Guerras Marcomânicas (166–180): Marco Aurélio, os povos do Danúbio e a paz de Cômodo, segundo Dião Cássio e a Historia Augusta
166 a 180: a Historia Augusta, na margem de Magie, põe o começo em 166, ainda durante a guerra parta; Dião, na margem de Cary, marca a morte de Marcos em 180 e a paz de Cômodo no mesmo ano · Europa Oriental, Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 166, segundo a Historia Augusta, a guerra com os marcomanos estourou quando Roma ainda lutava na Pártia, e povos empurrados por outros mais distantes ameaçavam entrar na Itália se não fossem recebidos. Segundo Dião, Marcos passou quase o resto da vida combatendo marcomanos, quados e jáziges a partir da Panônia, instalando em terras do Império povos que se rendiam, até morrer em 180; o filho Cômodo fez a paz em seguida. A peste e as vozes de quem perdia aparecem de lado nos dois relatos, ambos escritos de Roma.
A travessia do Danúbio e a guerra que Roma adiou
A Vida de Marco conta que a guerra marcomânica foi adiada por muito tempo pela diplomacia dos que governavam a região, até que a guerra no Oriente terminasse, e que o temor foi tanto que Marcos chamou sacerdotes de todas as partes, fez cerimônias estrangeiras e purificou a cidade; ao mesmo tempo, diz o texto, houve peste tal que os mortos eram levados em carroças. A Vida registra a morte do prefeito da guarda Furius Victorinus e o aniquilamento de parte do exército, e uma nota de Magie, que cita Amiano, liga o fato a uma invasão de marcomanos e quados que cercou Aquileia. Dião abre o relato com seis mil lombardos e óbios que cruzaram o Danúbio e foram batidos pela cavalaria de Víndex e pela infantaria de Cândido, e então mandaram como enviados Balomário, rei dos marcomanos, e dez outros, um por povo, ao governador da Panônia. (Historia Augusta; Dião Cássio. Dio’s Roman History)
Escravizados, gladiadores e leilão: como Roma pagou a guerra
Segundo a Historia Augusta, com a peste ainda em curso Marcos treinou escravizados para o exército, como na guerra púnica, e os chamou Voluntários; armou gladiadores, os 'Obedientes', e transformou bandidos da Dalmácia e da Dardânia em soldados, armou os diogmitas e contratou germanos contra germanos. Para não sobrecarregar as províncias, fez no Fórum de Trajano um leilão dos objetos do palácio, de que a Vida diz que vendeu taças de ouro, estátuas e pinturas de grandes artistas; o texto acrescenta que o leilão durou dois meses e que depois permitiu a quem quisesse devolver a compra e receber o ouro de volta. (Historia Augusta)
Quem pedia terra: astingos, lacringes, costobocos e cotinos
Dião conta que os astingos, chefiados por Rau e Rapto, entraram na Dácia com famílias inteiras esperando dinheiro e terra em troca de aliança; sem receber, deixaram mulheres e filhos com Clemente e foram conquistar o território dos costobocos. Os lacringes, com medo de que Clemente levasse os recém-chegados à terra deles, atacaram e venceram os astingos, que receberam de Marcos dinheiro e o direito de pedir terra caso ferissem os que o combatiam. Os cotinos, que também prometeram atacar os marcomanos, receberam o secretário Tarrutenio Paterno e o maltrataram; Dião diz que isso levou à destruição posterior deles. Um menino de doze anos, Batário, aparece chefiando um grupo que prometeu aliança. (Dião Cássio. Dio’s Roman History)
Jáziges sobre o gelo, a chuva dos quados e a peça cristã
Dião descreve a batalha dos romanos contra os jáziges sobre o Danúbio gelado: os cavalos dos jáziges eram treinados para o gelo, e os romanos, compactos, apoiaram um pé sobre os escudos e derrubaram homens e cavalos como numa luta. Em 174, cercados pelos quados e sem água, os romanos receberam uma chuva forte; Dião atribui o fato ao poder divino e diz haver quem falasse do mago egípcio Arnúfis, e uma passagem entre colchetes, que a nota de Cary diz ser comentário de Xifilino, conta que a legião de Melitene, toda de cristãos, rezou e recebeu a chuva e um raio contra os inimigos. Marcos foi aclamado imperator pela sétima vez. (Dião Cássio. Dio’s Roman History)
A paz de Cômodo e os termos impostos (180)
Segundo Dião, Marcos morreu em 17 de março de 180, e, se tivesse vivido mais, teria subjugado toda a região. Dião conta que os 20 mil soldados dos fortes entre quados e marcomanos não os deixavam pastorear, lavrar nem viver em segurança, e que, quando os quados tentaram migrar para a terra dos semnones, Marcos fechou os caminhos: para Dião, isso mostrava que ele queria punir os homens e não só tomar-lhes a terra. Cômodo, de 19 anos, fez uma trégua e foi para Roma; aos marcomanos, que mandaram só quatro enviados, exigiu a devolução de desertores e cativos, cereais por ano (depois dispensados), armas e soldados, 13 mil dos quados e menos dos marcomanos, e fixou reuniões uma vez por mês, em um só lugar, diante de um centurião, com proibição de guerrear jáziges, buros e vândalos. Os buros também receberam paz, depois de esgotados, e deram reféns e cativos. (Dião Cássio. Dio’s Roman History)
Fontes
- Dião Cássio. Dio’s Roman History, vol. IX (Loeb Classical Library), trad. Earnest Cary, 1927, epítomes dos livros LXXII e LXXIII, texto OCR em archive.org/details/diosromanhistory0009earn_y8e4. Lido em 31/10/2026 só na parte inglesa; as datas d.C. nas margens são do tradutor, várias com interrogação.
- Historia Augusta, Vida de Marco Antonino (atribuída pelo manuscrito a Júlio Capitolino), caps. XII a XVII e XXII, em The Scriptores Historiae Augustae, vol. I (Loeb Classical Library), trad. David Magie, 1921, texto OCR em archive.org/details/scriptoreshistor0000unse. Lido em 31/10/2026; os anos nas margens e as notas de rodapé são do tradutor.
Na mesma região
- Invasão dos godos de Cniva e Batalha de Abrito (250–251): a morte do imperador Décio primavera de 250 (provável) a meados ou fim do verão de 251 (provável), segundo Martin e Grusková; o Wikidata dá só 251 para a batalha. Boteva, citada por eles, coloca a queda de Filipópolis em 251
- Úlfilas e o alfabeto gótico c. 311 – c. 383 (Wikidata); a Catholic Encyclopedia dá a morte em 380 ou 381
- Batalha de Adrianópolis (378): os godos admitidos na Trácia e a derrota do exército de Valente 9 de agosto de 378 (Amiano: "o quinto dia antes dos idos de agosto"; a resenha de Woods, no BMCR, dá 9 de agosto de 378; Wikidata P585: 378-08-09)
- Muralhas terrestres de Teodósio II em Constantinopla (413–447): a muralha de Anthemius e o reforço de Constantino 413 (muralha de Anthemius) a 447 (reconstrução e acréscimo do muro externo e do fosso, depois do terremoto)
- Fortalezas dácias dos montes de Orăștie séc. I a.C. ao início do séc. II d.C. (UNESCO)
- Batalha de Wogastisburg (631/632) e o "reino de Samo" dos eslavos, segundo a Crônica de Fredegário 631/632 (Eggers; Wikidata: 631). Segundo Fredegário, Samo reinou 35 anos a partir de c. 623/624; a cronologia dele é imprecisa