Atlas da História

Almanach Perpetuum, de Abraão Zacuto (Leiria, 1496): tábuas astronômicas impressas das posições do Sol, da Lua e dos planetas

1496, ano da edição impressa em Leiria, segundo Calvo (2004) e Ravenstein (1908). As tábuas são anteriores: Comes (2003) lembra que 1478 seria a data de composição do Almanach, ou pelo menos das tábuas. O registro começa na impressão · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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O Almanach Perpetuum, de Abraão Zacuto (c. 1452–1515), astrônomo judeu de Salamanca, saiu impresso em Leiria, Portugal, em 1496. Reúne cânones curtos e muitas tábuas de posições do Sol, da Lua e dos planetas em forma de almanaque, calculadas a partir das Tábuas Afonsinas. A edição, de um impressor que até então só publicara textos hebraicos, teve a tradução dos cânones atribuída a José Vizinho, e Chabás e Goldstein concluem que não é tradução do Ha-Hibbur hebraico de Zacuto.

O autor e o contexto

Segundo Calvo (2004), Abraão Zacut (1452–1515) foi uma figura destacada da comunidade judaica espanhola, em contato com astrônomos cristãos de Salamanca e herdeiro da tradição astronômica judaica do sul da França e da Espanha. Escreveu em hebraico, em 1478, o Ha-Hibbur ha-gadol. Com a expulsão dos judeus da Espanha, em 1492, mudou-se para Portugal, onde ficou até 1496; depois, em Túnis, adaptou o Hibbur para o ano de 1501 e preparou por volta de 1513 novas tábuas para Jerusalém. Chabás e Goldstein o consideram o astrônomo mais destacado da Espanha da época. (Calvo 2004)

A tradição dos almanaques

O almanaque, explica Calvo (2004), é um conjunto de tábuas com as posições de cada planeta em intervalos de um dia ou poucos dias ao longo do período de recorrência, e exige só interpolação linear entre entradas vizinhas. Segundo Chabás e Goldstein, a tradição ibérica de almanaques começa com Azarquiel e inclui Abraão ibn Ezra e Ibn al-Bannā al-Marrākushī, e culmina em Zacuto. Comes (2003) ressalta que as Tábuas Afonsinas, calculadas em Castela no século XIII, têm o primeiro uso comprovado na Península em Salamanca, em 1460, trazidas por Nicolau Polônio, primeiro catedrático de astronomia da universidade. (Calvo 2004; Comes 2003)

A edição de Leiria

O Almanach Perpetuum compõe-se de cânones relativamente curtos seguidos de muitas tábuas; os cânones saíram em latim em alguns exemplares e em castelhano em outros. Segundo Calvo (2004), a edição de 1496 foi feita por um impressor, d'Ortas, que antes só publicara textos hebraicos, e pelo colofão da versão castelhana José Vizinho traduziu o texto do hebraico para o latim e deste para o castelhano. Chabás e Goldstein verificaram com calculadoras modernas que Zacuto calculou com exatidão as entradas a partir das Tábuas Afonsinas, trabalho manual de grande esforço. Calvo resume que a fama de Zacuto repousa nessa edição. (Calvo 2004)

Uso, edições e difusão

Ravenstein (1908) descreve as quatro "tabulae solis" para um ciclo de quatro anos (1473-6) e a tábua de declinação do Sol, e mostra como se obtinha a latitude: a altura meridiana do Sol dá a distância zenital, e a declinação do dia, lida na tábua a partir da longitude do Sol, permite chegar à latitude. O mesmo autor lista edições ampliadas em Veneza em 1498, 1499, 1500 e 1502 e cita pilotos de Magalhães que usaram o Almanach e o acharam errado para longitudes. Calvo acrescenta que as várias edições latinas do século XVI atestam o sucesso da obra, que houve pelo menos duas traduções para o árabe e que a influência de Zacuto entre estudiosos judeus foi maior no Oriente islâmico. (Calvo 2004; Ravenstein 1908)

Fontes

  1. Calvo, Emilia (2004). Resenha de Chabás, José; Goldstein, Bernard R., Astronomy in the Iberian Peninsula: Abraham Zacut and the Transition from Manuscript to Print. Aestimatio 1: 86–90. https://ircps.org/wp-content/uploads/2021/04/2004-05-02_Calvo.pdf . Lido em texto bruto em 30/10/2026; a autora é da Universidade de Barcelona. Acessar
  2. Comes, Mercè (2003). Resenha de Chabás, José; Goldstein, Bernard R., Astronomy in the Iberian Peninsula: Abraham Zacut and the transition from manuscript to print. Dynamis. Acta Hispanica ad Medicinae Scientiarumque Historiam Illustrandam 23: 409–454 (seção de resenhas). http://www.ugr.es/~dynamis/completo23/res23/COMPLETO23res1.htm . Lido em texto bruto em 30/10/2026 (a página perdeu os acentos; a autora assina como da Universidade de Barcelona). Acessar
  3. Ravenstein, Ernst Georg (1908). Martin Behaim: his life and his globe. London. Universitätsbibliothek Freiburg i. Br., J 4554,d; p. 19 (OCR em https://dl.ub.uni-freiburg.de/diglit/ravenstein1908/0031/ocr ). Lido em texto bruto em 30/10/2026. Acessar

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