Atlas da História

Songguk-ri (Buyeo) e o complexo Songguk-ri: arrozais irrigados e aldeias grandes no início do Mumun médio coreano (c. 800 a.C.)

c. 800 a.C. (surgimento do complexo Songguk-ri) a c. 400 a.C. (fim do Mumun médio), segundo Kim, Conte e Oh (2025) · Leste Asiático

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Por volta de 800 a.C. surgiu no sudoeste da península coreana o complexo Songguk-ri, com casas circulares de uns 20 m², sem lareira interna, e arrozais irrigados, marcando o início do Mumun médio. Segundo Kim, Conte e Oh (2025), as aldeias grandes se formaram de três modos: por fissão em Ulsan, por crescimento rápido em Jungdo (Chuncheon, com 1.273 casas escavadas no sítio) e por uma aldeia planejada em Songguk-ri (Buyeo), com mais de 110 casas escavadas, parte de uma paliçada, uma praça ritual e sepulturas, uma delas com uma adaga de bronze. Os autores veem também sinais de desigualdade crescente, e a origem do complexo é discutida.

O complexo Songguk-ri

O artigo divide o Mumun em três fases: o Mumun antigo (1500–800 a.C.), em que predominava o cultivo seco de painço e outras plantas e vilas de poucas a dez casas retangulares compridas; o médio (800–400 a.C.), em que surge no sudoeste da península o complexo Songguk-ri, com cultivo úmido de arroz e forte aumento da complexidade social; e o recente (400–100 a.C.), da expansão do bronze. As casas Songguk-ri são sempre circulares, sem lareira interna e bem menores (cerca de 20 m², em média) que as longas do período anterior, e a cerâmica e os instrumentos de pedra também mudam. Arrozais, raríssimos antes, aparecem em abundância, sobretudo na metade sul da Coreia; em Majeon-ri (Nonsan) foram escavados arrozais em terraços, de 40 a 90 m², ligados a um reservatório e a canais. (Kim)

Três caminhos para a aldeia grande

Os autores comparam três processos. Em Ulsan, no sudeste, a população atingiu um pico em c. 900–800 a.C. e, segundo M. Kim et al. (2023), as aldeias cresceram por fissão: novos grupos de casas foram erguidos na periferia dos antigos, o que teria reduzido o 'estresse de escala'. Em Jungdo (Chuncheon, num ilhéu do rio Han), as escavações de 2011 a 2017 revelaram 1.273 casas do Mumun, sepulturas e um fosso; no Mumun médio chegou a mais de 600 casas numa única fase, ao mesmo tempo em que as aldeias vizinhas diminuíam ou eram abandonadas, o que sugere concentração de populações. Em Songguk-ri, mais de 110 casas foram escavadas desde 1975, com paliçada, praça ritual e sepulturas, e não foi achada ocupação do Mumun antigo, o que sugere uma aldeia planejada em área antes desocupada. (Kim)

Armazéns, bronze e desigualdade

Nas aldeias Songguk-ri os silos ficam fora das casas, em grupos, muitas vezes longe delas. Segundo a leitura que os autores resumem (Grier e J. Kim 2012; J. Kim 2008), isso indica que o produto da lavoura passou da casa para a aldeia, pois o arroz irrigado exige trabalho coletivo. Sítios do alto dos rios, como Gongju Jangseon-ri, têm poucas casas e dezenas de silos, e uma interpretação os vê como armazéns especializados para Songguk-ri. Os mesmos autores acham que a desigualdade cresceu: o bronze, como a adaga em forma de alaúde (bipa) comum no nordeste da China, aparece em poucas sepulturas e teria distinguido uma elite com laços de longa distância. Segundo os autores, ideologias que nivelavam os membros da comunidade e ideologias que naturalizavam a desigualdade podiam coexistir. (Kim)

Fontes

  1. Kim, Jangsuk; Conte, Matthew; Oh, Yongje. Community Formation in the Chulmun (Neolithic) and Mumun (Bronze Age) Periods of Korea. Journal of Archaeological Research, v. 33, p. 497-550, publicado em 27 jan. 2025. DOI 10.1007/s10814-024-09204-7. Texto aberto lido em link.springer.com/article/10.1007/s10814-024-09204-7 em 31/10/2026; o artigo revisa, em sua maior parte, pesquisa publicada em coreano. Acessar

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