Boca Oeste da Caverna de Niah (Sarawak, Bornéu): sepultamentos do Holoceno inicial, com corpos flexionados, sentados sobre o fogo e um par sem a cabeça, c. 9750 a 6400 a.C.
c. 9750 a 6400 a.C. calibrado (c. 11.700 a 8.350 cal AP), a faixa refinada que Lloyd-Smith (2012) propõe, por estratigrafia, para os sepultamentos do Holoceno inicial da Boca Oeste · Sudeste Asiático insular
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Na Boca Oeste da Caverna de Niah, no norte de Bornéu, Lloyd-Smith (2012) reclassifica 25 dos 39 sepultamentos antes chamados de "mesolíticos" e os põe no Holoceno inicial, numa faixa proposta de c. 9750 a 6400 a.C. Os mortos eram postos em covas fundas, quase sempre bem flexionados; três, sentados, foram colocados sobre uma fogueira acesa no fundo da cova, e um par de flexionados, aparentemente sem a cabeça junto ao corpo, ficou costas com costas. Para a autora, o começo dos sepultamentos individuais marca uma mudança no modo de tratar os mortos e de lembrar os ancestrais.
De 39 sepultamentos "mesolíticos" a 25
Barbara Harrisson (1967) separou os sepultamentos da Boca Oeste em tipos, e os flexionados, sentados e "mutilados" ficaram como pré-neolíticos: 39 ao todo. Lloyd-Smith (2012) refez a classificação com os cadernos de campo e as fotografias do arquivo do Museu de Sarawak. Alguns "flexionados" passaram para o Neolítico, outros viraram enterros casuais, entre eles o chamado Crânio Profundo, hoje datado de c. 38.000 anos, ou foram descartados; ficaram 25 do Holoceno inicial, em quatro tipos: primário flexionado, primário sentado, secundário sem queima e secundário cremado. Os grupos 1 e 2 reúnem os flexionados, sob o abrigo e no vão da caverna. (Lloyd-Smith 2012)
Sentados sobre uma fogueira
Três mortos (B54, B141 e B147) foram postos sentados, com as pernas abertas, e o corpo caído para a frente, sobre um fogo aceso no fundo de uma cova larga e profunda. No B147, o mais bem preservado, o caderno de Barbara Harrisson nota que o carvão é mais forte por baixo do quadril e que até os dentes parecem queimados. Para a autora, o fogo foi atiçado depois de o corpo ser posto, e a cova foi então aterrada, não deixada aberta. Esses três ficam longe dos demais, e os isótopos de B141 sugerem uma dieta de mata aberta, talvez marítima, diferente da dos flexionados; para Lloyd-Smith, foi um tratamento reservado a poucos membros da comunidade. (Lloyd-Smith 2012)
Um par sem a cabeça
Os sepultamentos B155 e B156 foram achados lado a lado, costas com costas, a dez metros do grupo 2. B156, deitado sobre o lado esquerdo, tinha as mãos talvez atadas e um crânio diante do tronco; B155 estava com a cabeça sobre o peito e o crânio longe da coluna, o que leva a autora a ler os dois como decapitados. Mãos e pés de ambos parecem ter sido amarrados. B155 tem uma datação direta em colágeno de 7850±175 BP (7291–6395 a.C. cal.). Harrisson (1967) chamou B156 de "sacrifício", e Lloyd-Smith acha a leitura aparentemente justificada; a distância entre o par e os demais, diz ela, pode ter simbolizado distância social na morte. (Lloyd-Smith 2012)
As datas e o lugar na região
Segundo a autora, o uso do local no Holoceno inicial (c. 10.000–6000 a.C.) foi seguido por um intervalo de cerca de quatro mil anos, e os sepultamentos formam aglomerados distintos, sinal de visitas repetidas por períodos curtos. Ela compara o conjunto com enterros flexionados de Kimanis e Gua Tengkorak (Kalimantan), de Gunung Sewu (Java), de Gua Cha (Malásia) e as cremações de Ille (Palawan), todos conhecidos por ela de segunda mão, e conclui que o enterro individual surge como um horizonte comum no leste do arquipélago, com o fogo em muitos ritos secundários. (Lloyd-Smith 2012)
Fontes
- Lloyd-Smith, Lindsay (2012). "Early Holocene burial practice at Niah Cave, Sarawak". Journal of Indo-Pacific Archaeology 32: 54–69. DOI 10.7152/jipa.v32i0.12844. https://journals.lib.washington.edu/index.php/BIPPA/article/view/12844 . PDF baixado e texto bruto extraído em 31/10/2026; lido o artigo inteiro, menos as notas de rodapé da lista de referências. Acessar
- Hung, Hsiao-chun; Deng, Zhenhua; Liu, Yiheng; Ran, Zhiyu; Zhang, Yue; Li, Zhen; Kaifu, Yousuke; et al. (2025). "Earliest evidence of smoke-dried mummification: More than 10,000 years ago in southern China and Southeast Asia". Proceedings of the National Academy of Sciences. DOI 10.1073/pnas.2515103122. Texto integral via Europe PMC (PMC12478042), lido em texto bruto em 31/10/2026; só os trechos sobre Niah e as datas de OxA-15157 e OxA-16161. Acessar
Na mesma região
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