Radegunda de Poitiers
c. 518–525 – 13 ago. 587 (nascimento incerto; morte: Duvall) · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Princesa da Turíngia levada como butim pelos francos, Radegunda foi rainha de Clotário I, separou-se dele e foi consagrada diaconisa pelo bispo Médard. Fundou em Poitiers o mosteiro da Santa Cruz, que seguia, segundo Duvall, a regra de Cesário de Arles, e morreu em 587. Sua vida foi escrita por Venâncio Fortunato, que foi seu secretário e conselheiro, e por Baudonivia, monja da casa.
Da Turíngia à corte de Clotário
Segundo Fortunato, Radegunda descendia dos reis da Turíngia: seu avô era o rei Bassin, seu tio paterno Hermanfredo e seu pai o rei Bertecário. Quando os francos devastaram a região, ela entrou no butim; os reis disputaram a cativa e ela coube a Clotário, que a levou a Athies, no Vermandois, onde foi criada por tutores e aprendeu letras. Duvall data a batalha do Unstrut em 531 e diz que só ela e o irmão, da família real turíngia, foram levados cativos. Nas notas, os editores lembram que Fortunato cala que Hermanfredo havia matado Bertecário, fato que Gregório de Tours conta. (Venantius Fortunatus. "The Life of the Holy Radegund". Tradução de Jo Ann McNamara; Duvall)
Rainha e esmoler
Fortunato conta que, feita rainha em Soissons, Radegunda separava o dízimo do que recebia, repartia o resto com mosteiros, montou em Athies uma casa onde cuidava de mulheres necessitadas e lavava ela mesma os doentes, e intercedia junto ao rei e à corte quando ele condenava alguém à morte. Duvall acrescenta que as rendas dos bens recebidos como dote (a morgengabe), entre eles Saix, Athies e Péronne, permitiram fundar hospícios. Uma nota da edição admite que não está claro se o "tributo" que ela distribuía era presente do marido ou renda oficial de impostos. (Venantius Fortunatus. "The Life of the Holy Radegund". Tradução de Jo Ann McNamara; Duvall)
Deixar o rei e ser consagrada
Na Vida, o irmão de Radegunda é morto e ela deixa o rei para pedir ao bispo Médard, em Noyon, que a consagre. Médard hesita e nobres o assediam para que não vele a esposa do rei; ela entra na sacristia, veste o hábito e vai ao altar, e ele a consagra diaconisa. Os editores anotam que a escolha de diaconisa, e não de monja, parece deliberada e que seu estatuto legal na época é incerto. Duvall diz que as fontes não deixam claro se ela fugiu ou foi mandada embora, e cita Duey White, que liga hipoteticamente a morte do irmão a uma revolta saxã por volta de 555. (Venantius Fortunatus. "The Life of the Holy Radegund". Tradução de Jo Ann McNamara; Duvall)
O mosteiro da Santa Cruz
Segundo Duvall, Radegunda reuniu outras mulheres e ergueu o mosteiro em Poitiers com ajuda de Clotário e com a renda de suas terras; por volta de 560 estava pronto. Na carta de fundação aos bispos, que Gregório de Tours copiou na íntegra, a casa seguiria a regra de Cesário de Arles, com Agnes como abadessa. Duvall diz que essa regra exigia que as monjas soubessem ler e escrever, dedicassem horas às Escrituras e fizessem tecelagem, bordado e cópia de manuscritos. Uma nota da edição registra que, em 1971, escavações em Poitiers acharam a cela de Radegunda, e que ela pôde se recolher porque tinha nomeado Agnes abadessa. (Duvall; Venantius Fortunatus. "The Life of the Holy Radegund". Tradução de Jo Ann McNamara)
Relíquias, morte e memória
Duvall conta que Radegunda fez chegar ao imperador Justiniano pedidos de relíquias para o mosteiro: um dedo de são Mamas, liberado em Jerusalém, e um fragmento da Santa Cruz, que Justiniano teria enviado com evangeliários; a Santa Cruz foi depositada em Poitiers em 569 por ordem do rei Sigeberto, e a casa virou destino de peregrinos. Segundo ele, Radegunda morreu em 13 de agosto de 587; Gregório de Tours presidiu o enterro, e as monjas, proibidas pela regra de sair, assistiram dos muros. Duvall diz ainda que o corpo foi achado em 1562 e queimado por calvinistas, informação que não foi conferida em outra fonte. (Duvall)
Fontes
- Venantius Fortunatus. "The Life of the Holy Radegund". Tradução de Jo Ann McNamara, John E. Halborg e E. Gordon Whatley, em Sainted Women of the Dark Ages. Durham e Londres: Duke University Press, 1992, p. 70-86 (indicação da própria página). Texto e notas reproduzidos por Martha Carlin, University of Wisconsin-Milwaukee. https://sites.uwm.edu/carlin/venantius-fortunatus-life-of-st-radegund/ Acessar
- Duvall, Onnie. "Radegund of Poitiers (ca. 518-587)". ORB: Online Reference Book for Medieval Studies (ensaio do Utah Valley State College), abr. 1995. https://the-orb.arlima.net/essays/text01.html Acessar
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- Moinho de maré de Nendrum (Irlanda do Norte), c. 619–621 619 (relatório de escavação) ou 619–621 (Catling), por dendrocronologia