Atlas da História

Úlfilas e o alfabeto gótico

c. 311 – c. 383 (Wikidata); a Catholic Encyclopedia dá a morte em 380 ou 381 · Europa Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Bispo dos godos de ascendência capadócia, Úlfilas é lembrado como quem concebeu um alfabeto próprio para a língua gótica e traduziu a Bíblia para ela, segundo a tradição ligada ao seu nome. Depois de cerca de sete anos de episcopado na Gótia, a perseguição o levou, com muitos seguidores, para território romano, onde ele atuou por décadas. Sua carreira terminou ligada ao partido ariano de Constantinopla, o que marcou a memória posterior sobre ele.

Do cativeiro à Gótia

Segundo Filostórgio, citado por Krause & Slocum, os antepassados de Úlfilas eram capadócios levados presos pelos godos nas incursões do tempo de Valeriano e Galieno, e foram convertendo muitos deles ao cristianismo. Enviado numa embaixada ao imperador na época de Constantino, ele teria sido eleito bispo dos cristãos da terra gética por Eusébio e seus bispos. Auxêncio acrescenta que a ordenação ocorreu quando Úlfilas tinha trinta anos, saindo da condição de leitor. (Krause; Auxêncio de Durostorum)

Perseguição e refúgio

Auxêncio conta que um juiz godo desencadeou uma perseguição aos cristãos "com terror tirânico", que muitos servos e servas de Cristo foram mortos e que Úlfilas, depois de sete anos de episcopado, foi expulso com grande número de confessores e acolhido com honra em solo romano, no reinado de Constâncio. Krause & Slocum calculam a saída da Gótia em 347 ou 348. Filostórgio, por sua vez, diz que o imperador o chamava de "Moisés do nosso tempo". (Auxêncio de Durostorum; Krause)

Escrita, tradução e o que sobreviveu

Filostórgio escreve que Úlfilas foi o inventor das letras dos godos e traduziu todas as Escrituras para a língua deles, exceto Reis, livros de guerras que atiçariam um povo já amante da guerra. Dos códices, o mais impressionante é o Códice de Prata, pergaminho purpúreo com letras de prata e ouro, hoje em Uppsala; os manuscritos principais datam do fim do séc. V ao meio do VI. Krause & Slocum lembram que não há evidência direta de que o texto conservado seja a tradução do próprio Úlfilas. (Krause; Krause)

Fontes

  1. Krause, Todd B.; Slocum, Jonathan. "Gothic Online, Lesson 8" (Wulfila). Austin: Linguistics Research Center, University of Texas at Austin, consultado em out. 2026. https://lrc.la.utexas.edu/eieol/gotol/80 Acessar
  2. Krause, Todd B.; Slocum, Jonathan. "Gothic Online, Introduction". Austin: Linguistics Research Center, University of Texas at Austin, consultado em out. 2026. https://lrc.la.utexas.edu/eieol/gotol/0 Acessar
  3. Auxêncio de Durostorum, carta sobre a vida e a morte de Úlfilas (trechos em latim). Em Marchand, Jim. "Auxentius on Wulfila", página da Georgetown University (cópia de uma mensagem do autor), consultado em out. 2026. https://faculty.georgetown.edu/jod/texts/auxentius.html Acessar
  4. "Ulfilas". Em Herbermann, Charles G. (org.), The Catholic Encyclopedia. Nova York: Robert Appleton Company, 1907–1912, cópia no Ökumenisches Heiligenlexikon (consultado em out. 2026). https://tobi.heiligenlexikon.de/CatholicEncyclopedia/Wulfila_Ulfilas.html Acessar

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