Plano de St. Gall (Cod. Sang. 1092)
c. 820 (Keller, segundo Scherrer 1875); obra da igreja a partir de c. 830 e consagração em 835 · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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O Plano de St. Gall é um desenho em pergaminho de 114 por 74,5 cm, feito no início do séc. IX para o mosteiro de St. Gall, que mostra uma igreja no centro de quatro grupos de edifícios. Segundo o catálogo de Scherrer (1875), o conjunto atende à vida monástica, a uma economia extensa, à escola e a um lugar frequente de pouso e peregrinação, e o desenho é um projeto, só em parte seguido. Scherrer o chama de único, pois não se conhece outro plano de construção da época carolíngia, e o data de cerca de 820 (Keller), antes de a obra da igreja começar, c. 830.
O documento
Scherrer descreve a folha como um pergaminho costurado de cinco peças e montado em tecido de linho, com 114 cm de altura e 74,5 de largura. As linhas são vermelhas e as inscrições, em tinta marrom, com pena fina. No alto do desenho há uma dedicatória de sete linhas, parcialmente apagada e sem o nome de quem escreveu, ao "filho Gozberto". O altar-mor leva a inscrição Altare S. Mariae et S. Galli. Para Scherrer, a dedicatória e as obras do mosteiro, atestadas pelas crônicas de St. Gall, mostram que o plano era para aquele mosteiro. O canto inferior foi raspado no séc. XI ou XII e coberto com o fim de uma lenda de milagres de São Martinho. (Scherrer)
Um projeto de mosteiro completo
Segundo Scherrer, o projeto reuniria quatro grupos de edifícios com a igreja no centro. O conjunto serviria à vida monástica em sentido estrito, a uma economia extensa, às necessidades da escola e a um lugar frequentado de pouso e peregrinação, e formaria uma povoação de cerca de 40 telhados, quase todos de um único andar, com exceção da biblioteca e do salão, entre outros. Ele observa que o desenho parece mais um projeto que uma planta para o construtor e que foi seguido só em parte. Como não se conhecem outros planos de construção da época carolíngia, chama o documento de único. (Scherrer)
Data e autoria
Scherrer lembra que a obra da igreja principal começou por volta de 830 e que a consagração, sob o abade Gozberto, foi em 835; por isso o desenho deve ser um pouco anterior, de cerca de 820 segundo Keller. O autor do projeto é desconhecido. Mabillon pensou em Eginhardo, Keller em um italiano e Metzler em um bispo; Scherrer prefere ver no "filho" da dedicatória um sobrinho do abade, de mesmo nome. Ele cita a carta de Ermenrico, que nomeia o monge Winehard como mestre de obras, mas isso se refere à construção real, não ao desenho. (Scherrer)
Como o plano ficou conhecido
Segundo Scherrer, as inscrições, em dísticos ou hexâmetros em minúscula ou uncial do séc. IX, foram impressas por Canísio; o plano em si apareceu primeiro numa gravura reduzida em cobre feita por Mabillon nos Annales Benedictini e depois foi litografado, em cerca de quatro quintos do tamanho do original, por F. Keller (Zurique, 1844), com 41 páginas de comentário. Ele nota que, apesar de ter sido desenrolado muitas vezes em tempos recentes, o desenho está bem conservado, fora o canto raspado e poucos trechos e inscrições. (Scherrer)
Fontes
- Scherrer, G. Verzeichniss der Handschriften der Stiftsbibliothek von St. Gallen. Halle, 1875, p. 403-405 (descrição do Cod. Sang. 1092, em alemão), na transcrição do e-codices (Biblioteca Virtual de Manuscritos da Suíça). https://www.e-codices.unifr.ch/en/description/csg/1092 Acessar
Na mesma região
- Navio de Oseberg: embarcação a vela e remo (década de 820) e sepultamento de 834 construído na década de 820; usado como sepultura de duas mulheres em 834 (Museu da Era Viking)
- Os Rus nas primeiras fontes: a embaixada de 839 em Ingelheim e Ibn Khurradadhbih (década de 840) 839 (Anais de São Bertin) e década de 840 (Kitab al-Masalik wa-l-Mamalik, segundo Hraundal; Golden o data antes de 840)
- Dhuoda 30 nov. 841 – 2 fev. 843 (período de escrita do Liber manualis, segundo Del Monte); nascimento e morte não constam na fonte lida
- Ataque a Lindisfarne (793): o saque do mosteiro da Ilha Santa e o começo dos registros de incursões escandinavas nas ilhas britânicas 793 (a Crônica anglo-saxônica, na tradução lida, dá o dia como o sexto antes dos idos de janeiro)
- Execução de saxões junto ao Aller e ao Weser, o chamado massacre de Verden (782) 782 (o Wikidata dá outubro; os Anais do Reino dos Francos não dão o mês na passagem lida)
- Dique de Offa: a obra de terra de cerca de 285 km entre a Mércia e o País de Gales, e o debate sobre sua data fim do séc. VIII ao início do IX, segundo as datações recentes citadas pela Offa's Dyke Association; a tradição, desde Asser, o atribui ao rei Offa (757–796); um trecho em Chirk deu datas do séc. VI em 2014