Tianluoshan e os arrozais da cultura Hemudu: o debate sobre o ritmo da domesticação do arroz
c. 7000–5500 anos cal. AP (cerca de 5050–3550 a.C.), segundo Eda et al. (2022) · Leste Asiático
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Tianluoshan, em Zhejiang, é um povoado da cultura Hemudu, a cerca de 7 km do sítio de Hemudu, com casas de madeira sobre estacas, valas de armazenamento e campos de arroz, ocupado entre c. 7000 e 5500 anos atrás. Segundo Fuller e colegas, a alta proporção de bases de espigueta que se soltam sozinhas mostra que a domesticação do arroz ainda não estava completa no período Hemudu; Zheng e colegas (2016), de um instituto de Zhejiang, leem as mesmas bases como de arroz japonica já dominado por tipos que não se soltam. Gross e Zhao (2014) concluem que o arroz era um dos principais alimentos, mas que a caça e a coleta não foram substituídas.
O povoado de Tianluoshan
Segundo Eda et al. (2022), Tianluoshan guarda um povoado da cultura Hemudu do Neolítico Médio, ocupado entre 7000 e 5500 anos cal. AP, no centro de uma bacia de cerca de 1 km², junto a um pântano de água doce e a quase 10 km do litoral do mar da China Oriental. As escavações mostraram casas de madeira sobre estacas, cercas de madeira, fossas de armazenamento e de lixo e campos de arroz. Os autores dizem que as pessoas cultivavam arroz e possivelmente criavam porcos, mas que sobretudo caçavam, pescavam e coletavam alimentos em terra e na água; patos, galiformes aquáticos e gansos dominavam os restos de aves em todas as camadas. (Eda et al. 2022)
Hemudu e a pergunta que ficou
Gross e Zhao (2014) contam que a descoberta de Hemudu, nos anos 1970, ecoou no mundo: o solo encharcado preservou materiais orgânicos, entre eles muitos restos de arroz, e alguns estudiosos sugeriram uma economia agrícola muito madura. Faltava saber se o arroz era morfologicamente silvestre ou domesticado e se era o alimento principal, já que se achavam também muitas plantas silvestres comestíveis. Tianluoshan, descoberto em 2004 a apenas 7 km de Hemudu e com depósitos culturais quase idênticos, permitiu responder: mais de 200 amostras de solo foram processadas por flotação, com arroz, castanha-d'água, bolotas, cabaças e sementes de ervas daninhas. (Gross e Zhao 2014)
Como se lê a domesticação nas bases de espigueta
Zheng et al. (2016) explicam que a perda da capacidade de soltar as sementes sozinhas é a característica central dos cereais domesticados. Eles examinaram, em microscópio eletrônico, a camada de abscisão das bases de espigueta de arroz de Huxi, Kuahuqiao (8000–7700 anos AP), Tianluoshan (7000–6500), Majiabang (6300–6000) e Liangzhu (5300–4300). Em Tianluoshan e nos sítios seguintes viram feixes vasculares no lugar de uma camada de abscisão quase desfeita, e concluem que o arroz que não se solta já predominava há 7000 anos. Gross e Zhao dizem que a identificação de arroz imaturo, um conceito de Fuller, ainda é discutida. (Zheng et al. 2016; Gross e Zhao 2014)
O ritmo: lento, e não uma revolução
Gross e Zhao (2014) reúnem os dados e identificam dois padrões: a fixação do arroz que não se solta, sob cultivo, levou alguns milênios, e a transição da caça e coleta para a agricultura do arroz foi evolutiva e lenta, com a caça e a coleta diminuindo aos poucos até a agricultura se tornar a prática principal. Para eles, o estudo dos sítios mais antigos, como Shangshan, sugere um horizonte de cultivo antes da domesticação, que provavelmente começou entre 9000 e 8000 anos atrás. Zheng et al. chegam a uma conclusão parecida: a domesticação foi um processo prolongado, como o do trigo e da cevada. (Gross e Zhao 2014; Zheng et al. 2016)
Fontes
- Zheng, Yunfei; Crawford, Gary W.; Jiang, Leping; Chen, Xugao (2016). Rice domestication revealed by reduced shattering of archaeological rice from the Lower Yangtze valley. Scientific Reports 6: 28136, publicado em 21/6/2016. DOI 10.1038/srep28136. https://www.nature.com/articles/srep28136, baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026. O primeiro autor e dois outros são do Instituto Provincial de Relíquias Culturais e Arqueologia de Zhejiang; Crawford, da Universidade de Toronto Mississauga. Acessar
- Gross, Briana L.; Zhao, Zhijun (2014). Archaeological and genetic insights into the origins of domesticated rice. Proceedings of the National Academy of Sciences 111(17): 6190–6197. DOI 10.1073/pnas.1308942110. Texto completo em PMC4035933, https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4035933/, baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026. Gross é da Universidade de Minnesota Duluth; Zhao, do Instituto de Arqueologia da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Pequim. Acessar
- Eda, Masaki; Itahashi, Yu; Kikuchi, Hiroki; Sun, Guoping; Hsu, Kai-hsuan; Gakuhari, Takashi; Yoneda, Minoru; Jiang, Leping; Yang, Guomei; Nakamura, Shinichi (2022). Multiple lines of evidence of early goose domestication in a 7,000-y-old rice cultivation village in the lower Yangtze River, China. Proceedings of the National Academy of Sciences 119(12). DOI 10.1073/pnas.2117064119. Texto completo em PMC8944903, baixado e lido (XML do Europe PMC) em 30/10/2026. Os afiliados incluem a Universidade de Hokkaido e o Instituto Provincial de Relíquias Culturais e Arqueologia de Zhejiang. Acessar
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