Sobre a ruína da Britânia (De excidio Britanniae), de Gildas: a catástrofe saxã vista por um escritor britônico
séc. VI (o texto lido não se data a si mesmo; Wikidata P571: séc. VI) · Europa Ocidental e do Norte
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Obra latina atribuída a Gildas que, em tom de lamento, culpa os pecados dos reis, do clero e do povo da Britânia pela ruína da ilha. A tradução lida conta que os britânicos, depois de uma peste, convidaram saxões como aliados, que se voltaram contra eles, e que os sobreviventes resistiram sob Ambrósio Aureliano até o cerco da colina de Bath. É a versão de um autor britônico, não de saxão ou de romano.
O que a obra promete e o que aborda
No prefácio, Gildas diz que calou por dez anos ou mais, com remorso, antes de escrever, e que o faz por lamentação e não por vaidade. O sumário do capítulo 2 enumera o plano: a situação da Britânia, a desobediência e a sujeição aos romanos, a religião, a perseguição, os mártires, os tiranos, as duas nações inimigas, as devastações sucessivas, a fome, as cartas a Agício, a pestilência, o conselho, o último inimigo e o resto que escapou. O trecho lido fecha com a crítica dele à geração seguinte, que esqueceu a lição. (Gildas. On the Ruin of Britain (De excidio Britanniae))
Os saxões, a guerra e a resistência de Ambrósio Aureliano
Depois do convite, segundo Gildas, os saxões desembarcaram no leste, receberam provisões, reclamaram, ameaçaram e passaram a saquear; o fogo da vingança, diz, foi de mar a mar, derrubou colunas, torres e altares e matou lavradores com seus bispos e padres. Quando os invasores voltaram para casa, os sobreviventes se juntaram e pegaram em armas sob Ambrósio Aureliano, descrito como um homem modesto, o único romano deixado vivo em meio à confusão, cujos pais, de púrpura, tinham sido mortos. Daí em diante a vitória alternou-se, "até o ano do cerco da colina de Bath". (Gildas. On the Ruin of Britain (De excidio Britanniae))
A contagem de Gildas e a geração que esqueceu
O capítulo 26 diz que o cerco da colina de Bath ocorreu quarenta e quatro anos e um mês depois da chegada dos saxões, e que foi também o tempo de seu nascimento. Gildas não dá o ano em era comum. Ele acrescenta que as cidades da ilha ainda não eram habitadas como antes, que as guerras externas haviam cessado e as civis seguiam, e que, quando morreu a geração que vira as duas catástrofes, uma nova, sem memória da ruína, deixou ruir a justiça. A obra, assim, é também uma crítica política e eclesiástica do tempo em que foi escrita. (Gildas. On the Ruin of Britain (De excidio Britanniae))
Fontes
- Gildas. On the Ruin of Britain (De excidio Britanniae), prefácio e caps. 1 a 26 (História). Tradução inglesa de J. A. Giles, com notas dele, no Project Gutenberg, ebook n. 1949 (publicado em 1/nov./1999; a página não informa o ano da tradução): https://www.gutenberg.org/cache/epub/1949/pg1949.html. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
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