Atlas da História

Leang Tedongnge: arte rupestre em Sulawesi

pelo menos 45.500 anos atrás · Sudeste Asiático insular

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Caverna em Sulawesi (Indonésia) com uma pintura figurativa de pelo menos 45.500 anos, a arte rupestre mais antiga conhecida na ilha quando foi publicada (2021); em 2024, Oktaviana e colegas dataram uma cena em Leang Karampuang em pelo menos 51.200 anos. O achado mostra que a arte figurativa antiga não é um fenômeno apenas europeu.

Uma caverna num vale reservado do carste de Maros-Pangkep

Segundo Brumm et al. (2021), Leang Tedongnge é uma caverna calcária num vale isolado, na divisa dos distritos de Maros e Pangkep, no carste do sudoeste de Sulawesi, onde as equipes identificaram cerca de 300 cavernas e abrigos com imagens nas paredes. O sítio foi descoberto em 2017. No painel do fundo, numa saliência da caverna, há pelo menos três grandes pinturas de porcos, e uma quarta figura, quase apagada pela descamação da rocha. A figura datada mede 136 por 54 centímetros, é um contorno completo de perfil, em ocre vermelho ou arroxeado, preenchido com linhas e traços irregulares, e traz duas mãos em estêncil acima das ancas. Os autores identificam o animal como o porco-verrugoso de Sulawesi (Sus celebensis), espécie endêmica ainda existente, pelos caroços faciais e pela crista da cabeça. As outras figuras parecem estar de frente umas para as outras, e a cena é interpretada pelos autores como possível composição narrativa, talvez uma interação social entre três ou quatro animais. (Brumm et al. 2021)

Como se obteve a idade mínima de 45,5 mil anos

Os autores dataram um pequeno depósito de calcita (um espeleotema coraloide) que se formou por cima da tinta, sobre o pé traseiro do porco. Pelo método das séries do urânio, o carbonato incorpora urânio solúvel, que decai para tório-230, insolúvel, e a medida dos isótopos dá a idade em que a calcita se formou. Como a calcita cobre a pintura, a tinta só pode ser mais antiga: o resultado de 45,5 mil anos atrás é, portanto, uma idade mínima. A amostra, de cerca de 12 mm², foi retirada com cinzel e trouxe consigo a camada de pigmento vermelho, o que confirmou a relação entre os dois. Em laboratório, foi micro-escavada em quatro alíquotas de menos de 1 mm; as três determinações de idade deram valores indistinguíveis dentro da incerteza, o que indica sistema fechado para urânio e tório. As análises foram feitas na Universidade de Queensland. (Brumm et al. 2021)

Uma tradição pleistocênica de pinturas de animais

Brumm et al. (2021) situam a pintura numa tradição mais ampla. Em Maros-Pangkep, duas fases estilísticas são reconhecidas: uma muito antiga, anterior à chegada dos agricultores de línguas austronésias, há cerca de 4 mil anos, com estênceis de mãos e animais pintados de lado numa só cor, e outra posterior. Entre os animais, dominam os porcos (73 motivos, 81,1% das representações de animais) e aparecem também pequenos bovídeos endêmicos (os anoás). O sítio de Leang Bulu' Sipong 4 tinha uma cena de figuras humanoides caçando, com um porco de idade mínima de 43,9 mil anos, e Leang Timpuseng, um suídeo de pelo menos 35,4 mil anos. Escavações em Leang Bulu Bettue e Leang Burung 2 acharam ocre usado e, em Bulu Bettue, artefatos manchados de ocre de cerca de 40 mil anos, indicando processamento de pigmento. Em Bornéu, em Lubang Jeriji Saléh, um banteng pintado tem idade mínima de 40 mil anos. (Brumm et al. 2021)

O que se afirma e o que fica em aberto

Os autores, até onde puderam averiguar, apresentam a pintura de Leang Tedongnge como a imagem representacional de animal mais antiga conhecida e, possivelmente, a obra figurativa mais antiga que a arqueologia conhece. Eles não podem, porém, afirmar de forma definitiva que foi feita por Homo sapiens: consideram a hipótese a mais provável pela sofisticação do desenho e porque a arte figurativa só foi atribuída a humanos modernos no resto do mundo. Lembram que artefatos de pedra de Talepu, no sul de Sulawesi, datados de cerca de 194 a 118 mil anos atrás, são atribuídos a um hominínio arcaico, que a presença de humanos modernos em Wallacea é discutida e que a datação de arte rupestre na Espanha, atribuída a neandertais com mais de 64 mil anos, é muito contestada. A idade da pintura é compatível com os mais antigos indícios escavados de humanos modernos nas Pequenas Ilhas da Sonda, de c. 44,6 mil anos cal AP. (Brumm et al. 2021)

Datações posteriores e a ordem de antiguidade em Sulawesi

Oktaviana et al. (2024) aplicaram a imagens de laser-ablação com séries do urânio e obtiveram idades mínimas maiores para pinturas já datadas: a cena de caça de Leang Bulu' Sipong 4, antes datada em 43,9 mil anos, teria no mínimo 50,2 mil anos (± 2,2), e uma cena nova em Leang Karampuang, com figuras humanoides interagindo com um porco, teria no mínimo 53,5 (± 2,3) mil anos, apresentada como pintada há pelo menos 51,2 mil anos. Os autores a descrevem como o exemplo mais antigo conhecido de arte representacional e de narração visual. Quanto a Leang Tedongnge, dizem que o pigmento pode ser mais antigo que 45,5 mil anos, mas não foi possível redatá-lo pelo novo método, pois não restou carbonato de cálcio da amostra original. Assim, o registro de Tedongnge como o mais antigo da ilha deve ser lido à luz dessas datações. (Oktaviana et al. 2024)

Fontes

  1. Brumm, A.; Oktaviana, A. A.; Burhan, B.; Hakim, B. et al. (2021). "Oldest cave art found in Sulawesi". Science Advances 7(3). DOI 10.1126/sciadv.abd4648. Acessar
  2. Oktaviana, A. A.; Joannes-Boyau, R.; Hakim, B.; Burhan, B. et al. (2024). "Narrative cave art in Indonesia by 51,200 years ago". Nature 631: 814–818. DOI 10.1038/s41586-024-07541-7. Acessar

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