Atlas da História

Vésperas Asiáticas (88 a.C.): o massacre de romanos e itálicos nas cidades da Ásia, a mando de Mitrídates VI, segundo Apiano

88 a.C.: a margem da tradução de Horace White marca B.C. 88 (Y.R. 666) nas páginas do relato; Apiano só diz que a ordem valia para o 'trigésimo dia' depois do envio das cartas · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 88 a.C., segundo Apiano, Mitrídates do Ponto, já senhor de boa parte da Anatólia ocidental, mandou cartas secretas a seus sátrapas e magistrados: no trigésimo dia, todos os romanos e itálicos das cidades deviam ser mortos, com mulheres, filhos e libertos de origem itálica. Éfeso, Pérgamo, Adramítio, Cauno e Trales aparecem como cenas do massacre, e Apiano conclui que o ódio a Roma pesou tanto quanto o medo do rei. Todo o relato lido vem de um autor que escreve a história de Roma, sem voz dos mortos nem das cidades.

A ordem secreta do rei

Segundo Apiano, enquanto Roma, ocupada pela Guerra Social, sorteava o comando contra Mitrídates e coube a Sula, o rei construía navios para atacar Rodes e escrevia em segredo a todos os seus sátrapas e magistrados. No trigésimo dia depois do envio, as cidades deviam atacar romanos e itálicos, as mulheres e os filhos deles e os domésticos de origem itálica, matá-los, jogar os corpos sem sepultura e repartir os bens com o rei. Quem enterrasse os mortos ou escondesse os vivos seria punido; delatores e quem matasse pessoas escondidas receberiam prêmios, e escravizados que traíssem os senhores ganhariam a liberdade. Devedores que matassem credores seriam livrados da metade da dívida. As ordens, diz Apiano, partiram ao mesmo tempo para todas as cidades. (Apiano de Alexandria. The Roman History of Appian of Alexandria)

Templos e imagens: o que se passou em cinco cidades

Apiano dá cinco cenas. Em Éfeso, os fugitivos que se abrigaram no templo de Ártemis foram arrancados das próprias imagens da deusa e mortos. Em Pérgamo, os que se agarravam às estátuas de Asclépio foram flechados. Os de Adramítio perseguiram a nado quem fugia pelo mar e afogaram as crianças. Em Cauno, cidade que Roma libertara havia pouco do domínio de Rodes, os itálicos foram tirados do santuário de Héstia (a Vesta do conselho) e mortos, filhos diante das mães. Em Trales, para evitar a aparência de culpa de sangue, os cidadãos pagaram a um paflagônio chamado Teófilo, que degolou as vítimas no templo da Concórdia e cortou as mãos de quem abraçava as imagens. (Apiano de Alexandria. The Roman History of Appian of Alexandria)

De Nicomedes a Éfeso: como Mitrídates chegou à costa da Ásia

Antes da ordem, diz Apiano, Mitrídates derrotou o exército de Nicomedes e dos legados romanos na Frígia e submeteu a Lícia, a Panfília e o resto até a Jônia. Os laodicenos entregaram o romano Quinto Óppio, que Mitrídates levou sem prendê-lo, como prisioneiro à mostra. Mânio Aquílio, que Apiano chama de o maior culpado da guerra, foi levado amarrado num burro e, em Pérgamo, morreu com ouro derretido despejado na garganta, uma censura do rei aos subornos dos romanos. Magnésia, Éfeso e Mitilene o receberam de boa vontade. Depois da ordem, Mitrídates passou a Cós, onde recebeu um filho do rei do Egito, e mandou riquezas para o Ponto. (Apiano de Alexandria. The Roman History of Appian of Alexandria)

Fontes

  1. Apiano de Alexandria. The Roman History of Appian of Alexandria, vol. I (The Foreign Wars), tradução de Horace White, Nova York: Macmillan, 1899, livro XII (The Mithridatic Wars), caps. 20 a 24, pp. 338-341, em archive.org/details/romanhistoryofap01appi. Lido em 31/10/2026 no texto bruto do Internet Archive (OCR). Os anos a.C. das margens são do tradutor.

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