Boicote aos ônibus de Montgomery
5 dez. 1955 – 20 dez. 1956 · América do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Protesto da população negra de Montgomery, no Alabama, contra a segregação racial nos ônibus da cidade, de dezembro de 1955 a dezembro de 1956. Segundo as memórias de Jo Ann Gibson Robinson, o Women's Political Council, que ela presidia, já planejava o boicote e o lançou na noite da prisão de Rosa Parks, papel que os relatos tradicionais deixavam em segundo plano.
Antes de Rosa Parks
As raízes do boicote vêm de antes de 1955. Em março de 1954, o Women's Political Council, grupo de profissionais negras, levou ao prefeito W. A. Gayle três pedidos: ninguém de pé ao lado de assentos vazios; fim da regra que obrigava os negros a pagar na frente e entrar por trás; e paradas em todas as esquinas dos bairros negros, como nos brancos. Sem resposta, Jo Ann Robinson, professora de inglês do Alabama State College e presidente do grupo, escreveu ao prefeito em maio que mais de vinte e cinco organizações locais falavam em boicotar os ônibus (King Institute; Burns, 2008). Em março de 1955, Claudette Colvin, de 15 anos, foi presa e maltratada pela polícia por não ceder o lugar, o que provocou um breve boicote informal. Em agosto, o linchamento de Emmett Till, de 14 anos, no Mississippi, abalou a comunidade, e em outubro Mary Louise Smith, de 18, foi presa pelo mesmo motivo. (Martin Luther King; Burns 2008)
De um dia de protesto a um ano de boicote
Rosa Parks era secretária da seção local da NAACP. Em 1º de dezembro de 1955, sentada na parte central, não reservada, recusou-se a ceder o lugar a um branco. Foi solta sob fiança por E. D. Nixon e pelo casal Clifford e Virginia Durr, que a convenceram a usar a prisão como caso de teste. Robinson e dois estudantes passaram a noite imprimindo 50 mil panfletos para um boicote de um dia na segunda-feira, 5 de dezembro, data do julgamento de Parks (Burns, 2008). Em 2 de dezembro, ministros e líderes reunidos na igreja batista da Dexter Avenue aderiram. No dia 5, segundo o King Institute, 90% dos negros da cidade deixaram de usar os ônibus; Parks foi condenada a 14 dólares de multa, e o advogado Fred Gray recorreu. À tarde nasceu a Montgomery Improvement Association, que elegeu Martin Luther King Jr. presidente, e à noite uma assembleia na igreja de Holt Street votou continuar. Em 8 de dezembro a associação apresentou suas exigências. (Burns 2008; Martin Luther King)
Caronas, cozinhas e tribunais
O boicote teve apoio de quase todos os 40 mil moradores negros, mais de um terço da cidade (Burns, 2008). Quando a prefeitura passou a punir os taxistas negros que ajudavam o protesto, a associação montou, por conselho de T. J. Jemison, que organizara caronas num boicote em Baton Rouge em 1953, um sistema de cerca de 300 carros, gerido por mulheres (King Institute). A cozinheira Georgia Gilmore criou o Club from Nowhere, que vendia comida para financiar o movimento. Mary Fair Burks, do conselho de mulheres, atribuiu o êxito às cozinheiras e empregadas sem nome que andaram quilômetros por um ano. A prefeitura endureceu: motoristas foram perseguidos, King foi preso por falso excesso de velocidade, e as casas dele e de Nixon sofreram atentados a bomba no início de 1956. Em fevereiro, a cidade obteve liminares e indiciou dezenas de líderes com base numa lei de 1921 contra conspirações; King foi condenado a pagar 500 dólares ou cumprir 386 dias de prisão. (Burns 2008; Martin Luther King)
Browder v. Gayle e o fim do boicote
Em 30 de janeiro de 1956, a associação decidiu deixar de pedir reformas e contestar a própria constitucionalidade da segregação. Como o caso de Parks não servia por razões técnicas, Fred Gray abriu uma ação federal em nome de quatro mulheres: Claudette Colvin, Mary Louise Smith, Aurelia Browder e Susan McDonald (Burns, 2008). Em 5 de junho, o tribunal federal decidiu em Browder v. Gayle que a segregação nos ônibus violava a Constituição, e em novembro a Suprema Corte confirmou a decisão, no mesmo dia em que King e a associação estavam num tribunal estadual contestando a proibição das caronas (King Institute). O boicote seguiu por um mês sem caronas, até a ordem chegar. Em 20 de dezembro King pediu o fim do protesto, e no dia 21 embarcou num ônibus integrado com Abernathy, Nixon e Glenn Smiley. Extremistas brancos atiraram em ônibus e explodiram igrejas. Do boicote saiu a Southern Christian Leadership Conference, que levou protestos a todo o Sul. (Burns 2008; Martin Luther King)
Fontes
- Robinson, J. A. G. (1987). The Montgomery Bus Boycott and the Women Who Started It: The Memoir of Jo Ann Gibson Robinson. Org. D. J. Garrow. University of Tennessee Press. ISBN 9780870495274.
- Martin Luther King, Jr. Research and Education Institute (Universidade Stanford), "Montgomery Bus Boycott". https://kinginstitute.stanford.edu/montgomery-bus-boycott (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Burns, S. (2008). "Montgomery Bus Boycott". Encyclopedia of Alabama, publicado em 09/06/2008, atualizado em 06/11/2025. https://encyclopediaofalabama.org/article/montgomery-bus-boycott/ (consultado em 07/10/2026). Acessar
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