Atlas da História

Caverna de Callao: o Homo luzonensis nas Filipinas

pelo menos 67 mil anos atrás (idade mínima do metatarso: Mijares et al. 2010; Détroit et al. 2019) · Sudeste Asiático insular

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Caverna no norte da ilha de Luzon, nas Filipinas, onde um osso do pé de cerca de 67 mil anos foi o registro humano mais antigo do arquipélago. Em 2019, outros 12 ossos e dentes de ao menos três indivíduos levaram à descrição de uma nova espécie, Homo luzonensis.

O osso do pé de 2007

Em 2007 apareceu na caverna de Callao um terceiro metatarso humano, datado diretamente por séries de urânio com ablação a pelo menos 66,7 ± 1 mil anos. Mijares e colegas o descreveram em 2010 como o fóssil humano mais antigo das Filipinas, com estrutura delicada, próxima à de Homo sapiens de corpo pequeno e dentro das faixas de H. habilis e H. floresiensis. Os autores deixaram em aberto se era o registro mais antigo de H. sapiens a leste da Linha de Wallace e destacaram que a travessia de mar aberto até Luzon é anterior a 65 mil anos. (Mijares et al. 2010)

A nova espécie de 2019

Détroit e colegas, com participação de pesquisadores filipinos, relataram em 2019 doze elementos adicionais de pelo menos três indivíduos, achados na mesma camada do metatarso. Os fósseis combinam traços ancestrais e derivados diferentes dos de outras espécies de Homo, incluindo H. floresiensis e H. sapiens, e justificaram, para os autores, o nome Homo luzonensis. Segundo eles, a presença de outro hominíneo antes desconhecido a leste da Linha de Wallace mostra a importância do Sudeste Asiático insular na evolução do gênero. (Détroit et al. 2019)

O que se tem: poucos ossos de um pé e dentes

Gousset e colegas resumem o material atribuído à espécie: o metatarso, duas falanges do pé, duas falanges da mão, sete dentes pós-caninos superiores e a diáfise de um fêmur de jovem. As idades do conjunto são, segundo eles, de pelo menos 50 mil a mais de 100 mil anos. Luzon é grande, tem cerca de 105 mil km², e, além de H. luzonensis e H. sapiens, não se conhece ali outro hominíneo. Segundo eles, H. luzonensis era a única das espécies descobertas recentemente sem estudo detalhado de sua posição filogenética. (Gousset et al. 2026)

De quem descende? Duas hipóteses

A análise cladística de Gousset e colegas, publicada em 2026, testou duas hipóteses para os traços arcaicos da espécie: parentesco próximo com Australopithecus ou os primeiros Homo, ou reversões por evolução insular a partir de uma espécie mais recente como H. erectus. Segundo os autores, ambas encontram apoio em elementos anatômicos diferentes, e as árvores que põem H. luzonensis perto de H. erectus são sustentadas pelos dentes. Eles concluem que a espécie provavelmente evoluiu de uma população asiática de H. erectus em contexto insular, hipótese que segue em debate. (Gousset et al. 2026)

Fontes

  1. Mijares, A. S.; Détroit, F.; Piper, P.; Grün, R. et al. (2010). "New evidence for a 67,000-year-old human presence at Callao Cave, Luzon, Philippines". Journal of Human Evolution 59: 123–132. DOI 10.1016/j.jhevol.2010.04.008. Acessar
  2. Détroit, F.; Mijares, A. S.; Corny, J.; Daver, G. et al. (2019). "A new species of Homo from the Late Pleistocene of the Philippines". Nature 568: 181–186. DOI 10.1038/s41586-019-1067-9. Acessar
  3. Gousset, P.; Bardin, J.; Rouget, I.; Mijares, A. S. et al. (2026). "Homo luzonensis and the role of homoplasy in the morphology of hominin insular species". Cladistics 42: 286–316. DOI 10.1111/cla.70027. Acessar

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