Dhuoda
30 nov. 841 – 2 fev. 843 (período de escrita do Liber manualis, segundo Del Monte); nascimento e morte não constam na fonte lida · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Dhuoda, esposa do duque Bernardo, escreveu em Uzès, na Septimânia, entre 30 de novembro de 841 e 2 de fevereiro de 843, o Liber manualis, um livro de conselhos morais dirigido ao filho Guilherme, o primogênito, que o pai enviara à corte de Carlos, o Calvo. Segundo Del Monte, é um caso único na literatura latina do início do período medieval europeu, porque esse gênero de manual era em geral escrito por clérigos e este foi escrito por uma aristocrata leiga. O texto reúne mais de trezentas citações bíblicas e muitas referências autobiográficas.
O livro e o momento em que foi escrito
Segundo Del Monte, o Liber manualis foi escrito em Uzès, na Septimânia, por Dhuoda, mulher do duque Bernardo, entre 30 de novembro de 841 e 2 de fevereiro de 843. O destinatário é Guilherme, o filho mais velho, que o pai mandara para junto de Carlos, o Calvo. O título é uma expressão clássica para um livrinho fácil de segurar, equivalente latino do grego enchiridion, que Agostinho usou numa obra e que contemporâneos como Alcuíno também empregaram. O texto nasce entre a morte de Luís, o Piedoso (840) e o tratado de Verdun (843). (Del Monte)
Um espelho escrito por uma leiga
O manual pertence ao gênero dos specula principum, manuais éticos e pedagógicos para jovens da aristocracia, que na Gália franca eram em geral escritos por clérigos para orientar os leigos. Del Monte destaca que Dhuoda era uma aristocrata, e mulher, o que seria um caso único na literatura latina do início do período medieval europeu; a única comparação que ele aponta é a Vita Desiderii, com três cartas de exortação de Herchenfreda ao filho. Há temas comuns ao gênero, como a luta contra o vício, a prática das virtudes, o respeito aos pais, à coroa e à Igreja e a oração, mas Dhuoda quer também fazer o filho sentir a presença da mãe, e o livro traz referências autobiográficas que outros espelhos não têm. (Del Monte)
As leituras que o livro revela
Del Monte conta mais de trezentas citações bíblicas no manual, com destaque para o Evangelho de Mateus, as cartas de Paulo, os livros sapienciais, Jó e sobretudo o Saltério, de que quase todos os salmos aparecem, em geral citados de memória. Dhuoda mostra conhecer a Regra de São Bento sem nomeá-la, cita o gramático Donato, o Cathemerinon de Prudêncio (três vezes, sem dizer o autor), o Enchiridion de Agostinho, Gregório Magno e Isidoro, e dedica um longo excurso ao simbolismo dos números. O último capítulo vem inteiro do De psalmorum usu liber, atribuído a Alcuíno. Para Del Monte, ela provavelmente não possuía todas essas obras, e muitas citações são indiretas. (Del Monte)
Língua e manuscritos
Del Monte observa que Dhuoda provavelmente falava a língua românica que aparece nos Juramentos de Estrasburgo (842), mas escreve em latim. Há três manuscritos da obra, em Paris, Nîmes e Barcelona, com grafias diferentes entre si e dentro de cada um. Os desvios que ele enumera (confusão de casos, de gêneros e de conjugações, mudanças fonéticas) eram comuns já antes do século IX, e ele mostra no texto formas rebuscadas e raras, que atestam o desejo de usar uma língua refinada. Sua conclusão é que o manual mostra uma pessoa muito letrada, que pode ser descrita como uma das primeiras mulheres de letras do período. (Del Monte)
Fontes
- Del Monte, R. (trad. L. Tuccillo). "A Woman of Letters: Dhuoda's Liber Manualis". Women's Literary Culture and the Medieval Canon (rede internacional financiada pelo Leverhulme Trust), University of Surrey, 3 maio 2017. https://blogs.surrey.ac.uk/medievalwomen/?p=733 Acessar
Na mesma região
- Os Rus nas primeiras fontes: a embaixada de 839 em Ingelheim e Ibn Khurradadhbih (década de 840) 839 (Anais de São Bertin) e década de 840 (Kitab al-Masalik wa-l-Mamalik, segundo Hraundal; Golden o data antes de 840)
- Navio de Oseberg: embarcação a vela e remo (década de 820) e sepultamento de 834 construído na década de 820; usado como sepultura de duas mulheres em 834 (Museu da Era Viking)
- Plano de St. Gall (Cod. Sang. 1092) c. 820 (Keller, segundo Scherrer 1875); obra da igreja a partir de c. 830 e consagração em 835
- Grande Exército Pagão na Inglaterra e a resistência de Alfredo (865–878), segundo a Crônica Anglo-Saxônica 865–878 (Crônica Anglo-Saxônica: acampamento em Thanet em 865; batismo do rei Guthrum em 878; Wikidata: início em 865)
- Ataque a Lindisfarne (793): o saque do mosteiro da Ilha Santa e o começo dos registros de incursões escandinavas nas ilhas britânicas 793 (a Crônica anglo-saxônica, na tradução lida, dá o dia como o sexto antes dos idos de janeiro)
- Execução de saxões junto ao Aller e ao Weser, o chamado massacre de Verden (782) 782 (o Wikidata dá outubro; os Anais do Reino dos Francos não dão o mês na passagem lida)