Batalha de Adrianópolis (378): os godos admitidos na Trácia e a derrota do exército de Valente
9 de agosto de 378 (Amiano: "o quinto dia antes dos idos de agosto"; a resenha de Woods, no BMCR, dá 9 de agosto de 378; Wikidata P585: 378-08-09) · Europa Oriental
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Em 9 de agosto de 378, perto de Adrianópolis, na Trácia, o exército do imperador Valente enfrentou os godos de Fritigerno, que Roma recebera dentro do império dois anos antes. Segundo Amiano Marcelino, mal um terço dos romanos escapou e Valente morreu, sem que se achasse o corpo. O mesmo Amiano atribui a revolta dos godos à fome e à cobiça dos comandantes romanos, e a leitura de seu texto sobre a campanha continua em debate entre especialistas.
376–377: da travessia do Danúbio à revolta
Na tradução lida, o livro 31 conta que os godos, expulsos de suas terras, acamparam à beira do Danúbio e pediram para ser recebidos como súditos, com a promessa de fornecer soldados. Os bajuladores da corte viram nisso ganho em ouro e recrutas, e Valente mandou oficiais conduzi-los à Trácia. Atravessaram dia e noite em barcos, jangadas e troncos escavados, e muitos se afogaram; os oficiais desistiram de contá-los. Faltava comida, Lupicino e Máximo fizeram o comércio de cães por pessoas escravizadas, e em Marciânopolis o banquete e a morte dos guardas levaram Fritigerno e Alavivo a fugir e a derrotar Lupicino. Os gutungos cruzaram o rio em jangadas, e Atanarico, temendo o rancor de Valente, recuou para as montanhas. (Amiano Marcelino. Roman History (Res Gestae) e a página não nomeia o tradutor) 2007)
9 de agosto de 378: embaixadas e combate
Valente saiu de Melântias e acampou junto a Adrianópolis à espera de Graciano. O conde Ricomere trouxe cartas do colega e o conselho de esperar; Sebastiano e outros insistiram em atacar, e Valente cedeu, segundo Amiano, por obstinação e para que Graciano não dividisse a vitória. Na manhã de 9 de agosto o exército marchou oito milhas sob o calor e viu os carros dos godos dispostos em círculo. Enquanto os godos mandavam e retardavam embaixadas de paz, Ricomere se ofereceu como refém, mas arqueiros e escudeiros atacaram por conta própria e Ricomere não pôde seguir. Nesse momento voltou a cavalaria de Alateu e Safrax, com um destacamento de alanos. (Amiano Marcelino. Roman History (Res Gestae) e a página não nomeia o tradutor) 2007)
A derrota e as versões da morte de Valente
Segundo Amiano, a ala esquerda da cavalaria avançou até os carros, foi abandonada e esmagada, e a infantaria, apertada demais para usar as espadas, cedeu sob o sol alto, com fome e calor. Valente fugiu para os lanceiros e matiários; o conde Vítor foi buscar os batavos da reserva e não os achou. À noite o imperador teria sido atingido por uma flecha entre soldados comuns, e o corpo nunca foi achado. Amiano registra uma segunda versão, ouvida de um jovem soldado que escapou: Valente teria sido levado a uma casa de dois andares, que os godos queimaram sem saber quem estava lá dentro. Entre os mortos ele cita Trajano, Sebastiano, trinta e cinco tribunos sem comando e outros oficiais, e diz que só o desastre de Canas se compara a esta matança. (Amiano Marcelino. Roman History (Res Gestae) e a página não nomeia o tradutor) 2007)
Fontes
- Amiano Marcelino. Roman History (Res Gestae), livro 31, caps. 4, 5, 12, 13 e 14. Tradução inglesa de Bohn (Londres, 1862, pp. 575–623; a página não nomeia o tradutor), transcrita por Roger Pearse (2007) em tertullian.org: https://www.tertullian.org/fathers/ammianus_31_book31.htm. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
- Woods, David (University College Cork). Resenha de Den Boeft, Drijvers, Den Hengst e Teitler, Philological and Historical Commentary on Ammianus Marcellinus. XXXI (Leiden; Boston: Brill, 2017). Bryn Mawr Classical Review 2018.09.50: https://bmcr.brynmawr.edu/2018/2018.09.50. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
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