Pontas, lâminas com dorso e tulas: as "pequenas ferramentas" de pedra da Austrália
c. 7.000 a 4.000 anos AP, em anos de radiocarbono (Hiscock 1994, que não informa calibração); conversão aproximada por 1950 − AP · Austrália / Sahul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Pontas de pedra, lâminas com dorso retocado (entre elas as pontas de Bondi) e tulas, lascas retocadas que, segundo se infere, serviam de enxós para madeira dura, tornam-se comuns na Austrália continental no Holoceno médio, entre cerca de 7.000 e 4.000 anos AP segundo Hiscock (1994). O conjunto ficou conhecido como "Tradição de Pequenas Ferramentas", nome que Hiscock atribui a Richard Gould (1969), mas ele mostra que os três tipos têm distribuição e idade diferentes e propõe que, encabados, eram ferramentas portáteis e confiáveis para grupos que ocupavam terras pouco conhecidas. Lamb (2005) data peças com dorso desde o começo do Holoceno nas ilhas Whitsunday, em Queensland.
Três tipos de peça
Hiscock (1994) destaca três tipos. As pontas podem ser unifaciais ou bifaciais; as bifaciais ficam no norte, onde muitas são pontas unifaciais muito retrabalhadas, e as do noroeste (Kimberley) têm retoque por pressão e serrilha, enquanto no sul e no leste só há unifaciais. As lâminas com dorso têm retoque abrupto, quase a 90°, muitas vezes feito por percussão bipolar sobre bigorna; as assimétricas, chamadas pontas de Bondi, são comuns na margem leste, e no centro e no oeste só aparecem formas simétricas (crescentes, triângulos, trapézios). As tulas são lascas de bulbo marcado com retoque semicircular na ponta; com o reafiamento encurtam até virar um toco que já não pode ser encabado, e aparecem em grande número no interior seco. (Hiscock 1994)
A data de 4.000 anos em questão
Até o fim dos anos 1970 julgava-se que pontas e lâminas com dorso surgiam com precisão pouco antes de 4.000 anos AP (Johnson, Morwood, Bowdler). Hiscock lembra que isso já não se sustenta: uma ponta de Nauwalabila 1, na Terra de Arnhem, estava num nível associado a 5.860 ± 90 anos AP, e há lâminas com dorso em camadas com mais de 6.000 anos em sítios da costa leste. Como o movimento vertical de material em depósitos arenosos impede datar cada peça com precisão, ele só aceita dizer que os tipos são do Holoceno inicial ou médio e estão difundidos por volta de 4.000 AP. Duvida também que o dingo e as técnicas de tirar toxinas de plantas, citados por Beaton e Bowdler como parte do mesmo pacote, tenham chegado juntos: para ele a evidência de que formam um conjunto é pouca. (Hiscock 1994)
O modelo de risco de Hiscock
Hiscock propõe que peças padronizadas, portáteis e de uso múltiplo, presas a cabos, eram uma resposta técnica a riscos do Holoceno médio. Um cenário é a ocupação de paisagens pouco usadas: os desertos arenosos, onde a presença humana só aparece por volta de 5.000 AP segundo Veth, o mallee semiárido de Victoria, as terras altas do leste (na Nova Inglaterra, só nos últimos 5.000 anos) e ilhas visitadas entre 5.000 e 2.000 AP. O outro é a mudança ambiental, em especial o fim da subida do mar, que fez a Sahul perder cerca de dois milhões de km2. Ele observa ainda que a expansão das línguas pama-nyungas, segundo McConvell, tem distribuição quase idêntica à das lâminas com dorso, e que resina nas bordas de algumas peças sugere que eram presas em cabos como farpas de lança ou lâminas de faca. (Hiscock 1994)
Depois do Holoceno médio
Segundo o artigo, as pontas unifaciais do sul somem do registro por volta de 2.000 a 4.000 anos AP, conforme a passagem, mas as pontas bifaciais e as tulas do norte ainda eram feitas no período histórico, e lâminas com dorso aparecem em depósitos dos últimos 1.000 anos em várias regiões. Hiscock atribui a queda dessas peças a uma mobilidade menor e à economia de matéria-prima de grupos mais fixos, e nota que a explosão no número de sítios e artefatos só vem por volta de 2.000 a 3.000 anos atrás, segundo Attenbrow (1987). Lembra ainda que machados de gume polido, conhecidos no norte há mais de 20.000 anos, só se tornam visíveis nas áreas temperadas e áridas desde o Holoceno médio. (Hiscock 1994)
Fontes
- Hiscock, Peter (1994). "Technological responses to risk in Holocene Australia". Journal of World Prehistory 8(3): 267–292. Texto lido: reedição do autor, ANU Open Research, https://openresearch-repository.anu.edu.au/server/api/core/bitstreams/112d2f04-7ccc-47fb-b789-1103ffd1a7e8/content (consultado em out. 2026). Acessar
- Lamb, Lara D. (2005). "Rock of Ages: Use of the South Molle Island Quarry, Whitsunday Islands, and the Implications for Holocene Technological Change in Australia". Tese de doutorado, Australian National University, Canberra. DOI 10.25911/5d7635b8c32d5. https://openresearch-repository.anu.edu.au/handle/1885/10886 (consultado em out. 2026). Acessar
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