Atlas da História

Execução de al-Hallaj em Bagdá (922): o processo do místico acusado de reivindicar a divindade, segundo Miskawayh

terça-feira, 6 de Dhu al-Qa'da de 309 H. (26 de março de 922, na conversão de Margoliouth) · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 6 de Dhu al-Qa'da de 309 H. (26 de março de 922, na conversão de Margoliouth), Husayn ibn Mansur al-Hallaj foi chicoteado, mutilado e decapitado em Bagdá, por rescrito do califa al-Muqtadir, depois de um processo conduzido pelo vizir Hamid ibn al-'Abbas. Segundo o cronista Miskawayh, funcionário das cortes buídas, o acusavam de se fazer passar por divindade e de ter missionários espalhados pelas províncias; ele negou, dizendo ser um homem que adora a Deus, muçulmano da sunna. Seus adeptos afirmaram depois que quem apanhou foi um inimigo a quem fora dada a sua aparência.

Como o caso chegou ao vizir

Segundo Miskawayh, o vizir Hamid ibn al-'Abbas soube que um homem de dois nomes, Husayn ibn Mansur e Muhammad ibn Ahmad al-Farisi, enganava criados e funcionários ligados ao camareiro Nasr. Hallaj estava alojado no palácio, bem tratado, autorizado a receber visitas e sob a guarda do próprio Nasr, que também fora iludido. Samarri, alguns escribas e um membro da família hachemita foram presos e confessaram ser seus missionários. O juiz Abu 'Umar, o juiz Abu Ja'far ibn al-Bahlul e outros juristas disseram que só aprovariam a execução com prova e admissão do acusado. Um homem de Basra, antigo adepto, e um escriba de Anbar, Abu 'Ali Harun ibn 'Abd al-'Aziz, que escrevera um livro contra os truques de Hallaj, sustentaram a acusação. (Miskawayh)

Papéis apreendidos e missionários nas províncias

Na busca às casas dos adeptos, segundo Miskawayh, foram achados muitos documentos, escritos em papel chinês, alguns em tinta dourada, forrados de cetim ou seda e encadernados em couro de boa qualidade. Havia cartas de agentes enviados às províncias e instruções sobre as doutrinas a propagar, conduzindo cada grupo de um estágio a outro conforme sua inteligência, além de respostas de Hallaj em linguagem enigmática. Entre os nomes de adeptos estavam Ibn Bishr e Shakir, missionários no Khorasan. Ibn Zanji conta que ele e o pai escreveram mais de vinte cartas ordenando que fossem enviados à capital; a maioria ficou sem resposta e, até a data em que escreveu, nenhum fora mandado. (Miskawayh)

A sentença e a execução

Ao ler uma carta de Hallaj que ensinava a quem não pudesse ir a Meca a reservar em casa um recinto limpo, circundá-lo nos dias do hajj e alimentar trinta órfãos, o juiz Abu 'Umar perguntou a fonte; Hallaj citou o Livro da devoção de Hasan al-Basri, e o juiz respondeu que era falso, pois ouvira esse livro em Meca. O vizir mandou registrar por escrito que ele estava fora da lei, e o califa respondeu por rescrito: mil chibatadas, depois amputação das mãos e dos pés, decapitação, cabeça num poste e corpo queimado. O chefe de polícia, Muhammad ibn 'Abd al-Samad, temeu um resgate e o levou à noite. Na terça-feira, diante de uma multidão, Hallaj recebeu as mil chibatadas sem gritar e, pela seiscentésima, pediu para falar, prometendo algo que valeria aos olhos do califa "a tomada de Constantinopla". Cortaram-lhe a mão, o pé e a cabeça, queimaram o tronco e puseram a cabeça na ponte, depois enviada ao Khorasan; os livreiros juraram não comprar nem vender obras suas. (Miskawayh)

Fontes

  1. Miskawayh, The Concluding Portion of the Experiences of the Nations (Tajarib al-umam), vol. I, reinados de Muqtadir, Qahir e Radi; traduzido do árabe por D. S. Margoliouth. Oxford: Basil Blackwell, 1921 (impresso também como vol. IV de H. F. Amedroz e D. S. Margoliouth, The Eclipse of the 'Abbasid Caliphate; domínio público). https://archive.org/download/eclipseofabbasid04unse/eclipseofabbasid04unse_djvu.txt (texto bruto lido em 30/10/2026). Autor descrito na folha de rosto como funcionário das cortes dos sultões buídas. Acessar

Na mesma região