Atlas da História

Yu, o Grande, e o dilúvio na tradição da dinastia Xia

inundação datada de c. 1920 a.C. por Wu et al. (2016); data de composição do Shangshu não levantada · Leste Asiático

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Textos chineses antigos contam que Yu abriu canais para controlar um dilúvio que cobria as colinas, e fundou a dinastia Xia. Wu e colegas (2016) acharam indícios de uma grande inundação no Rio Amarelo por volta de 1920 a.C. e a ligaram a Erlitou; Thorp discute que dados de Erlitou não bastam para supor a historicidade dos Xia.

As duas passagens do Shangshu

O Yi Ji (益稷) traz a fala de Yu ao soberano: ele diz que o dilúvio cobria o céu e envolvia as colinas, que o povo estava afogado, que usou quatro meios de transporte, seguiu as montanhas cortando madeira e abriu os nove rios até os quatro mares, enquanto Ji semeava e o povo recebia alimento. O Yu Gong (禹貢) é de outro caráter, quase um levantamento geográfico: lista províncias, solos, qualidade dos campos, tributos e rotas fluviais, e descreve o Rio Amarelo e seus canais. (Shangshu 尚書)

A proposta de uma inundação histórica

Wu e colegas reconstroem, por geomorfologia e datação, uma grande inundação por rompimento de barragem de deslizamento provocada por terremoto no Rio Amarelo, c. 1920 a.C. Se ela explica o dilúvio, o início dos Xia ficaria em c. 1900 a.C., alguns séculos depois do que se pensava tradicionalmente. A data coincide com a transição do Neolítico para a Idade do Bronze no vale do Rio Amarelo, o que apoiaria ver em Erlitou a sociedade estatal dos Xia. Os autores incluem arqueólogos do Instituto de Arqueologia da Academia Chinesa de Ciências Sociais. (Wu et al. 2016)

Erlitou e a questão de Xia

Thorp, em 1991, descreve Erlitou em detalhe: o traçado, a arquitetura, os sepultamentos e os produtos de prestígio, como bronzes rituais e jades. Ele relaciona o positivismo dessa literatura com as escavações de Anyang e discute cultura, periodização, sucessão cultural, etnia e dinastia. Propõe uma definição mínima dos dados, que não pressupõe a historicidade dos Xia, enquanto o relatório final do sítio não saía. (Thorp 1991)

Dois tipos de evidência, uma pergunta

A tradição liga o controle das águas a Yu e à fundação dos Xia; a pesquisa de Wu et al. traz um evento físico datável, e a de Thorp lembra que associar um sítio a uma dinastia nomeada é outra operação. Nenhum dos dois estudos lidos mostra uma inscrição da época que nomeie Yu ou os Xia, e a data de fixação dos capítulos não foi levantada. Por isso o relato fica como em debate, e a leitura crítica das duas partes continua sendo tarefa de historiadores. (Wu et al. 2016; Thorp 1991)

Fontes

  1. Shangshu 尚書, "Yi Ji" 益稷 e "Yu Gong" 禹貢. Transcrição do texto chinês em Wikisource (zh.wikisource.org/wiki/尚書/益稷 e /禹貢) (consultado em 07/10/2026).
  2. Wu, Q.; Zhao, Z.; Liu, L.; Granger, D. E. et al. (2016). "Outburst flood at 1920 BCE supports historicity of China's Great Flood and the Xia dynasty". Science 353(6299): 579–582. DOI 10.1126/science.aaf0842. Acessar
  3. Thorp, R. L. (1991). "Erlitou and the Search for the Xia". Early China 16: 1–38. DOI 10.1017/S0362502800003825. Acessar

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