Atlas da História

Queda de Constantinopla (1453): a conquista na pena dos cronistas gregos, otomanos e venezianos

Cerco de 6 de abril (Wikidata P580; Emecen dá 2 ou 6 de abril) a 29 de maio de 1453, terça-feira, dia do assalto final (Wikidata P582 e Emecen). · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 29 de maio de 1453, depois de um cerco de quase dois meses, as tropas de Mehmed II entraram em Constantinopla e puseram fim ao Império Bizantino. Para Emecen, uns 100 mil otomanos enfrentaram de 5 a 9 mil defensores, e as fontes divergem sobre números, sobre a morte do imperador Constantino XI e sobre o saque. Os cronistas gregos descrevem uma catástrofe; os otomanos narram uma conquista (fetih), e o veneziano Barbaro, que estava na cidade, dá a visão de quem a defendeu.

As forças e as muralhas, segundo Emecen

Segundo Emecen, as fontes dão ao exército otomano de 100 mil a 300 mil homens, e ele considera 100 mil, ou um pouco mais, o número mais plausível, com um quarto de janízaros e tropas da corte. Entre os defensores, Emecen dá cerca de 5 mil combatentes, que chegavam a 8 ou 9 mil com unidades auxiliares, para uma população civil que estima em cerca de 30 mil pessoas. As muralhas, de uns 22 km, eram imponentes, mas estavam mal conservadas por falta de recursos; a entrada do Corno de Ouro podia ser fechada com uma corrente. Venezianos e genoveses, sob o genovês Giustiniani, ajudaram na defesa. (Emecen 2001)

O assalto final e a morte do imperador

Emecen descreve o assalto final como um ataque simultâneo por terra e mar, na madrugada de terça-feira, 29 de maio, depois de uma noite de festa no acampamento otomano. A ferida de Giustiniani e o boato de que a cidade caíra abalaram os defensores. Quanto a Constantino XI, as fontes divergem: segundo Francis, o imperador lutou até o fim entre os combatentes; para Tursun Bey, um grupo de azebs o encontrou sem saber quem era e o matou; Kemalpaşazade fala em um azeb que o feriu quando ele fugia para Yedikule e diz haver muitas versões; Dukas conta que ele caiu ferido. Emecen mostra que as narrativas não coincidem. (Emecen 2001)

Mortos, saque e destino da população

Emecen cita Runciman para dizer que os mortos na cidade foram cerca de 4 mil. Quanto às baixas dos defensores, Dukas dá cerca de 2 mil, e Dolfin fala em 800 gregos e latinos mortos amontoados no ponto em que a muralha foi rompida. Barbaro estima em 200 as perdas turcas no primeiro assalto, de 18 de abril. Os soldados otomanos tomaram muitos cativos, e parte dos moradores e dos italianos fugiu pelo Corno de Ouro. Nikolić nota que Kritoboulos critica a violência dos janízaros, e que há relatos de escravização de mulheres e crianças. (Emecen 2001; Nikolić 2016)

O que a historiografia grega nota

Nikolić observa que a queda deixou marca profunda na memória coletiva dos gregos e dos povos que se viam como herdeiros espirituais de Bizâncio, enquanto os Estados da Europa Ocidental logo aceitaram a mudança de senhor da cidade. Segundo ela, Doukas é favorável à união das Igrejas e hostil aos turcos, e culpa os próprios constantinopolitanos pela queda. Sphrantzes, que foi capturado, registra o dia 29 de maio de 1453 numa nota breve. Chalkokondyles e Kritoboulos pertenceriam ao mesmo círculo intelectual de Gennadios Scholarios e viram a queda como vingança pela queda de Troia. (Nikolić 2016)

Fontes

  1. Emecen, Feridun. "İstanbul", seção 2, "İstanbul'un Fethi". TDV İslâm Ansiklopedisi (2001). https://islamansiklopedisi.org.tr/istanbul#2, consultado em 30/10/2026. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
  2. Nikolić, Maja (2016). "The Greatest Misfortune in the Oikoumene: Byzantine Historiography on the Fall of Constantinople in 1453". Balcanica XLVII: 119-133. DOI 10.2298/BALC1647119N. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar

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