Atlas da História

Execução de saxões junto ao Aller e ao Weser, o chamado massacre de Verden (782)

782 (o Wikidata dá outubro; os Anais do Reino dos Francos não dão o mês na passagem lida) · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo os Anais do Reino dos Francos, em 782 os saxões, após a derrota franca no monte Süntel, entregaram a Carlos os 'malfeitores' que haviam liderado a revolta, e foram mortos 'IIII D', que Landon e Ribeiro da Silva leem como 4.500. O texto latino não diz o lugar pelo nome de Verden, só 'onde o Aller conflui com o Weser', e não diz como foram mortos; Landon fala em decapitação. Os relatos são todos de autores francos, e o chefe Widukind, que não foi entregue, fugiu para os nórdicos.

O que dizem os Anais do Reino dos Francos para 782

Na versão original dos anais, Carlos reúne em 782 uma assembleia em Lippspringe, à qual comparecem os saxões, exceto Widukind, além de enviados nórdicos e ávaros. Quando o rei volta, os saxões se rebelam de novo, 'por conselho de Widukind'. Dois enviados do rei, Adalgis e Gailo, com Worad, tentam mover um exército contra eslavos rebeldes, mas, ao saber da revolta, atacam os saxões sem avisar o rei; os francos vencem, e morrem Adalgis e Gailo no monte chamado Suntdal. Ao saber, Carlos vai 'até o lugar onde o Aller conflui com o Weser', os saxões se submetem e os 'malfeitores' são entregues 'para serem mortos, IIII D'. Landon observa que a versão revisada dos anais traz um relato mais completo do desastre franco no Süntel, que a original descreve como vitória. (Annales regni Francorum (versão original); Landon 2017)

Quantos foram mortos e como

O número vem de uma leitura: o texto traz 'IIII D', que Ribeiro da Silva transcreve como 'cerca de 4.500 saxões' mortos 'em Verden' e Landon como '4.500' (uma vez com 'reportados', outra com 'supostos'). O latim usa 'ad occidendum' (para matar) e não diz decapitação, que é a forma que Landon dá; o nome Verden não aparece na passagem da versão original lida, só a confluência dos rios. A fonte não permite saber se os 4.500 eram combatentes, líderes ou prisioneiros comuns, nem confirmar o número por outra via. Ribeiro da Silva nota ainda que a carta do papa Adriano I que trata dos saxões não menciona o massacre, e que não se sabe se foi Carlos ou o papa quem o omitiu. (Annales regni Francorum (versão original); Landon 2017; Ribeiro da Silva 2025)

O capitulário e o debate sobre a data

A Capitulatio de partibus Saxoniae impõe a obediência ao regime franco e à religião cristã, sob pena de morte. Landon, citando a discussão de Schubert, diz que ela pode ter sido promulgada na assembleia de Lippspringe de 782 e que alguns estudiosos a veem como estopim da revolta que levou ao massacre; quem defende 785 aponta o batismo de Widukind. Também se propuseram 777, 780, 788 e 797, e o texto existe em um único manuscrito do séc. IX, o que pede cautela. Ribeiro da Silva, citando Mordek, dá 782 ou 785. (Landon 2017; Ribeiro da Silva 2025)

Deportações e a crítica de Alcuíno

Landon mostra que as campanhas na Saxônia levaram à deportação de grandes números de pessoas: para 782 os Annales Petaviani dizem que 'muitos saxões foram levados acorrentados à Frância', para 783 os anais revisados falam em 'grande número' levado, e em 794 os Annales Laurissenses minores dizem que Carlos levou 'um terço dos homens' e os assentou na Frância. Quanto à conversão forçada, Alcuíno em 790 comemorava, numa carta a um irlandês, que os saxões antigos e os frísios se convertiam, 'alguns movidos por prêmios, outros por ameaças'; em 796 ele mudou de tom e criticou o dízimo e a obrigação legal por faltas mínimas, no que Landon vê uma crítica à estratégia de coerção. (Landon 2017)

Fontes

  1. Annales regni Francorum (versão original), ano 782; transcrição na Wikisource latina, https://la.wikisource.org/wiki/Annales_regni_Francorum Acessar
  2. Landon, Christopher Thomas (2017). Conquest and Colonization in the Early Middle Ages: The Carolingians and Saxony, c. 751–842. Tese de doutorado, University of Toronto. https://utoronto.scholaris.ca/bitstreams/8c8cfe6a-3669-4d1b-950f-98ce2d837183/download Acessar
  3. Ribeiro da Silva, Thiago Juarez (2025). "A circulação de informações sobre as guerras saxônicas (772-804 e.c.): o exemplo das cartas do papa Adriano I e de Alcuíno". História Revista (Goiânia) 29 (3): 28-46, set./dez. 2024 (aprovado em 18/03/2025). DOI 10.5216/hr.v29i3.81013. Acessar
  4. Einhard, The Life of Charlemagne, trad. Samuel Epes Turner, caps. 7-8 ("Saxon War"); Internet Medieval Sourcebook, Fordham University. https://sourcebooks.fordham.edu/basis/einhard.html Acessar

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