Atlas da História

Histórias sobre a ligação da ilha Kangaroo ao continente e a fuga das esposas de Ngurunduri (Backstairs Passage)

idade mínima estimada por Nunn e Cook 2022: nível do mar 32–35 m mais baixo, condição atingida pela última vez há c. 10.100–11.000 anos (BP, sem dizer se calibrado); c. 9050 a 8150 a.C. se lidas como cal AP; histórias recolhidas em escrita no século XX · Austrália / Sahul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Povos aborígines do sul da Austrália do Sul, entre eles os Ngarrindjeri, os Ramindjeri e os Jarildekald, contam que a ilha Kangaroo já esteve ligada ao continente e que a ligação foi rompida por uma tempestade, criando o Backstairs Passage. Na versão mais citada, as esposas de Ngurunduri fogem dele e se afogam quando o mar sobe sobre o istmo. Nunn e Cook (2022) leem a história como possível memória da subida do mar depois da última glaciação e estimam, com cautela, que ela tenha pelo menos 10.100 a 11.000 anos.

A história de Ngurunduri e as esposas

Segundo Nunn e Cook, vários grupos aborígines do sul da Austrália do Sul, entre eles os Ngarrindjeri, os Ramindjeri e os Jarildekald, contam como a ilha Kangaroo estava ligada ao continente e como a ligação se rompeu, criando o Backstairs Passage. A narrativa central diz que as duas esposas de Ngurunduri, um homem forte e poderoso, fugiram dele pela costa sul da península de Fleurieu. Ele as perseguiu até uma colina acima de Tjirbuk (Blowhole Beach) e viu que estavam na metade do caminho pelo estreito, então seco, rumo à ilha. Ngurunduri entoou a Canção do Vento, uma tempestade se levantou, o mar subiu sobre o istmo e as mulheres se afogaram. Os corpos, com a bolsa que levavam, tornaram-se as ilhas The Pages (Metalong). Desde então o estreito está cheio de mar. (Nunn e Cook 2022)

Como se estima a idade de uma história

Nunn e Cook explicam o método de Nunn e Reid (2016, não lido aqui): marca-se a faixa de profundidades da costa em que a história seria verdadeira e compara-se com o nível do mar conhecido depois da última glaciação, o que dá uma idade mínima e, portanto, o tempo em que a história deve ter circulado em transmissão sobretudo oral. Para o Backstairs Passage, com 30 a 35 m de profundidade, a condição é de 32 a 35 m abaixo do nível atual, alcançada pela última vez há 10.100 a 11.000 anos. Para as histórias lardil das ilhas Wellesley o resultado é de 7.500 a 9.100 anos. Os autores dizem que esses valores são coerentes com conjuntos maiores e com inferências de outros pesquisadores, mas que a estimativa tem muitas fontes de erro, entre elas supor a profundidade da costa a partir de narrativas. (Nunn e Cook 2022)

Memória, trauma e o argumento dos autores

O artigo defende que histórias de submersão de terra, de pelo menos 27 grupos ao longo de toda a costa australiana, podem ser memórias de testemunhas do mar subindo, e que a ciência subestimou a capacidade de culturas orais de guardar observações de acontecimentos marcantes por milênios. Os autores argumentam que a persistência dessas histórias pode medir o trauma da perda de terra, e citam Berndt e Berndt (1996) sobre a catástrofe como tema dominante em tradições aborígines. Lembram ainda que, na Austrália, as trilhas de canto (songlines) são um sistema complexo de transmitir histórias. Trata-se de uma leitura de dois pesquisadores da Universidade da Sunshine Coast, aqui atribuída a eles, e não de Donos Tradicionais. (Nunn e Cook 2022)

Fontes

  1. Nunn, Patrick D.; Cook, Margaret (2022). "Island tales: culturally-filtered narratives about island creation through land submergence incorporate millennia-old memories of postglacial sea-level rise". World Archaeology 54(1): 29–51. DOI 10.1080/00438243.2022.2077821. Manuscrito aceito lido em http://hdl.handle.net/10072/419721 (texto bruto), em 29/10/2026. Acessar

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