Revolta das religiosas do mosteiro da Santa Cruz de Poitiers (c. 589–590): os agravos de Chrodield e Basina e o julgamento dos bispos
c. 589–590 (Gregório de Tours conta o fim do episódio no 15º ano do rei Childebert, o mesmo do início do livro X; o começo, nos capítulos 39 a 43 do livro IX, só aparece em títulos na tradução lida; ver pendências) · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Gregório de Tours, no mosteiro da Santa Cruz de Poitiers, fundado por Radegunda, parte das religiosas, chefiada por Chrodield (filha do rei Charibert) e por Basina (filha do rei Chilperico), saiu da casa, juntou um bando armado e atacou a abadessa. Um tribunal de bispos, do qual o próprio Gregório fez parte, excomungou as duas e manteve a abadessa no cargo. O relato que chegou é o de um dos juízes, e a voz das religiosas aparece só em discurso reportado.
O assalto ao mosteiro, segundo Gregório
Na tradução lida, o capítulo 15 do livro X começa com Chrodield em São Hilário, cercada pelo bando que Gregório descreve com seus piores adjetivos, e com a ordem de arrancar a abadessa do mosteiro à noite. A abadessa, com gota, pediu para ser levada ao relicário da Santa Cruz. Os homens entraram com velas e armas; um deles, que queria rachá-la ao meio, foi esfaqueado por outro. A priora Justina (uma nota do tradutor a dá como sobrinha de Gregório) cobriu a abadessa com o pano do altar e apagou as luzes, mas os homens a levaram por engano, e só ao amanhecer perceberam. Depois prenderam a própria abadessa perto de São Hilário, na casa onde Basina estava, e saquearam o mosteiro. Isso se deu sete dias antes da Páscoa. (Gregório de Tours (539–594). História dos Francos (Histories))
A Páscoa, o bispo e a ruptura entre as duas dissidentes
O bispo ameaçou não celebrar a Páscoa nem batizar na cidade enquanto a abadessa estivesse presa; Chrodield, segundo Gregório, mandou assassinos reagirem a qualquer tentativa de resgate. A abadessa foi solta com a ajuda do recém-nomeado domesticus Flavian. Seguiram-se mortes junto ao túmulo de Radegunda. Basina, depois de se sentir desprezada por Chrodield, que a tratava com altivez, reconciliou-se com a abadessa, rompeu de novo e voltou a se aproximar dela. Gregório resume a época com a frase de que "mal passava um dia sem um assassinato, uma hora sem uma briga, um momento sem lágrimas". (Gregório de Tours (539–594). História dos Francos (Histories))
O tribunal dos bispos e a acusação sobre o eunuco
Childebert pediu a Gunthram uma reunião de bispos dos dois reinos; Gregório, Eberegisel de Colônia e Maroveu de Poitiers julgaram pelo primeiro, e Gundigisil de Bordeaux, metropolita, pelo segundo. Diante deles, Chrodield acusou a abadessa de manter no mosteiro um homem vestido de mulher. O acusado respondeu que era impotente e vivia a mais de quarenta milhas de Poitiers; o médico-chefe Reoval declarou ter castrado o homem quando era criança, por uma doença na coxa, depois que a mãe procurou Radegunda e esta o mandou socorrer o menino, e disse que a abadessa não sabia de nada. Chrodield não provou a acusação. (Gregório de Tours (539–594). História dos Francos (Histories))
A sentença e o desfecho
O parecer enviado aos reis (Gregório o copia) diz que as acusações não bastavam para depor a abadessa e que Chrodield e Basina, por terem saído contra a vontade do bispo, atacado clérigos a pauladas na igreja de São Hilário e invadido o mosteiro, deviam ser excomungadas até fazer penitência adequada, com a abadessa mantida no lugar. Depois da sentença, as duas foram a Childebert e acusaram pessoas de adultério com a abadessa e de manter contato com Fredegunda; o rei mandou buscar acorrentadas as pessoas citadas por elas e, como não se achou culpa, elas foram soltas. O sumário do livro X traz, no capítulo 20, que as religiosas foram perdoadas em um sínodo; esse capítulo não foi traduzido na versão lida. (Gregório de Tours (539–594). História dos Francos (Histories))
Fontes
- Gregório de Tours (539–594). História dos Francos (Histories), livro X, caps. 15 a 17, e títulos dos caps. 39 a 43 do livro IX. Tradução inglesa parcial de Ernest Brehaut (Nova York: Columbia University Press, 1916, Records of Civilization 2), publicada no Internet Medieval Sourcebook, Fordham University: https://sourcebooks.fordham.edu/basis/gregory-hist.asp. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
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