Nível do mar alto do Holoceno médio na Austrália: a data de Bulli Beach revista
início do nível alto em 6.880±50 cal AP (c. 4930 a.C.), pelo modelo bayesiano de Dougherty e colegas 2019; a data da queda do nível não consta no trecho lido. Datas calibradas · Austrália / Sahul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em Bulli Beach, no sudeste da Austrália, Dougherty e colegas (2019) datam o início do nível alto do mar do Holoceno médio em 6.880±50 anos cal AP, cerca de mil anos depois do que se publicava para o sítio, com o mar a +1,19 m do nível médio atual. Segundo os autores, as demais reconstruções da costa leste, do golfo de Carpentária à Tasmânia, combinam com um nível alto sincrônico logo depois de 7.000 cal AP. Eles notam que esse nível teria modificado ou apagado sítios costeiros anteriores, o que exige cuidado com o viés de preservação.
O que se revisou em Bulli Beach
Bulli Beach, cerca de 80 km ao sul de Sydney, tinha as evidências mais antigas do nível alto no hemisfério sul, mas a literatura criticava o tratamento e o tipo do material datado. Dougherty e colegas refizeram o estudo morfo e cronoestratigráfico do sítio e concluíram que madeira e carvão deram idades anomalamente antigas, qualquer que fosse o pré-tratamento, provavelmente por idade herdada. Usaram então macrofósseis vegetais terrestres de vida curta e um modelo bayesiano. O resultado mostra o mar subindo do nível atual, em 7.500 cal AP, para +1,19 m, em 6.900 cal AP, e fixa o início do nível alto em 6.880±50 cal AP, cerca de mil anos depois do que se dizia para esses depósitos. (Dougherty et al. 2019)
Outras datas e um nível alto de toda a costa leste
Os autores comparam o resultado com registros da região de Sydney. Um tronco de mangue em Kurnell, com 7.070±140 cal AP, é interpretado como parte da subida e não como estabilização do mar. Uma concha de ostra em Minnamurra, com 6.380±150 cal AP, a +1 m, concorda com o novo quadro. Para eles, as idades antigas de Bulli vêm de material retrabalhado, e o conjunto sugere um nível relativo igualando ou superando o atual de forma sincrônica do golfo de Carpentária à Tasmânia, com início de um nível alto em toda a Austrália pouco depois de 7.000 cal AP. A data coincide, dizem, com grande perda de gelo no hemisfério norte e na Antártida. (Dougherty et al. 2019)
Efeitos sobre os povos e sobre o registro arqueológico
O artigo lembra que, entre cerca de 15 e 8 mil anos cal AP, o continente perdeu uns 2 milhões de km² (cerca de 20% de sua área) para o mar, com recuo máximo da costa de uns 23,7 m por ano, o que teria rompido recursos costeiros e reduzido o espaço de deslocamento. Depois, o nível alto modificou ou fez perder sítios costeiros formados entre o último máximo glacial e cerca de 6.900 cal AP. Por isso os autores recomendam que quem estuda esse período considere o viés tafonômico (a perda desigual de vestígios ao longo do tempo) nas interpretações. Também afirmam que a data do fim do nível alto, na parte final do Holoceno, ainda precisa de trabalho. (Dougherty et al. 2019)
Fontes
- Dougherty, Amy J.; Thomas, Zoë A.; Fogwill, Christopher; Hogg, Alan; Palmer, Jonathan; Rainsley, Eleanor; Williams, Alan N.; Ulm, Sean; Rogers, Kerrylee; Jones, Brian G.; Turney, Chris (2019). "Redating the earliest evidence of the mid-Holocene relative sea-level highstand in Australia and implications for global sea-level rise". PLOS ONE 14(7): e0218430, 17 jul. 2019. DOI 10.1371/journal.pone.0218430. PDF em https://researchonline.jcu.edu.au/58953/. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
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