Atlas da História

Cahokia

auge c. 1050–1150; cultura mississipiana c. 800–1350 (UNESCO) · América do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Maior centro da cultura mississipiana, no atual estado de Illinois (EUA), com grandes montículos de terra. No auge, entre 1050 e 1150, teve de 10 mil a 20 mil habitantes, segundo a UNESCO.

Montículos, paliçada e um círculo de postes

O sítio fica em Collinsville, Illinois, perto de St. Louis. A UNESCO o apresenta como principal centro cultural, religioso e econômico da cultura mississipiana, que ali vai de 800 a 1350, e como o primeiro dos grandes assentamentos mississipianos. A cidade chegou a cobrir mais de 1.600 ha, com cerca de 120 montículos. A área protegida guarda 51 montículos de plataforma, de crista e cônicos, áreas residenciais, públicas e de atividades especializadas e um trecho reconstruído da paliçada, que marcava os limites e a simetria interna do assentamento. O Monks Mound, que segundo a UNESCO é a maior obra de terra antiga das Américas, foi erguido em 14 etapas, cobre cerca de 6 ha e sobe em quatro terraços até 30 m. Os montículos serviram de base para edifícios públicos e de túmulos. Havia ainda um círculo de postes de madeira, chamado de Woodhenge e descrito pela UNESCO como observatório astronômico. (UNESCO, lista nº 198)

Uma população medida no fundo do lago

White et al. (2019) usaram um indicador relativo, e não uma contagem, da população de Cahokia e da bacia do lago Horseshoe: os estanóis fecais (coprostanol e epicoprostanol) guardados nos sedimentos. Eles analisaram dois testemunhos do lago Horseshoe, um lago em meandro abandonado na bacia que drena Cahokia, e usaram a razão entre coprostanol e 5α-colestanol como indicador da presença humana. A curva mostra um crescimento rápido no séc. X, um máximo na fase Lohmann, por volta de 1050–1100, e o início de uma queda marcada por volta de 1150. O despovoamento continuou nos sécs. XII e XIII, e o mínimo foi atingido por volta de 1400. Entre meados do séc. XVI e meados do séc. XVIII houve um aumento modesto, que os autores atribuem a grupos semissedentários do período proto-histórico, como os tamaroas. (White et al. 2019)

Enchente, seca e mudança do clima

Por volta de 1150, segundo White et al. (2019), vários fatores de estresse coincidiram: uma enchente do Mississippi, chamada Evento de Cheia V, e uma redução das chuvas de verão, decisivas para o milho, num momento de transição entre a Anomalia Climática Medieval e a Pequena Idade do Gelo. A reconstrução de secas indica três secas de várias décadas entre cerca de 1125 e 1250. Os autores testaram também a hipótese de degradação ambiental: a acumulação de minerais detríticos no lago foi máxima antes do pico da população e mínima durante ele, o que contradiz essa explicação. A queda dos estanóis depois da enchente coincide com sinais arqueológicos de construção da paliçada e de reorganização social. A conclusão é que o clima foi fator importante, ao lado de aspectos sociais, políticos e econômicos; talvez uma mudança isolada não pesasse, mas a combinação de duas ou mais seria um desafio sério para um sistema agrário centralizado. (White et al. 2019)

Um sítio protegido desde 1925

O sítio pertence ao estado de Illinois e é gerido pela agência estadual de preservação histórica. O núcleo é protegido como área pública desde 1925. Como não há zona de amortecimento oficial, a UNESCO conta com a designação federal de uma área maior como Marco Histórico Nacional, em 1964, que hoje inclui outras terras do estado. Várias áreas próximas foram compradas e recuperadas para preservar o entorno. O centro de interpretação, aberto em 1989, foi construído sobre lajes de concreto para não mexer nos depósitos arqueológicos, e o plano de gestão foi atualizado em 2008. Uma rodovia e uma ferrovia cortam o sítio: a estrada passa na planície de inundação do Cahokia Creek, longe dos principais vestígios enterrados, e a ferrovia corre sobre um aterro. As ameaças listadas são erosão, ocupação urbana, cheias e obras contra cheias, e danos causados por raízes profundas. Cahokia entrou na lista do Patrimônio Mundial em 1982. (UNESCO, lista nº 198)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Cahokia Mounds State Historic Site", lista nº 198. https://whc.unesco.org/en/list/198/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
  2. Pauketat, T. R. (2009). Cahokia: Ancient America's Great City on the Mississippi. Viking. ISBN 9780670020904.
  3. White, A. J.; Stevens, L. R.; Lorenzi, V.; Munoz, S. E. et al. (2019). "Fecal stanols show simultaneous flooding and seasonal precipitation change correlate with Cahokia's population decline". Proceedings of the National Academy of Sciences 116(12): 5461–5466. DOI 10.1073/pnas.1809400116. Acessar

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