Muralha de Adriano
c. 122 d.C. (UNESCO) · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Muralha de pedra construída por ordem do imperador Adriano por volta de 122 d.C., da foz do rio Tyne ao Solway Firth, no limite norte da província romana da Britânia. Segundo a UNESCO, impôs um sistema de fronteira às sociedades locais e controlava, sem impedir, a circulação de pessoas.
Por que uma barreira artificial
Breeze e Dobson (1973) partem da situação anterior: as tropas mais próximas da fronteira ficavam em fortes ao longo da Stanegate, estrada de Carlisle a Corbridge, a metade da distância normal de um dia de marcha, com fortins entre eles que talvez controlassem a circulação. Esse arranjo servia para reunir forças contra grandes ataques ou para ofensivas, mas não para conter incursões de pequenos grupos nem controlar o movimento de pessoas. Adriano optou então por uma barreira artificial, que só podia ser atravessada em pontos controlados; segundo os autores, isso dava segurança à província e permitia o desenvolvimento econômico até a fronteira. O biógrafo romano de Adriano diz que o muro devia separar os romanos dos povos de fora. (Breeze e Dobson 1973)
Pedra a leste, turfa a oeste
No plano original, o muro teria 10 pés romanos de largura e talvez 15 de altura até o passadiço nas 45 milhas do leste, e seria de turfa, com 20 pés na base e provavelmente 14 de altura, nas 31 milhas do oeste, com um fosso à frente. Fortins a cada milha (milecastles) e torres entre eles seriam guarnecidos por unidades auxiliares dos fortes da Stanegate; não há sinal de uma força separada. Diante de uma invasão, essas tropas sairiam pelos portões dos milecastles para lutar em campo aberto. Ainda durante a construção, os fortes foram transferidos para a própria linha do muro, a cerca de sete milhas um do outro, o que exigiu demolir milecastles, torres e trechos prontos; para Breeze e Dobson (1973), o objetivo era dar passagem livre a forças maiores rumo ao norte. (Breeze e Dobson 1973)
O Vallum e as passagens reduzidas a 14
Atrás do muro abriu-se o Vallum, que criou uma zona militar entre os dois e reduziu os pontos de passagem de cerca de 78 para 14. Breeze e Dobson (1973) notam que isso poderia sugerir oposição local à obra, mas não há outra evidência nesse sentido. O muro foi estendido até Wallsend, e um forte foi erguido em South Shields, na foz do Tyne; três fortes avançados, Bewcastle, Netherby e Birrens, protegiam os acessos ocidentais e provavelmente a parte dos brigantes que ficou ao norte do muro. Só três unidades eram inteiramente de cavalaria; dos dezesseis fortes restantes, seis tinham só infantaria, dois deles na costa de Cumberland, e os demais abrigavam unidades mistas. (Breeze e Dobson 1973)
A Muralha de Antonino e o recuo
No início dos anos 140, a fronteira avançou para a Escócia com a Muralha de Antonino, de cerca de 60 km entre o Forth e o Clyde, usada, segundo a UNESCO, por uma geração. Breeze e Dobson (1973) descrevem um muro de turfa sobre base de pedra, com fosso maior que o de Adriano (em média 40 pés de largura por 12 de profundidade, contra 27 por 9), plataformas de sinalização desconhecidas na linha anterior e fortes planejados desde o início como parte do conjunto. Para os autores, nenhuma das duas soluções teve pleno sucesso: o muro de Adriano ficava ao sul demais, longe dos focos de conflito, e o de Antonino ao norte demais, o que esticava os recursos do exército da Britânia. (Breeze e Dobson 1973; UNESCO, lista nº 430)
Patrulhas até os Cheviots e o lugar no limes
A resposta, segundo Breeze e Dobson (1973), foi uma fronteira na linha dos montes Cheviots. No início do séc. III, Caracalla ocupou Netherby e Bewcastle a oeste e Risingham e High Rochester a leste, bases de unidades mistas de mil homens e de exploradores que faziam patrulhas de longo alcance; isso garantiu condições estáveis até o séc. IV, e só depois das crises dos anos 360 o muro voltou a ser a linha de frente. A UNESCO insere o muro nas Fronteiras do Império Romano, um conjunto de mais de 5.000 km, e dá para ele 118 km na descrição curta e 130 km na justificativa, além de 36 km de instalações na costa do Solway. (Breeze e Dobson 1973; UNESCO, lista nº 430)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Frontiers of the Roman Empire", lista nº 430. https://whc.unesco.org/en/list/430/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Breeze, D. J.; Dobson, B. (1973). "The development of the mural frontier in Britain from Hadrian to Caracalla". Proceedings of the Society of Antiquaries of Scotland 102: 109–121. DOI 10.9750/psas.102.109.121. Acessar
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