Acordo de Rhandeia (63) e coroação de Tirídates em Roma (66): a Armênia entre a Pártia e Roma
63 (encontro de Córbulo e Tirídates, no ano dos cônsules Mêmio Régulo e Vergínio Rufo, em Tácito) a 66 (coroação em Roma, no consulado de Telesino e Suetônio Paulino, em Dião Cássio) · Anatólia e Cáucaso, Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 63, o general romano Córbulo e Tirídates, irmão do rei parta Vologases, se encontraram em Rhandeia, na Armênia, onde pouco antes um exército romano fora cercado, e combinaram que Tirídates depositaria a coroa diante da estátua de Nero e só a retomaria das mãos do imperador. Em 66, segundo Dião Cássio, ele foi a Roma, depois de nove meses de viagem, e Nero lhe pôs o diadema no Foro. Tácito e Dião são autores romanos; do lado parta e armênio só chegam palavras que eles reportam.
A Armênia entre dois impérios, segundo Tácito
Tácito conta que Roma pusera Tigranes, que fora refém por anos, no trono da Armênia, e que Tigranes saqueou os adiabenos, vizinhos da fronteira. Monobazo perguntou a que proteção recorrer, e Tirídates, expulso, disse que grandes impérios não se mantêm por inação. Vologases reuniu o conselho, lembrou que cedera a Tirídates a Armênia, "terceiro grau de poder", e lhe colocou o diadema, entregando cavalaria e auxiliares adiabenos para expulsar Tigranes. Depois, quando Peto foi cercado, o acordo com Vologases previa que as legiões fossem libertadas, os soldados deixassem a Armênia e os fortes passassem aos partas; Monobazo foi chamado no dia seguinte para testemunhar as cláusulas. (Tácito. The Annals 1876)
Rhandeia: o encontro de Córbulo e Tirídates
No começo da primavera, segundo Tácito, chegaram a Roma enviados de Vologases. Nero ouviu o conselho e escolheu a guerra, entregue a Córbulo com poderes comparados aos de Pompeu contra os piratas. Córbulo recebeu enviados de Tirídates e de Vologases e respondeu com uma proposta: Tirídates aceitaria como dádiva um reino intacto. Ele e Tirídates se encontraram no lugar onde Peto fora cercado, cada qual com vinte cavaleiros, e apertaram as mãos. Combinou-se que Tirídates deporia a coroa diante da imagem de Nero e só a retomaria da mão do imperador, e ele entregou a filha como refém. Dião acrescenta que no encontro se ergueu um estrado alto com imagens de Nero, onde Tirídates sacrificou e pôs o diadema. (Tácito. The Annals 1876; Dião Cássio. Dio’s Roman History)
A viagem e a coroação em Roma (66)
Dião, no consulado de Telesino e Suetônio Paulino, diz que Tirídates chegou a Roma com os próprios filhos e os de Vologases, Pácoro e Monobazo, e cerca de três mil cavaleiros partas, recebido pelas cidades com festas. A viagem durou nove meses e custou ao tesouro, por dia, 800.000 sestércios, segundo ele. A esposa cavalgava a seu lado com um capacete de ouro no lugar do véu, para não mostrar o rosto contra o costume do país. Em Nápoles, ele se ajoelhou e chamou Nero de senhor; no Foro, assustado com o rugido da multidão, falou de Mitra, e Nero o declarou rei da Armênia e lhe pôs o diadema. Dião diz que Tirídates reconstruiu Artaxata e lhe deu o nome de Neronia. (Dião Cássio. Dio’s Roman History)
Fontes
- Tácito. The Annals, livro XV, tradução baseada em Alfred John Church e William Jackson Brodribb (1876), em en.wikisource.org/wiki/The_Annals_(Tacitus)/Book_15. Lido em 31/10/2026.
- Dião Cássio. Dio’s Roman History, vol. VIII (Loeb Classical Library), trad. Earnest Cary, 1925, epítome do livro LXII (A.D. 64 a 66 na margem do tradutor), texto OCR em archive.org/details/diosromanhistory08cassuoft. Lido em 31/10/2026; o OCR mistura o texto grego e o inglês e foi lido só na parte inglesa.
Na mesma região
- Biblioteca de Celso em Éfeso (c. 114–135 d.C.): biblioteca pública e mausoléu de um senador c. 114–135 d.C. A inscrição de fundação diz que o filho de Celso começou a obra e os herdeiros dele a concluíram; o projeto de St Andrews dá a faixa 114–135, e a ficha de Duke registra propostas de 115 a 150
- Galeno de Pérgamo (nascido em 129): médico de gladiadores e depois da corte romana nasceu em Pérgamo em 129 d.C., segundo Pearcy; Tuna e Özer dão 131. Morreu algum tempo depois de 210, segundo Pearcy
- Vésperas Asiáticas (88 a.C.): o massacre de romanos e itálicos nas cidades da Ásia, a mando de Mitrídates VI, segundo Apiano 88 a.C.: a margem da tradução de Horace White marca B.C. 88 (Y.R. 666) nas páginas do relato; Apiano só diz que a ordem valia para o 'trigésimo dia' depois do envio das cartas
- Cristianização da Armênia 301 (tradição; UNESCO) ou c. 314
- Gauleses na Anatólia (c. 278–275 a.C.): a travessia do Helesponto, a resposta de Pérgamo e a "Batalha dos Elefantes" de Antíoco I Travessia à Ásia em 278 a.C. (nota de edição do Loeb a Pausânias); a "Batalha dos Elefantes" em 275 a.C., segundo a cronologia de Lendering no Livius
- Criação do alfabeto armênio por Mashtots (tradicionalmente 405) e início da tradução da Bíblia em Samósata 405 d.C., data tradicional dada pelo site Krapar e pelo Wikidata (Q11932, que a registra com precisão de década); Koriun, o biógrafo e discípulo de Mashtots, não dá ano, só o 'quinto ano do reinado de Vramshapuh'. O registro começa em c. 405