Rompimento do Limiar de Arafura: o fim do Lago Carpentária e o Golfo de Carpentária
c. 11.700 cal AP (c. 9750 a.C.): rompimento do Limiar de Arafura; condições plenamente marinhas por c. 10.500 cal AP (c. 8550 a.C.), segundo Sloss e outros 2018 (o resumo do artigo dá c. 10.000 cal AP) · Austrália / Sahul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Na última glaciação, os limiares de Arafura e do Estreito de Torres isolaram o atual Golfo de Carpentária do mar, e a bacia era ocupada por um grande lago de água doce, o Lago Carpentária. Segundo Sloss e colegas (2018), a subida do mar rompeu o Limiar de Arafura há cerca de 11.700 anos calibrados e as condições plenamente marinhas se instalaram entre 10.500 e 10.000 anos atrás. Nunn e Cook (2022) leem histórias lardil e kaiadilt das ilhas Wellesley como memórias dessa transformação, embora a idade mínima que calculam para elas seja posterior ao rompimento.
Um lago entre a Austrália e a Nova Guiné
Durante o Último Máximo Glacial, o nível do mar estava cerca de 120 m abaixo do atual, segundo Sloss e colegas, e os limiares de Arafura e do Estreito de Torres isolavam o Golfo de Carpentária do oceano. A bacia era ocupada por um grande lago, o Lago Carpentária, com até cerca de 250 km de largura, 500 km de comprimento e uns 15 m de profundidade, segundo os estudos que eles citam. Hoje o golfo cobre cerca de 230.000 km², liga-se ao Mar de Coral pelo Estreito de Torres, com até 12 m de profundidade, e ao Mar de Arafura pelo Limiar de Arafura, com até 53 m. Nunn e Cook descrevem o lago como parte de uma ponte de terra entre a Austrália e a Nova Guiné, que consideram central para a dispersão posterior das pessoas pelo continente. (Sloss et al. 2018; Nunn e Cook 2022)
As datas do rompimento e da subida
Sloss e colegas reúnem dados novos do Arquipélago Wellesley do Sul e idades recalibradas de estudos anteriores. Concluem que o nível do mar subiu de -53 m (a profundidade do Limiar de Arafura) por volta de 11.700 anos atrás até cerca de -25 m por volta de 9.800 anos atrás, e que atingiu o nível atual por volta de 7.700 anos atrás, chegando depois a 1,5 a 2 m acima dele. Recifes de coral afogados no sul do golfo começaram a crescer entre 10.500 e 9.500 cal AP, entre 20 e 30 m abaixo do nível atual. Para a fase inicial, calculam uma subida rápida de 12,73 m por milênio. Estudos anteriores colocavam o rompimento entre 12.000 e 11.500 cal AP e a plena condição marinha em 10.500 cal AP; o resumo do artigo fala em 10.000 cal AP, e as conclusões, em 10.500. (Sloss et al. 2018)
Histórias lardil e kaiadilt das ilhas Wellesley
Nunn e Cook analisam histórias lardil e kaiadilt já publicadas. Segundo Memmott (1979, citado por eles), Garnguur teria aberto o canal entre as ilhas Francis e Forsyth arrastando sua jangada, a mulher da batata-doce Puri teria criado a passagem entre Forsyth e Andrew ao fugir de Crane, e um tubarão assustado por um raio teria aberto o canal entre Denham e Mornington. As histórias de origem dos Kaiadilt falam de gente que chega a Bentinck com lírios-d'água e cava até achar água doce. Nunn e Cook propõem estimar uma idade mínima para essas histórias comparando a profundidade da costa que elas supõem com a curva do nível do mar: para as lardil, os 5 a 10 m abaixo do nível atual só ocorreram por último entre 7.500 e 9.100 anos atrás (BP, sem dizer se calibrado). Isso é posterior ao rompimento de Arafura, de modo que as histórias, nessa leitura, lembram o ilhamento e não a transformação do lago em mar. (Nunn e Cook 2022)
Cautelas dos autores
Nunn e Cook admitem que o método de datar histórias comparando a costa narrada com o nível do mar passado tem muitas fontes possíveis de erro, sobretudo por supor a profundidade da costa a partir de narrativas e por não excluir outras causas de mudança entre terra e mar. Dizem também que não importa, para o argumento, se as ilhas Wellesley foram ocupadas continuamente ou abandonadas e reocupadas, pois as histórias podem ter sido contadas onde quer que os narradores vivessem. Citam ainda a hipótese de que ilhas do nordeste da Austrália tenham sido abandonadas quando começaram a se separar do continente e reocupadas depois. (Nunn e Cook 2022)
Fontes
- Sloss, Craig R.; Nothdurft, Luke; Hua, Quan; O'Connor, Shoshannah G.; Moss, Patrick T.; Rosendahl, Daniel; Petherick, Lynda M.; Nanson, Rachel A.; Mackenzie, Lydia L.; Sternes, Alison; Jacobsen, Geraldine E.; Ulm, Sean (2018). "Holocene sea-level change and coastal landscape evolution in the southern Gulf of Carpentaria, Australia". The Holocene 28(9): 1411–1430. DOI 10.1177/0959683618777070. Versão aceita lida em https://researchonline.jcu.edu.au/54335/ (texto bruto), em 29/10/2026. Acessar
- Nunn, Patrick D.; Cook, Margaret (2022). "Island tales: culturally-filtered narratives about island creation through land submergence incorporate millennia-old memories of postglacial sea-level rise". World Archaeology 54(1): 29–51. DOI 10.1080/00438243.2022.2077821. Manuscrito aceito lido em http://hdl.handle.net/10072/419721 (texto bruto), em 29/10/2026. Acessar
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