Revolução Industrial na Grã-Bretanha: trabalho e padrão de vida
c. 1760 a c. 1830 (Wikidata: início 1760, fim 1820; descrição em pt: 1760–1830) · Europa Ocidental e do Norte
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Entre meados do século XVIII e as primeiras décadas do XIX, a Grã-Bretanha viu a produção têxtil e outras manufaturas se concentrarem em fábricas movidas por força central, como a máquina a vapor. O debate que ficou é sobre o que isso fez com os salários, com o trabalho infantil e com o padrão de vida de quem trabalhava.
O que é uma fábrica nesse período
Andrew Ure, em 1835, definiu fábrica, em sentido técnico, como a operação combinada de muitas categorias de trabalhadores, adultos e jovens, que cuidam com destreza de um sistema de máquinas produtivas movido continuamente por uma força central. A definição abrange fiações de algodão, linho, seda e lã e certas oficinas de engenharia, e deixa de fora as que não têm mecanismos encadeados nem dependentes de um motor único. Friedrich Engels, em 1845, situa o início da história do proletariado inglês na segunda metade do século XVIII, com a invenção da máquina a vapor e das máquinas de trabalhar algodão. (Ure 1835; Engels 1845)
Salários e padrão de vida
Charles Feinstein (1998) apresentou novas estimativas de ganhos nominais e de custo de vida para estimar a mudança nos ganhos reais de trabalhadores manuais, homens e mulheres, na Grã-Bretanha de 1770 a 1870. Ajustou a média por desemprego, número de dependentes e custos da urbanização. Sua principal conclusão é que o padrão de vida da família trabalhadora média melhorou menos de 15% entre as décadas de 1780 e 1850. Ele descreve esse longo patamar como compatível com outros indicadores econômicos, políticos e demográficos, e o título do artigo remete ao debate entre otimistas e pessimistas sobre o período. (Feinstein 1998)
Crianças e trabalho entre 1790 e 1850
Jane Humphries (2010) usou mais de seiscentas autobiografias escritas por homens trabalhadores dos séculos XVIII e XIX para estudar a infância da classe trabalhadora. Os relatos permitem estimar a idade de ingresso no trabalho, a mobilidade social, a extensão do aprendizado e a duração da escolarização. Ela encontra, na era clássica da industrialização, de 1790 a 1850, um aparente aumento do trabalho infantil. As memórias o ligam à mecanização e à divisão do trabalho, mas mostram também que a orfandade de pai e as famílias numerosas faziam das crianças parceiras e apoio de mães que lutavam para manter a casa. (Humphries 2010)
A organização dos trabalhadores
Engels descreve, no capítulo sobre o movimento operário, os sindicatos como organizações que, diante da recusa de um empregador em pagar o salário que fixaram, enviavam uma comissão ou petição e, se isso falhasse, mandavam os empregados parar o trabalho. A greve podia ser parcial, quando afetava um ou alguns empregadores, ou geral, quando todos os de um ramo recusavam as propostas. Ele chama esses de meios legais dos sindicatos e, em outro ponto, relata a tentativa de incêndio da fábrica de Ainsworth e Crompton, em Bolton, em 6 de outubro de 1843, a terceira ou quarta no mesmo lugar em pouco tempo. A descrição é a de um observador contemporâneo, em 1845, e não foi cotejada com registros de arquivo. (Engels 1845)
Fontes
- Engels, F. (1845). The Condition of the Working Class in England (Introdução, "The Industrial Proletariat" e "Labour Movements"). Marx-Engels Archive, Marxists Internet Archive: https://www.marxists.org/archive/marx/works/1845/condition-working-class/ (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Ure, A. (1835). The Philosophy of Manufactures: or, An Exposition of the Scientific, Moral, and Commercial Economy of the Factory System of Great Britain. Exemplar digitalizado: https://archive.org/details/philosophyofmanu00urea (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Feinstein, C. H. (1998). "Pessimism Perpetuated: Real Wages and the Standard of Living in Britain during and after the Industrial Revolution". The Journal of Economic History 58(3): 625–658. DOI 10.1017/S0022050700021100. Acessar
- Humphries, J. (2010). Childhood and Child Labour in the British Industrial Revolution. Cambridge University Press. DOI 10.1017/CBO9780511780455; ISBN 9780521847568. Acessar
- McCloskey, D. N. (2024). "Liberalism Caused the Great Enrichment". Journal of Economics, Management and Religion 5(2). DOI 10.1142/S2737436X25500025. Acessar
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- Encyclopédie de Diderot e d'Alembert (1751–1772) 1751–1772 (textos até 1765; pranchas até 1772)
- Revolução Francesa: como é lida 1789–1799 (5 mai. 1789, reunião dos Estados Gerais, a 9 nov. 1799, golpe de 18 de brumário; Wikidata e Kropotkin)
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- Congresso de Viena (1814–1815) set./nov. 1814 – 9 jun. 1815 (Ato Final)
- Revolução Gloriosa e Declaração de Direitos (Bill of Rights, 1688–1689) nov. 1688 – 1689 (Declaração de Direitos lida em 13 fev. 1689; convertida em lei no mesmo ano)