Atlas da História

Plantas, nozes tóxicas e fogo nas florestas tropicais de Queensland (Wet Tropics)

primeiro uso claro da mata por volta de 8.000 anos cal. AP (c. 6050 a.C.); plantas da floresta em sítios por volta de 5.000 anos atrás (c. 3050 a.C.); vestígios mais densos de 2.500–1.500 cal. AP até a invasão europeia (c. 1860), segundo Roberts et al. (2021) · Austrália / Sahul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Nas florestas tropicais úmidas do nordeste de Queensland (Wet Tropics), há vestígios de uso da mata desde cerca de 8.000 anos atrás, e plantas da floresta aparecem em sítios como Urumbal Pocket por volta de 5.000 anos atrás. Segundo Roberts e colegas (2021), ler essas florestas só como paisagem natural ignora o manejo com fogo, o processamento de nozes tóxicas e o possível plantio de árvores úteis, saberes que os povos aborígenes da floresta documentam e defendem. Os vestígios mais densos, porém, são de depois de 2.500 anos atrás.

Ocupação tardia ou difícil de ver

Segundo Roberts e colegas (2021), os picos de queima de biomassa de cerca de 45.000 anos atrás nas Atherton Tablelands são só uma sugestão de presença humana, sem vestígios arqueológicos da época. Há sítios de cerca de 35.000 anos a menos de 100 km da região e o abrigo de Murubun, na borda oeste das Tablelands, tem c. 31.000 anos. Dentro das Wet Tropics, o primeiro uso claro da mata ou de recursos da floresta de eucaliptos é de c. 8.000 cal. AP, em Urumbal Pocket, e a presença segue esporádica até 2.500–1.500 cal. AP, quando o descarte de artefatos aumenta. Os autores lembram que as lascas de pedra são difíceis de achar na mata densa e que a maior evidência de ocupação mais antiga vem da história oral. (Roberts et al. 2021)

Plantas e nozes tóxicas

Estudos de plantas em sítios como Urumbal Pocket, Goddard Creek, o abrigo de Murubun e a caverna de Jiyer mostram uso de plantas da floresta por volta de 5.000 anos atrás. Os caroços da noz-amarela (Beilschmiedia bancroftii) são muito frequentes depois de 2.000 anos atrás; a noz é tóxica e, segundo relatos etnográficos, exige lixiviação e processamento, muitas vezes com cestaria especializada. Resíduos de amido em pedras de moer com incisões sugerem que serviam para moer as nozes já desintoxicadas em pasta. Outras plantas registradas na dieta incluem feijão-preto, noz-preta, pinheiro-preto, cicas e inhame-redondo. Segundo o artigo, o uso especializado de plantas ricas em amido e proteína teria permitido a ocupação permanente da floresta, ao contrário da suposta escassez de recursos. (Roberts et al. 2021)

Fogo e clareiras

A frequência de eventos de fogo, estimada por carvão em sedimentos dos lagos Euramoo e Quincan, sobe a partir de 4.000 anos atrás e chega ao máximo por volta de 2.000 anos atrás, depois de uma expansão forte da floresta úmida entre 8.500 e 5.000 anos atrás. Segundo o artigo, isso coincide com o aumento da visibilidade dos sítios e com o uso especializado de recursos da floresta. Relatos de Anciãos descrevem queimadas frequentes e de baixa intensidade para manter clareiras de acampamento, de cerimônia e de passagem entre grupos de recursos, e métodos como pôr brasas ao pé de cipós-advogado para abrir trilhas. Pesquisas citadas por eles ligam a expansão recente da floresta sobre as clareiras à supressão do fogo nos últimos cem anos, embora o clima também possa contribuir. (Roberts et al. 2021)

Um saber que continua

O artigo registra que os povos da floresta documentam seus conhecimentos há décadas e fazem campanha para que a região conste do Patrimônio Mundial também como paisagem cultural; a listagem nacional de 2012 reconhece que viveram ali de forma contínua por pelo menos 5.000 anos. Hoje, no Parque Nacional Daintree, os Kuku Yalanji Bama aplicam queimadas culturais, e os Djabugay Bulmba Rangers mantêm um programa anual de manejo com fogo guiado por sinais sazonais da vegetação; segundo o artigo, a volta da queima fez os Djabugay reencontrar sentidos de canções e frases que estavam perdidos e reanimou o uso da língua. Proprietários Tradicionais descrevem a mata sem manejo como "doente" ou "suja". (Roberts et al. 2021)

Fontes

  1. Roberts, Patrick; Buhrich, Alice; Caetano-Andrade, Victor; Cosgrove, Richard; Fairbairn, Andrew; Florin, S. Anna; Vanwezer, Nils; Boivin, Nicole; Hunter, Barry; Mosquito, Desley; Turpin, Gerry; Ferrier, Åsa (2021). "Reimagining the relationship between Gondwanan forests and Aboriginal land management in Australia’s “Wet Tropics”". iScience 24(3): 102190. DOI 10.1016/j.isci.2021.102190. Texto completo em PubMed Central (PMC7921842), lido em 29/10/2026. Acessar

Na mesma região