan, com 414 ha e uma zona de amortecimento de 720 ha. Segundo a UNESCO, o rei Pan Geng, 20º da dinastia, transferiu a capital de Yan para Yin, em Xiaotun, onde ela ficou por 12 reis e 8 gerações. A área do palácio e dos templos ancestrais tem mais de 80 fundações de casas em terra socada, e uma vala servia ao mesmo tempo de defesa e de controle de cheias. Na zona de amortecimento fica a cidade Shang de Huanbei, ainda não escavada. Depois das escavações, as estruturas foram reaterradas e indicadas com vegetação, no Museu-Jardim de Yin Xu. (UNESCO, lista nº 1114)
Ossos oraculares e a escrita
Em fossos da área palaciana apareceram ossos oraculares com inscrições. A UNESCO os apresenta como a escrita madura mais antiga conhecida na China e como prova inicial da língua chinesa escrita de forma sistemática; para a mesma fonte, eles documentam a história da dinastia Shang e recuam em quase mil anos a história chinesa registrada. Segundo a UNESCO, o sítio mostra também avanços técnicos como a fundição de bronze e um calendário solar e lunar. A área das tumbas reais, com fossos sacrificiais que continham carros e restos humanos, é descrita pela UNESCO como o primeiro grande cemitério real da China e a origem do sistema chinês de mausoléus reais e imperiais. (UNESCO, lista nº 1114)
Bronze e hierarquia
Para Liu et al. (2020), Anyang foi um dos grandes consumidores de metal da Eurásia. A tumba de Fu Hao, consorte do rei Wu Ding, tinha 1,6 tonelada de metal; a UNESCO a destaca como a única tumba da família real Shang encontrada intacta. As tumbas reais de Xibeigang, até sete vezes maiores, foram saqueadas; uma delas, a M1004, ainda guardava 941 armas. O metal vinha de mais de 500 km de distância. Analisando a composição dos bronzes ao longo das quatro fases (Yinxu I a IV), os autores concluem que a alta elite, como Fu Hao, recebia ligas feitas com cobre puro, enquanto elites menores recebiam metal de liga secundária ou reciclado. (Liu et al. 2020; UNESCO, lista nº 1114)
A vida de quem não era elite
Duas décadas de crescimento urbano em Anyang levaram à escavação de mais de 10 mil sepulturas e de áreas residenciais, drenagem, ruas e oficinas. Zhang et al. (2016) estudaram 347 pessoas comuns do Shang final (c. 1250–1046 a.C.), enterradas em cemitérios de linhagem ou em fossos de lixo. Os sinais de estresse eram altos: hipoplasia do esmalte dentário em 80,9%, cribra orbitalia em 30,3% e inflamação do periósteo em 40% dos adultos, com taxas maiores entre as mulheres dos fossos de lixo, o que pode indicar desigualdade de gênero. Os autores sugerem que o estresse urbano, somado à estratificação, contribuiu para o colapso Shang. Song estimou a população da cidade em até 450 mil pessoas, número ainda debatido. (Zhang et al. 2016)
Bebida de milhete em bronzes selados
McGovern et al. (2004) analisaram o líquido de um vaso de bronze com tampa (he), da tumba de Liu Jiazhuang, em Anyang (c. 1250–1000 a.C.), e de um jarro de Changzikou, também em Henan. No vaso de Anyang, a assinatura isotópica de plantas C4 aponta para uma bebida de milhete. As tampas, fechadas pela corrosão, preservaram os líquidos por c. 3 mil anos: no túmulo de Changzikou, 52 dos mais de 90 vasos de bronze ainda tinham de um quarto à metade do volume cheio. (McGovern et al. 2004)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Yin Xu", lista nº 1114. https://whc.unesco.org/en/list/1114/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
- Li Feng (2013). Early China. Cambridge University Press. DOI 10.1017/cbo9781139034395. Acessar
- Zhang, H.; Merrett, D. C.; Jing, Z.; Tang, J. et al. (2016). "Osteoarchaeological Studies of Human Systemic Stress of Early Urbanization in Late Shang at Anyang, China". PLoS ONE 11(4): e0151854. DOI 10.1371/journal.pone.0151854. Acessar
- Liu, R.; Pollard, A. M.; Cao, Q.; Liu, C. et al. (2020). "Social hierarchy and the choice of metal recycling at Anyang, the last capital of Bronze Age Shang China". Scientific Reports 10: 18794. DOI 10.1038/s41598-020-75920-x. Acessar
- McGovern, P. E.; Zhang, J.; Tang, J.; Zhang, Z. et al. (2004). "Fermented beverages of pre- and proto-historic China". PNAS 101(51): 17593–17598. DOI 10.1073/pnas.0407921102. Acessar
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