Atlas da História

Livro das Estrelas Fixas (Kitab suwar al-kawakib) de al-Sufi: catálogo e mapas de estrelas com época em 964, escrito para o governante de Fars

c. 964: época do catálogo = início do ano 1276 da era de Alexandre, 20 de ramadã de 353 H = 30 set. 964 (Aydın, TDV, 1988); Hafez (2010) diz que o livro foi escrito em 964 e o data como “por volta de 964” · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Abd al-Rahman al-Sufi, nascido em Rey em 903 e escrevendo em árabe, redigiu o Livro das Estrelas Fixas para o governante buída ʿAḍud al-Dawla, com um catálogo de estrelas (longitude, latitude, magnitude) e mapas das 48 constelações do Almagesto de Ptolomeu. Segundo Hafez (2010), ele atualizou as longitudes de Ptolomeu para a época de 964 somando 12°42′ e desenhou cada constelação duas vezes, como aparece na esfera celeste e como se vê no céu. A tese de Hafez dá a ele também a descrição de aglomerados e nebulosas, entre elas a que hoje se chama galáxia de Andrômeda.

O autor, a corte buída e a dedicatória

Segundo Hafez (2010), que cita al-Qifti, al-Sufi nasceu em 14 de muharram de 291 H (6 dez. 903) e morreu em 13 de muharram de 376 H (25 maio 986), aos 83 anos. A família vinha de Nisa, na região de Nishapur, e ele era persa e escreveu em árabe, língua preferida pelos sábios da época. A tese diz que viveu sobretudo entre Rey e Fars, em cidades como Rey, Isfahan e Xiraz. Aydın (TDV) dá Rey como lugar de nascimento e diz que ele foi professor e amigo do emir buída ʿAḍud al-Dawla. Hafez conta que o Livro das Estrelas Fixas foi escrito em 964 e dedicado a ʿAḍud al-Dawla, então governante de Fars, em Xiraz, e que al-Sufi dedicou outros livros a outros membros da dinastia. (Hafez 2010; Aydın 1988)

A época de 964 e a correção da precessão

Hafez (2010) explica que al-Sufi tomou como época do catálogo o início do ano 1276 da era de Alexandre, que corresponde a 964, e atualizou as longitudes de Ptolomeu somando 12° 42′ para compensar a precessão. Aydın (TDV) dá a mesma época, 20 de ramadã de 353 H (30 set. 964), e conta que a correção usou 1° a cada 66 anos. Hafez acrescenta que esse era o valor árabe mais exato então conhecido, mas que o correto é 1° a cada 71,2 anos: em 839 anos a precessão real seria de 11° 47′, de modo que a correção de al-Sufi passou do ponto em 55′. A tese nota ainda que al-Sufi diz que Ptolomeu usou observações de Menelau e somou 25′ às longitudes dele, afirmação que Hafez diz não poder confirmar por nenhum outro texto. (Hafez 2010; Aydın 1988)

Duas imagens para cada constelação

Segundo Hafez (2010), uma das inovações de al-Sufi foi desenhar cada constelação de Ptolomeu em duas versões: uma como ela aparece numa esfera celeste, outra como é vista diretamente no céu. Ao fim do capítulo da Ursa Menor, o autor explica o uso: para ver a constelação como ela realmente é, ergue-se o livro sobre a cabeça e olha-se a segunda figura por baixo. O manuscrito Marsh 144, da Bodleian, datado de 400 H (1009) e escrito, segundo a tese, pelo filho do autor, é descrito como um dos mais antigos manuscritos islâmicos ilustrados que se conhecem. Hafez nota que as figuras seguem em geral o estilo clássico, mas algumas foram orientalizadas e outras vêm da tradição árabe dos anwa: Andrômeda ganha duas figuras extras com peixes, e as asas de Pégaso lembram o Simurgh sassânida. (Hafez 2010)

Nomes árabes e estrelas novas

Aydın (TDV) escreve que, depois de apresentar cada estrela, posição, grandeza e cor, al-Sufi deu os equivalentes árabes dos nomes de estrelas do Almagesto e assim formou a terminologia da astronomia islâmica; segundo o verbete, 94 desses termos entraram na literatura astronômica moderna. O mesmo verbete lembra que o texto serviu de base ao Libro del saber de astrología, mandado fazer por Afonso X de Castela no séc. XIII, e que uma cratera da Lua leva o nome do autor. Hafez (2010) diz que al-Sufi identificou mais de cem estrelas novas, mencionadas nos comentários às constelações mas fora das tabelas, e lhe atribui a primeira descrição de objetos como a galáxia de Andrômeda (M31) e um aglomerado aberto depois chamado Cr 399. (Aydın 1988; Hafez 2010)

Instrumentos e observação em Xiraz

Hafez (2010) cita al-Biruni, que diz que al-Sufi construiu um observatório em Xiraz sob o patrocínio de ʿAḍud al-Dawla; a tese conta que o autor mediu a obliquidade da eclíptica nessa cidade entre 965 e 970 e que usou um anel equatorial de cerca de 250 cm de diâmetro, o “anel ʿAḍudī”, para obter a latitude de Xiraz em 29° 36′. Aydın (TDV) diz que, segundo al-Biruni, ele mediu a obliquidade com um anel de 123,5 cm de diâmetro, e que Ibn al-Qifti registra, em 1043, uma esfera celeste de prata de cerca de 10 kg no Cairo atribuída a ele. Os dois textos não dão o mesmo diâmetro para o anel, e este registro não resolve a diferença. (Hafez 2010; Aydın 1988)

Fontes

  1. Hafez, Ihsan (2010). ′Abd al-Raḥmān al-Ṣūfī and His Book of the Fixed Stars: A Journey of Re-discovery. Tese de doutorado, James Cook University. DOI 10.25903/6xsf-aa64. https://researchonline.jcu.edu.au/28854/14/JCU_28854_Hafez_2010_thesis.pdf (baixado em 30/10/2026). Acessar
  2. Aydın, Cengiz (1988). “Abdurrahman es-Sûfî”. TDV İslâm Ansiklopedisi, vol. 1, p. 172-173. İstanbul: TDV İslâm Araştırmaları Merkezi. https://islamansiklopedisi.org.tr/abdurrahman-es-sufi (baixado em 30/10/2026). Acessar

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