Trilha das Lágrimas (remoção dos Cherokee)
maio 1838 a março 1839 (NPS); Lei de Remoção dos Índios em 1830 · América do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Remoção forçada dos Cherokee de suas terras, entre maio de 1838 e março de 1839, depois da Lei de Remoção dos Índios de 1830. Segundo o Serviço Nacional de Parques dos EUA, mais de mil pessoas morreram durante a viagem e talvez vários milhares em consequência da remoção.
Algodão, ouro e pressão da Geórgia
Garrison (2004) atribui a remoção à demanda por terras aráveis com a expansão do algodão no Sudeste, ao ouro achado em terras cherokees e ao preconceito racial de muitos brancos do sul. No fim da Guerra de Independência, os cherokees já tinham cedido mais da metade do território original. A partir dos anos 1780, autoridades americanas os incentivaram a viver, rezar e plantar como pequenos agricultores cristãos, e muitos aderiram: criaram tribunais, aboliram formalmente a vingança de sangue e adotaram um governo republicano; Sequoyah criou o silabário que lhes permitiu escrever leis e publicar jornais na própria língua. Mesmo assim, brancos da Geórgia e de estados vizinhos não os aceitavam como iguais. Depois da compra da Louisiana, em 1803, Jefferson propôs a mudança das nações do leste para além do Mississippi, e pequenos grupos cherokees partiram para o rio Arkansas em 1810 e em 1817–19. (Garrison 2004)
Soberania defendida nos tribunais
O governo cherokee sustentava ser uma nação soberana e citava o Tratado de Hopewell, de 1785, que fixara fronteiras com os EUA. Em 1825 fundou a capital New Echota, perto da atual Calhoun; o Conselho Nacional avisou que recusaria novas cessões e proibiu a venda de terras nacionais sob pena de morte, e em 1827 veio uma constituição escrita (Garrison, 2004). Entre 1827 e 1831, a Geórgia estendeu sua jurisdição ao território cherokee, declarou abolidos suas leis e seu governo e preparou o sorteio das terras entre brancos. Andrew Jackson, eleito em 1828, fez da remoção um objetivo nacional, e a Lei de Remoção dos Índios de 1830 autorizou o presidente a negociar tratados de remoção. A Nação Cherokee, liderada por John Ross, recorreu à Suprema Corte. Em 1831 a corte a definiu como “nação doméstica dependente”, sem atender às queixas; em 1832, em Worcester v. Geórgia, reconheceu sua soberania, mas Jackson se recusou a aplicar a decisão. (Garrison 2004)
Um tratado sem o governo cherokee
Em 1835, o Partido do Tratado, de Major Ridge, John Ridge e Elias Boudinot, assinou o Tratado de New Echota sem autorização de Ross nem do governo cherokee: trocava as terras por um lote no Território Indígena, com promessa de 5 milhões de dólares. O Senado o ratificou em maio de 1836, por um voto de diferença, embora Ross tivesse reunido 16 mil assinaturas contra (Garrison, 2004; NPS). Em maio de 1838, tropas do Exército e milícias expulsaram mais de 16 mil cherokees do Tennessee, Alabama, Carolina do Norte e Geórgia para campos de detenção e depois de emigração. Ross assumiu a condução da viagem, feita em catorze grupos entre agosto e dezembro, e a remoção terminou no fim de março de 1839. As estimativas de quem morreu variam de mais de mil durante a viagem, segundo o NPS, a 4 mil ou 5 mil, segundo estudiosos citados por Garrison; entre os mortos estava Quatie, mulher de Ross. Já no Oeste, opositores mataram os dois Ridge e Boudinot. (Garrison 2004; National Park Service)
Refazer a rota de bicicleta
A Nação Cherokee mantém viva a memória da remoção. Em 26 de maio de 2026, doze ciclistas da Nação partiram de Tahlequah, Oklahoma, depois de uma cerimônia no complexo tribal W. W. Keeler, para se juntar a seis ciclistas da Banda Oriental dos Índios Cherokee na Carolina do Norte. A pedalada oficial, de quase 950 milhas (cerca de 1.500 km), segue a rota norte da Trilha das Lágrimas, de New Echota, na Geórgia, a Tahlequah, entre 1º e 19 de junho, com cerca de 60 milhas por dia. O grupo treinou por 25 semanas, teve as árvores genealógicas levantadas por um genealogista e fez aulas de língua cherokee; no caminho, visita túmulos e marcos como Blythe Ferry, no Tennessee, e Mantle Rock, no Kentucky. O texto da Nação retoma a conta: cerca de 4 mil dos cerca de 16 mil cherokees forçados a ir para o oeste morreram de frio, fome e doença. O chefe principal Chuck Hoskin descreveu os ciclistas como representação física do dano causado por uma política federal que quis reduzir seu povo a uma nota de rodapé. (Cherokee Nation)
Fontes
- National Park Service, Trail of Tears National Historic Trail, "History & Culture". https://www.nps.gov/trte/learn/historyculture/index.htm (consultado em 07/10/2026) Acessar
- Perdue, T.; Green, M. D. (2007). The Cherokee Nation and the Trail of Tears. Viking. ISBN 9780670031504.
- Garrison, T. A. (2004). "Cherokee Removal". New Georgia Encyclopedia (Georgia Humanities), publicado em 19/11/2004, editado em 23/07/2018. https://www.georgiaencyclopedia.org/articles/history-archaeology/cherokee-removal (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Cherokee Nation, "Cherokee Nation Remember the Removal Bike Ride Participants Leave for Cherokee, North Carolina". Anadisgoi, 26/05/2026. https://anadisgoi.com/index.php/culture-stories/cherokee-nation-remember-the-removal-bike-ride-participants-leave-for-cherokee-north-carolina-2026 (consultado em 07/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Harriet Tubman c. 1822 – 10 mar. 1913 (NPS)
- Grande Depressão e New Deal: como são lidos 1929–1941 (Wikidata: 29 out. 1929 a 1941; New Deal a partir de 4 mar. 1933, posse de Roosevelt)
- Boicote aos ônibus de Montgomery 5 dez. 1955 – 20 dez. 1956
- Revolta Pueblo 10 a 21 ago. 1680
- Cahokia auge c. 1050–1150; cultura mississipiana c. 800–1350 (UNESCO)
- Obras de terra cerimoniais Hopewell c. 1–400 d.C. (UNESCO)