Liang Bua: a caverna do Homo floresiensis
c. 190 a 50 mil anos atrás (ferramentas de pedra atribuíveis à espécie; ossos de 100 a 60 mil anos: Sutikna et al. 2016) · Sudeste Asiático insular
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Caverna calcária na ilha de Flores, na Indonésia, localidade-tipo do Homo floresiensis, hominíneo de corpo e cérebro pequenos. A revisão da estratigrafia de 2016 situa os ossos entre cerca de 100 e 60 mil anos e as ferramentas atribuídas à espécie até cerca de 50 mil. Para alguns pesquisadores, o esqueleto principal seria de humano moderno com alterações de crescimento.
O achado de 2004 e a nova espécie
Em 2004, Brown e colegas, com pesquisadores indonésios e australianos, descreveram um adulto com cerca de 1 m de estatura e volume endocraniano de aproximadamente 380 cm³, igual ao dos menores australopitecos conhecidos. A combinação de traços ancestrais e derivados levou à criação de Homo floresiensis. A explicação que propõem é o isolamento prolongado de uma população de H. erectus em Flores, com redução de tamanho em ilha. Para eles, o gênero Homo seria mais variável do que se pensava. (Brown et al. 2004)
Uma segunda leitura: humano moderno com anomalias
Jacob e colegas, num artigo de 2006, examinaram LB1 e afirmam que 140 traços cranianos o colocam dentro da variação de humanos modernos, com semelhança a populações australomelanésias. Dentes e mandíbulas de LB1 e de LB6/1 não divergem de forma substancial de Homo sapiens, ou compartilham traços com o povo de Rampasasa, que vive perto da caverna (os autores usam o termo de época "pigmeus"). Propõem que LB1 viria de uma antiga população de baixa estatura de H. sapiens e teria microcefalia. Essa hipótese foi proposta em 2006 como alternativa à de uma espécie nova. (Jacob et al. 2006)
Nova cronologia: de 100 a 60 mil anos
Os depósitos com H. floresiensis foram datados antes entre cerca de 95 e 12 mil anos, o que sugeria sobrevivência muito depois da chegada de humanos modernos à Austrália. Em 2016, Sutikna e colegas, entre eles arqueólogos do Centro Nacional de Pesquisa Arqueológica da Indonésia, mostraram que a idade antes atribuída a LB1 (cerca de 18 mil anos) não se sustenta. Os restos esqueléticos e os depósitos em que estão datam de cerca de 100 a 60 mil anos, e as ferramentas de pedra atribuíveis à espécie vão de cerca de 190 a 50 mil anos. (Sutikna et al. 2016)
Fauna, ferramentas e a chegada de Homo sapiens
Em 2018, Sutikna e colegas examinaram fauna e ferramentas ao longo de cerca de 190 mil anos de sedimentos. Concluem que H. floresiensis, o elefante anão Stegodon florensis insularis e as grandes aves marabu e abutre provavelmente estavam extintos por volta de 50 mil anos atrás. Uma mudança brusca para o uso de sílex por volta de 46 mil anos cal. AP poderia indicar a chegada de humanos modernos, se esse padrão caracterizar os conjuntos de H. sapiens, condição que os autores atribuem a estudos anteriores. Se H. floresiensis sobreviveu depois de 50 mil anos e encontrou humanos modernos ou denisovanos continua em aberto. (Sutikna et al. 2018; Sutikna et al. 2016)
Fontes
- Brown, P.; Sutikna, T.; Morwood, M. J.; Soejono, R. P. et al. (2004). "A new small-bodied hominin from the Late Pleistocene of Flores, Indonesia". Nature 431: 1055–1061. DOI 10.1038/nature02999. Acessar
- Sutikna, T.; Tocheri, M. W.; Morwood, M. J.; Saptomo, E. W. et al. (2016). "Revised stratigraphy and chronology for Homo floresiensis at Liang Bua in Indonesia". Nature 532: 366–369. DOI 10.1038/nature17179. Acessar
- Jacob, T.; Indriati, E.; Soejono, R. P.; Hsü, K. et al. (2006). "Pygmoid Australomelanesian Homo sapiens skeletal remains from Liang Bua, Flores: population affinities and pathological abnormalities". Proceedings of the National Academy of Sciences 103: 13421–13426. DOI 10.1073/pnas.0605563103. Acessar
- Sutikna, T.; Tocheri, M. W.; Faith, J. T.; Jatmiko et al. (2018). "The spatio-temporal distribution of archaeological and faunal finds at Liang Bua (Flores, Indonesia) in light of the revised chronology for Homo floresiensis". Journal of Human Evolution 124: 52–74. DOI 10.1016/j.jhevol.2018.07.001. Acessar
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