Atlas da História

Homo erectus

c. 2,04 milhões a 108 mil anos atrás (crânio DNH 134 de Drimolen, Herries et al. 2020; Ngandong, em Java, Rizal et al. 2020) · Sudeste Asiático insular, África Austral, Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Espécie de Homo que viveu por quase 2 milhões de anos e se espalhou da África ao Cáucaso e ao sudeste da Ásia. Os fósseis aceitos vão de cerca de 2 milhões de anos, em Drimolen, na África do Sul, a cerca de 110 mil anos, em Ngandong, na ilha de Java.

Trinil, a coleção Dubois e a concha gravada

Trinil, em Java, é a localidade-tipo do H. erectus: ali Eugène Dubois achou os primeiros fósseis da espécie em 1891. Na coleção de Dubois, guardada no museu Naturalis, em Leiden, nos Países Baixos, Joordens et al. (2015) estudaram conchas de água doce da camada principal de ossos do sítio. Encontraram sinais de que hominíneos comiam esses moluscos, uma concha usada como ferramenta e outra com uma gravação geométrica. Sedimentos de dentro das conchas foram datados por argônio-argônio e por luminescência entre 0,54 e 0,43 milhão de anos, idade mais recente do que se estimava para a camada. Os autores atribuem a gravação ao H. erectus e notam que ela é muito anterior às outras gravações geométricas conhecidas; não é possível dizer qual era a sua função ou o seu significado, mas o achado indica que traçar padrões abstratos estava ao alcance desses hominíneos na Ásia. (Joordens et al. 2015)

De Drimolen a Dmanisi: os registros antigos

Na África do Sul, o crânio DNH 134, da pedreira principal de Drimolen, tem entre 2,04 e 1,95 milhões de anos e é, segundo Herries et al. (2020), a ocorrência mais antiga de um crânio com afinidades claras com o H. erectus. No mesmo sítio apareceu o DNH 152, de Paranthropus robustus, e os dois crânios mostram Homo, Paranthropus e Australopithecus vivendo na mesma época, há cerca de 2 milhões de anos; boa parte da equipe era da Universidade de Joanesburgo. Fora da África, Dmanisi, na Geórgia, documenta Homo por volta de 1,8 milhão de anos. Ali, o crânio D4500, com a mandíbula D2600, formou o primeiro crânio adulto completo do início do Pleistoceno: caixa craniana pequena, de 546 cm³, e rosto grande e projetado, parecido com os primeiros Homo africanos (Lordkipanidze et al. 2013). Três autores desse estudo, entre eles David Lordkipanidze, são do Museu Nacional da Geórgia. (Herries et al. 2020; Lordkipanidze et al. 2013)

Uma espécie ou várias: o debate sobre o H. ergaster

A amostra de Dmanisi, com cinco crânios, mostra grande variação morfológica dentro de um mesmo grupo e entre grupos de Homo antigo. Lordkipanidze et al. (2013) concluem que essa variação cabe numa única linhagem em evolução, com continuidade geográfica entre continentes, o que pesa contra dividir os fósseis antigos em muitas espécies. A divisão mais discutida separa o H. ergaster do H. erectus. Zanolli et al. (2026) registram que os dois estão entre as espécies mais antigas amplamente aceitas no clado do H. sapiens, que alguns autores os tratam como sinônimos e que dados de proteínas antigas sugerem que o H. erectus possivelmente contribuiu para a herança genética de Homo posteriores. Por isso, propõem usá-los como âncora para julgar fósseis mais antigos: para entrar no gênero Homo, um fóssil deve mostrar ao menos alguns traços derivados compartilhados com eles ou com Homo posteriores. (Lordkipanidze et al. 2013; Zanolli et al. 2026)

Ngandong e o fim da espécie em Java

O H. erectus foi a primeira espécie de hominíneo do sudeste asiático insular e chegou a Java há mais de 1,5 milhão de anos. Entre 1931 e 1933, foram escavados em Ngandong, no centro de Java, doze calotas cranianas e duas tíbias, num leito de ossos a cerca de 20 m acima do rio Solo. A relação entre os fósseis, o terraço e as idades foi muito discutida até que Rizal et al. (2020) combinaram 52 datações por vários métodos, nas escalas da região, do vale e do sítio, e reescavaram o local. O modelo situa o leito de ossos, acumulado durante uma cheia, entre 117 mil e 108 mil anos atrás, o que descarta idades extremas propostas antes e faz de Ngandong o último registro conhecido da espécie. O estudo foi liderado por Yan Rizal, do Instituto de Tecnologia de Bandung, e incluiu outros pesquisadores indonésios dessa instituição e da Agência Geológica do país. (Rizal et al. 2020)

Fontes

  1. Herries, A. I. R.; Martin, J. M.; Leece, A. B.; Adams, J. W. et al. (2020). "Contemporaneity of Australopithecus, Paranthropus, and early Homo erectus in South Africa". Science 368. DOI 10.1126/science.aaw7293. Acessar
  2. Rizal, Y.; Westaway, K. E.; Zaim, Y.; van den Bergh, G. D. et al. (2020). "Last appearance of Homo erectus at Ngandong, Java, 117,000–108,000 years ago". Nature 577: 381–385. DOI 10.1038/s41586-019-1863-2. Acessar
  3. Lordkipanidze, D.; Ponce de León, M. S.; Margvelashvili, A.; Rak, Y. et al. (2013). "A Complete Skull from Dmanisi, Georgia, and the Evolutionary Biology of Early Homo". Science 342: 326–331. DOI 10.1126/science.1238484. Acessar
  4. Joordens, J. C. A.; d'Errico, F.; Wesselingh, F. P.; Munro, S. et al. (2015). "Homo erectus at Trinil on Java used shells for tool production and engraving". Nature 518: 228–231. DOI 10.1038/nature13962. Acessar
  5. Zanolli, C.; Alba, D. M.; Caley, T.; Cazenave, M. et al. (2026). "The Early Homo Conundrum: Challenges and Potential Solutions". Evolutionary Anthropology 35. DOI 10.1002/evan.70043. Acessar

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