Atlas da História

Yinxu, última capital Shang

c. 1300 a.C. em diante; capital por 255 anos (UNESCO) · Leste Asiático

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Sítio arqueológico da última capital da dinastia Shang. Segundo a UNESCO, a capital foi transferida para lá por volta de 1300 a.C. e funcionou por 255 anos.

Caldeirão ritual de três pés (ding)
Vaso de bronze de três pés usado em oferendas rituais aos ancestrais, tipo de objeto que as oficinas de bronze da corte shang produziam em grande escala. Pelo registro do museu, não se sabe de qual sítio sai esta peça; ela serve para ver a técnica e o uso ritual do bronze no tempo de Yinxu. Caldeirão ritual de três pés (ding), artesãos shang não identificados, séc. XII–XI a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Vaso de vinho (zun)
Vaso de bronze para vinho de uso ritual, fundido em molde, com a ornamentação em relevo típica do bronze shang. O museu o data de forma ampla, entre o período Shang e o Zhou Ocidental; ilustra o que as oficinas da época sabiam fazer e o peso que os rituais de oferenda tinham para a elite. Vaso de vinho (zun), artesãos chineses não identificados, séc. XIII–X a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

A capital de Pan Geng às margens do Huan

O sítio fica perto de Anyang, c. 500 km ao sul de Pequim, nas duas margens do rio Huan, com 414 ha e uma zona de amortecimento de 720 ha. Segundo a UNESCO, o rei Pan Geng, 20º da dinastia, transferiu a capital de Yan para Yin, em Xiaotun, onde ela ficou por 12 reis e 8 gerações. A área do palácio e dos templos ancestrais tem mais de 80 fundações de casas em terra socada, e uma vala servia ao mesmo tempo de defesa e de controle de cheias. Na zona de amortecimento fica a cidade Shang de Huanbei, ainda não escavada. Depois das escavações, as estruturas foram reaterradas e indicadas com vegetação, no Museu-Jardim de Yin Xu. (UNESCO, lista nº 1114)

Ossos oraculares e a escrita

Em fossos da área palaciana apareceram ossos oraculares com inscrições. A UNESCO os apresenta como a escrita madura mais antiga conhecida na China e como prova inicial da língua chinesa escrita de forma sistemática; para a mesma fonte, eles documentam a história da dinastia Shang e recuam em quase mil anos a história chinesa registrada. Segundo a UNESCO, o sítio mostra também avanços técnicos como a fundição de bronze e um calendário solar e lunar. A área das tumbas reais, com fossos sacrificiais que continham carros e restos humanos, é descrita pela UNESCO como o primeiro grande cemitério real da China e a origem do sistema chinês de mausoléus reais e imperiais. (UNESCO, lista nº 1114)

Bronze e hierarquia

Para Liu et al. (2020), Anyang foi um dos grandes consumidores de metal da Eurásia. A tumba de Fu Hao, consorte do rei Wu Ding, tinha 1,6 tonelada de metal; a UNESCO a destaca como a única tumba da família real Shang encontrada intacta. As tumbas reais de Xibeigang, até sete vezes maiores, foram saqueadas; uma delas, a M1004, ainda guardava 941 armas. O metal vinha de mais de 500 km de distância. Analisando a composição dos bronzes ao longo das quatro fases (Yinxu I a IV), os autores concluem que a alta elite, como Fu Hao, recebia ligas feitas com cobre puro, enquanto elites menores recebiam metal de liga secundária ou reciclado. (Liu et al. 2020; UNESCO, lista nº 1114)

A vida de quem não era elite

Duas décadas de crescimento urbano em Anyang levaram à escavação de mais de 10 mil sepulturas e de áreas residenciais, drenagem, ruas e oficinas. Zhang et al. (2016) estudaram 347 pessoas comuns do Shang final (c. 1250–1046 a.C.), enterradas em cemitérios de linhagem ou em fossos de lixo. Os sinais de estresse eram altos: hipoplasia do esmalte dentário em 80,9%, cribra orbitalia em 30,3% e inflamação do periósteo em 40% dos adultos, com taxas maiores entre as mulheres dos fossos de lixo, o que pode indicar desigualdade de gênero. Os autores sugerem que o estresse urbano, somado à estratificação, contribuiu para o colapso Shang. Song estimou a população da cidade em até 450 mil pessoas, número ainda debatido. (Zhang et al. 2016)

Bebida de milhete em bronzes selados

McGovern et al. (2004) analisaram o líquido de um vaso de bronze com tampa (he), da tumba de Liu Jiazhuang, em Anyang (c. 1250–1000 a.C.), e de um jarro de Changzikou, também em Henan. No vaso de Anyang, a assinatura isotópica de plantas C4 aponta para uma bebida de milhete. As tampas, fechadas pela corrosão, preservaram os líquidos por c. 3 mil anos: no túmulo de Changzikou, 52 dos mais de 90 vasos de bronze ainda tinham de um quarto à metade do volume cheio. (McGovern et al. 2004)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Yin Xu", lista nº 1114. https://whc.unesco.org/en/list/1114/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
  2. Li Feng (2013). Early China. Cambridge University Press. DOI 10.1017/cbo9781139034395. Acessar
  3. Zhang, H.; Merrett, D. C.; Jing, Z.; Tang, J. et al. (2016). "Osteoarchaeological Studies of Human Systemic Stress of Early Urbanization in Late Shang at Anyang, China". PLoS ONE 11(4): e0151854. DOI 10.1371/journal.pone.0151854. Acessar
  4. Liu, R.; Pollard, A. M.; Cao, Q.; Liu, C. et al. (2020). "Social hierarchy and the choice of metal recycling at Anyang, the last capital of Bronze Age Shang China". Scientific Reports 10: 18794. DOI 10.1038/s41598-020-75920-x. Acessar
  5. McGovern, P. E.; Zhang, J.; Tang, J.; Zhang, Z. et al. (2004). "Fermented beverages of pre- and proto-historic China". PNAS 101(51): 17593–17598. DOI 10.1073/pnas.0407921102. Acessar

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