Atlas da História

Banpo, na fase Banpo da cultura Yangshao: a aldeia lida como sociedade matrilinear e as críticas

c. 5000–4000 a.C. para a fase Banpo da cultura Yangshao (Liu Li 2000); Didier (2009) dá c. 5000–3500 a.C. A data é a da fase cultural, não a da ocupação do sítio · Leste Asiático

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Banpo, perto de Xi'an (Shaanxi), é um sítio da fase Banpo da cultura Yangshao. Escavado sob a direção de Shi Xingbang, foi, segundo Li Liu e Xingcan Chen, a primeira aplicação arqueológica do esquema evolutivo de Morgan e Engels na China: pelos sepultamentos e pelas casas, a aldeia foi descrita como uma sociedade matrilinear em que as mulheres tinham alto status. Críticas apontaram falhas de teoria e de aplicação, mas o modelo seguiu influente na arqueologia chinesa, em menor grau.

De Guo Moruo a Banpo

Segundo Liu e Chen (2012), o primeiro intento de ler a história chinesa antiga por um modelo marxista foi o livro de Guo Moruo de 1930, Zhongguo gudai shehui yanjiu (Estudo da sociedade chinesa antiga), que trouxe a teoria evolutiva de Morgan e Engels, tal como no livro de Engels A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884), e a aplicou ao passado chinês por meio de noções como sociedade matrilinear e patrilinear. Os autores dizem que esses dois livros moldaram por décadas a pesquisa arqueológica na China e que, sob o regime comunista, aplicar essa leitura passou a ser uma missão nova da disciplina, ao lado da busca pelas origens culturais chinesas. (Liu e Chen 2012)

O que se disse de Banpo

Liu e Chen (2012) dizem que a primeira aplicação desse esquema evolutivo na arqueologia foi a análise do sítio Yangshao de Banpo, perto de Xi'an. As escavações, dirigidas por Shi Xingbang, revelaram grande parte de uma aldeia. Com base nos sepultamentos e nos padrões de moradia, a aldeia foi descrita como uma sociedade matrilinear, em que as mulheres gozavam de alto status e se praticava o "casamento de par" (Zhongguo Kexueyuan 1963, o relatório da Academia de Ciências da China). Segundo os autores, tais afirmações viraram em pouco tempo expressões-padrão em muitos estudos de sítios neolíticos do período Yangshao. (Liu e Chen 2012)

Quem foi enterrado com quem: o debate do parentesco

Liu Li (2000) resume que arqueólogos chineses discutiram por longo tempo, com base em sepultamentos e bens funerários, se os sítios Yangshao mostram organização matrilinear ou patrilinear, e que o debate ficou sem resultado até o estudo osteológico do sítio de Shijia, em Weinan (Gao e Lee 1993). Em Shijia, 40 das 43 sepulturas eram coletivas e secundárias, com 727 indivíduos de ambos os sexos e todas as idades, e as feições do esqueleto eram homogêneas dentro de cada sepultura e heterogêneas entre elas. Gao e Lee leram isso como grupos consanguíneos e, pela razão de sexos (mais homens que mulheres), como residência patrilocal. Liu Li situa Shijia na fase Shijia da cultura Yangshao, c. 4300–4000 a.C. (Liu 2000)

Crianças e rostos-peixe

Liu Li (2000) nota, citando Yan Wenming (1987), que muitos sítios do período Banpo mostram alta mortalidade infantil, cerca de 40% da população, e que as crianças eram em geral enterradas perto das casas, como no próprio Banpo (relatório de 1963, pp. 212–216, citado por ela). Didier (2009) acrescenta que em Banpo, em Jiangzhai e em Beishouling se acharam tigelas de cerâmica pintada que serviam de tampa de urnas de enterro de crianças, com um rosto que combina feições humanas e de peixes. Segundo ele, Jessica Rawson sugeriu que os peixes aludem à importância desse animal para a aldeia à beira do rio, mas o sentido do motivo como um todo continua sem explicação. (Liu 2000; Didier 2009)

Fontes

  1. Liu, Li; Chen, Xingcan (2012). The Archaeology of China: From the Late Paleolithic to the Early Bronze Age. Cambridge World Archaeology. Cambridge University Press. DOI 10.1017/cbo9781139015301. Lido o trecho de abertura do cap. 1, "Chinese Archaeology: Past, Present, and Future" (passagem sobre Banpo na p. 10 do volume), disponível em https://assets.cambridge.org/97805216/43108/excerpt/9780521643108_excerpt.pdf, baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026. Acessar
  2. Liu, Li (2000). Ancestor worship: an archaeological investigation of ritual activities in Neolithic North China. Journal of East Asian Archaeology 2(1–2). Brill, Leiden. DOI 10.1163/156852300509826. Cópia em https://os.pennds.org/archaeobib_filestore/pdf_articles/JEAA/2000_2_1-2_Liu.pdf, baixada e lida em texto bruto em 30/10/2026. A autora aparece como da Universidade La Trobe. Acessar
  3. Didier, John C. (2009). In and Outside the Square: The Sky and the Power of Belief in Ancient China and the World, c. 4500 BC – AD 200. Volume II: Representations and Identities of High Powers in Neolithic and Bronze China. Sino-Platonic Papers 192, setembro de 2009 (ed. Victor H. Mair, Universidade da Pensilvânia, Filadélfia). https://sino-platonic.org/complete/spp192_vol2.pdf. Seção "The Banpo Face of Repose", pp. 8–9 do volume, baixada e lida em texto bruto em 30/10/2026. Acessar

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