Atlas da História

Tomada da Bastilha

14 jul. 1789 · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Ataque à fortaleza da Bastilha, em Paris, em 14 de julho de 1789. Tornou-se o símbolo do início da Revolução Francesa.

A queda da Bastilha (tecido estampado)
Algodão estampado com a queda da Bastilha, feito por volta de 1790. Um acontecimento político virou tecido de roupa e decoração, prova de como a notícia chegou à vida cotidiana e virou mercadoria. A queda da Bastilha (tecido estampado), estamparia francesa (autoria não registrada), c. 1790. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Tomada da Bastilha
Aquarela de um pintor que registrou o ataque à fortaleza em 14 de julho de 1789. Mostra a multidão armada diante das torres e do fosso e a prisão do governador; é testemunho visual do evento que virou símbolo do início da revolução. Tomada da Bastilha, Jean-Pierre Houël, 1789. Domínio público. Ver no acervo

Crise do trigo e pão caro em Paris

Godechot (1969), num balanço da historiografia da Revolução Francesa, resume a contribuição de Ernest Labrousse, que, inspirado nos métodos de François Simiand, mostrou que a Revolução foi provocada em grande parte por uma crise econômica sentida desde c. 1770. A alta de preços iniciada por volta de 1730 deu lugar a saltos bruscos e quedas profundas nos preços dos cereais; enquanto as colheitas de trigo diminuíam, as de uva cresciam, e o camponês perdia tanto com o grão escasso quanto com o vinho abundante. A crise chegou ao auge depois da desastrosa colheita de 1788. Godechot destaca que 14 de julho de 1789 foi também o dia em que o preço do pão atingiu em Paris o seu nível máximo. (Godechot 1969)

Da demissão de Necker à tomada da fortaleza

Alpaugh (2024) reconstitui o caos em Paris na noite de 12 de julho de 1789, depois que Luís XVI demitiu o ministro Jacques Necker. Protestos pacíficos contra a decisão foram reprimidos com violência pela cavalaria do rei, e a agitação se espalhou: amotinados saquearam o mosteiro de Saint-Lazare e casas de funcionários régios, e bandos rebeldes percorriam as ruas sem um plano claro para forçar o rei a recuar. Os parisienses formaram então uma milícia em toda a cidade, aliaram-se a muitos soldados das tropas reais, tomaram armas nos depósitos do rei e capturaram a Bastilha, símbolo da autoridade régia. Para o autor, esse momento impediu a volta ao absolutismo na França e desencadeou uma rebelião em todo o país. (Alpaugh 2024)

Quem estava na multidão e o que houve fora de Paris

A composição das multidões revolucionárias virou objeto de estudo próprio. Godechot (1969) lembra que o historiador inglês Georges Rudé analisou quem participou das grandes jornadas revolucionárias em The Crowd in the French Revolution (1958), completando os estudos de Albert Soboul sobre os sans-culottes parisienses, sua estrutura social, seu programa e sua ação. McPhee (2020) amplia o foco para além da capital: seu livro trata da Revolução em Paris, no campo francês e no mundo, examina como homens e mulheres das províncias viveram, ou não, as mudanças vindas da capital e pergunta se a Revolução foi um ponto de virada ou um longo período de convulsão violenta e guerra. (Godechot 1969; McPhee 2020)

Palloy, Dusaulx e a memória do 14 de Julho

Lüsebrink (1992) trata a tomada da Bastilha como acontecimento-símbolo. Ele estuda as novas figuras de identificação e os registros de comemoração criados já em 1789 por diferentes órgãos e intermediários políticos. Depois, examina as divisões sociais nos usos comemorativos do 14 de Julho na época revolucionária por meio de dois Vencedores da Bastilha de origens opostas: Pierre-François Palloy, antigo pedreiro que demoliu a fortaleza, e Jean-Jacques Dusaulx, ex-acadêmico e tradutor de Juvenal. Por trás desses dois casos, o autor vê o choque entre uma cultura plebeia e uma cultura de elite, com formas de comemoração e usos políticos muito diferentes do mesmo acontecimento. (Lüsebrink 1992)

Fontes

  1. McPhee, P. (2020). Liberty or Death: The French Revolution. Yale University Press. DOI 10.12987/9780300219500. Acessar
  2. Alpaugh, M. (2024). "Capturing the Bastille". In: Alpaugh, M. The People's Revolution of 1789. Cornell University Press, p. 99–120. ISBN 9781501776618. DOI 10.7591/cornell/9781501776618.003.0005. Acessar
  3. Lüsebrink, H.-J. (1992). "La Prise de la Bastille: archéologie d'un événement-symbole". Mélanges de l'École française de Rome. Italie et Méditerranée 104(1): 115–128. DOI 10.3406/mefr.1992.4201. Acessar
  4. Godechot, J. (1969). "As grandes correntes da historiografia da Revolução Francesa, de 1789 aos nossos dias". Revista de História 39(80): 423–464. DOI 10.11606/issn.2316-9141.rh.1969.128913. Acessar

Na mesma região