Isolamento de Lutruwita (Tasmânia): a inundação da ponte de terra do Estreito de Bass
c. 11 mil anos atrás (c. 9050 a.C.), segundo Williams e outros 2018 (inundação de c. 15 mil a c. 11 mil anos atrás); o projeto The Land Bridge dá c. 14 mil anos atrás (c. 12.050 a.C.) segundo o modelo de Lambeck e Chappell (2001), com outras estimativas em c. 12 mil · Austrália / Sahul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Durante a última glaciação, a Tasmânia (Lutruwita, em palawa kani) fazia parte de uma planície que a ligava ao continente. Segundo Williams e colegas (2018), a inundação do Estreito de Bass começou no oeste há cerca de 15 mil anos e deixou uma ponte oriental cada vez mais estreita até c. 11 mil anos atrás, quando a ilha ficou isolada. Outras estimativas dão datas mais antigas, e histórias de povos palawa e gunaikurnai sobre inundações e sobre uma costa que ficava mais longe são lidas por pesquisadores como possíveis memórias desse período.
Como o mar tomou a planície
Segundo Williams e colegas, que modelaram o nível do mar e a linha da costa de Sahul entre 35 e 8 mil anos atrás, a inundação do Estreito de Bass começou no oeste por volta de 15 mil anos atrás e deixou uma ponte de terra oriental cada vez mais estreita até c. 11 mil anos atrás, quando a Tasmânia foi isolada. A linha do tempo do projeto The Land Bridge descreve a planície bassiana, com um grande lago de água doce (Lago Bass) no centro durante o Último Máximo Glacial, que se transforma em baía aberta ao mar a oeste enquanto a ponte encolhe até um istmo estreito a sudeste do Promontório Wilsons (Yiruk/Wamoon). Em sua leitura, no auge a água avançava mais de 20 m de terra por ano, e a ligação se rompeu primeiro perto da costa de Victoria. (Williams et al. 2018; Wind & Sky Productions 2024)
Uma data em disputa
A linha do tempo do projeto The Land Bridge dá c. 14 mil anos atrás para a separação permanente, citando o modelo de Lambeck e Chappell (2001), e anota que algumas estimativas a colocam alguns milênios depois, por volta de 12 mil anos atrás, citando Williams e outros (2018). Williams e colegas, por sua vez, apresentam 11 mil anos atrás como o fim da ponte oriental e comparam: Lambeck e Chappell propunham 17,5 a 14 mil anos atrás para o evento, e o modelo novo dá 15 a 11 mil. A diferença entre a leitura do projeto e a do artigo para o mesmo trabalho (12 mil contra 11 mil) não foi resolvida aqui. O artigo usa "ka" sem dizer, no trecho lido, se são anos calibrados. (Williams et al. 2018; Wind & Sky Productions 2024)
Quem estava na planície e o que aconteceu depois
Segundo a linha do tempo do projeto, há indícios de pessoas na planície bassiana por volta de 23 mil anos atrás, numa caverna da ilha Hunter e em pontos altos do grupo Furneaux, e de um sepultamento na ilha King por volta de 14 mil anos atrás, quando ela ainda era promontório ligado à Tasmânia. Há indícios de visitas à ilha King por volta de 10 mil anos atrás, mas depois dessa data não se conhece ocupação contínua ali até cerca de 2 mil anos atrás. No grupo Furneaux, o projeto registra gente vivendo nas ilhas Flinders e Badger há 8 mil anos, e nenhum indício de ocupação depois de c. 4 mil anos atrás, o que pode ter relação com um ambiente mais quente e seco ou com razões sociais. O projeto lembra que o registro arqueológico não deve ser tomado como representativo de todo o povoamento da ponte de terra. (Wind & Sky Productions 2024)
Povoamento, migração e o limite da evidência
Williams e colegas estimam que a população de caçadores-coletores de Sahul ficou abaixo de 30 mil pessoas em todo o período e que o uso arqueológico da paisagem aumentou depois da subida rápida do mar, algo comparável a um crescimento de quatro vezes, que interpretam como indício de migração em larga escala para longe das regiões inundadas, entre elas o Estreito de Bass. Sugerem que migrantes da Tasmânia e do estreito possam ter contribuído para as populações maiores que surgem depois no sudeste do continente, mas dizem tratar-se de especulação que precisa de mais trabalho nas costas do norte da Tasmânia. O próprio resumo do artigo apresenta isso como indicativo, não como demonstração. (Williams et al. 2018)
Fontes
- Williams, Alan N.; Ulm, Sean; Sapienza, Tom; Lewis, Stephen; Turney, Chris S. M. (2018). "Sea-level change and demography during the last glacial termination and early Holocene across the Australian continent". Quaternary Science Reviews 182: 144–154. DOI 10.1016/j.quascirev.2017.11.030. Versão aceita lida em https://researchonline.jcu.edu.au/ (texto bruto), em 29/10/2026. Acessar
- Wind & Sky Productions (2024). "Timeline", em The Land Bridge (projeto sobre a ponte de terra do Estreito de Bass, com Povos das Primeiras Nações). https://thelandbridge.au/timeline/. Texto bruto lido em 29/10/2026. Licença CC BY-NC-ND 4.0. Acessar
Na mesma região
- Histórias sobre a ligação da ilha Kangaroo ao continente e a fuga das esposas de Ngurunduri (Backstairs Passage) idade mínima estimada por Nunn e Cook 2022: nível do mar 32–35 m mais baixo, condição atingida pela última vez há c. 10.100–11.000 anos (BP, sem dizer se calibrado); c. 9050 a 8150 a.C. se lidas como cal AP; histórias recolhidas em escrita no século XX
- Manejo do fogo em Girraween Lagoon (Darwin): regime de queimadas modificado há pelo menos 11 mil anos mudança de regime de fogo "pelo menos 11.000 anos atrás" (c. 9050 a.C.), segundo o modelo de idades de Bird et al. (2024); os autores veem sinais de manejo possivelmente anteriores
- Rompimento do Limiar de Arafura: o fim do Lago Carpentária e o Golfo de Carpentária c. 11.700 cal AP (c. 9750 a.C.): rompimento do Limiar de Arafura; condições plenamente marinhas por c. 10.500 cal AP (c. 8550 a.C.), segundo Sloss e outros 2018 (o resumo do artigo dá c. 10.000 cal AP)
- Bumerangues, lanças e bastões de cavar de Wyrie Swamp (Austrália do Sul) turfa basal datada de 10.200 ± 150 BP (12.398–11.270 cal. AP, c. 10448–9320 a.C.) a 8.990 ± 120 BP (10.375–9.628 cal. AP, c. 8425–7678 a.C.); um fragmento de bumerangue, 9.430 ± 150 BP (não calibrado)
- Bigorna de basalto para quebrar cascas duras no abrigo Dargan (País Dharug, Montanhas Azuis): camada 8, c. 8990–8610 cal AP 8.990–8.610 cal AP (c. 7040 a 6660 a.C.) para a camada 8 em que a bigorna foi achada, segundo Way e outros (2025)
- Pedreira da ilha South Molle (Whitsundays): tufo vulcânico e peças com dorso uso inferido desde c. 8.990 anos cal. AP (c. 7040 a.C.) até a fase do contato (c. 520 cal. AP, 1430 d.C.); fase de descarte mais baixo nos abrigos de c. 7.190 a 3.080 cal. AP (c. 5240 a 1130 a.C.), segundo Lamb (2005)