Guerra das Gálias (58–51 a.C.): os números de mortos e escravizados em César, Plutarco e Plínio
58 a 51 a.C. (datas do Wikidata; o fim é dado por vezes como 50 a.C.) · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Os antigos que contaram a conquista da Gália deram números muito diferentes. Plutarco diz que César lutou contra 3 milhões de homens, matou 1 milhão e fez outro tanto de prisioneiros, e Plínio, o Velho, soma 1.192.000 mortos em batalhas, sem contar as guerras civis, e chama isso de "ultraje contra a humanidade". César não dá total: registra números isolados, como 368 mil helvécios e aliados que saíram de casa e 110 mil que voltaram, 430 mil usípetes e tenctéros, 53 mil pessoas do povo aduatuco vendidas e o senado dos vénetos executado, com o resto vendido como escravizados. Os totais de Plutarco e de Plínio são os únicos que aparecem como faixa, de cerca de 1 milhão de mortos; nenhuma fonte moderna foi lida.
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Povos e números em César
Os números de César ficam em episódios soltos. Os helvécios e aliados teriam saído de casa em 368 mil pessoas, segundo uma lista achada no acampamento deles; ao terminar a guerra, o censo dos que voltaram deu 110 mil. Depois da batalha contra os usípetes e tenctéros, que César dá como 430 mil, as mulheres e crianças, que haviam cruzado o Reno com as famílias, fugiram em todas as direções e a cavalaria romana as perseguiu; os sobreviventes, desesperados, se jogaram no rio. César diz que os soldados romanos voltaram ao acampamento sãos e salvos, com pouquíssimos feridos. Entre os aduatucos, depois de cerca de 4 mil mortos num ataque, César mandou vender todo o espólio da cidade, e os compradores lhe informaram que eram 53 mil pessoas. (Caesar)
Escravização como política
Depois da batalha naval contra os vénetos, que César diz ter reunido toda a sua juventude e a sua frota num só lugar, a cidade se rendeu com tudo o que tinha. César resolveu castigá-los com mais dureza, para que o direito dos embaixadores fosse mais respeitado por "bárbaros" no futuro: mandou executar todo o senado e vendeu os demais como escravizados. Em Alésia, em 52 a.C., distribuiu um prisioneiro a cada soldado do exército como butim, mas devolveu cerca de 20 mil cativos a eduos e arvernos, na tentativa de recuperar esses povos. A escravização aparece nos textos de César como instrumento de punição e de recompensa, sem que ele dê o total de pessoas escravizadas. (Caesar)
Um milhão em Plutarco, 1.192.000 em Plínio
Plutarco condensa a campanha em quatro números: mais de 800 cidades tomadas, 300 povos submetidos, batalhas contra 3 milhões de homens, 1 milhão mortos e outro tanto capturados. Plínio, em outro contexto, o capítulo sobre o vigor de espírito de César, escreve que ele travou até cinquenta batalhas campais, mais do que qualquer comandante exceto Marcelo, e que além das vitórias nas guerras civis matou 1.192.000 homens em batalha. Plínio acrescenta uma restrição que muda o sentido: esse número é um ultraje contra a humanidade, e César mesmo reconhece isso ao não declarar o número de mortos nas guerras civis. Nenhum dos dois autores diz de onde tirou os números nem se incluem civis, mulheres e crianças. (Plutarch; Pliny the Elder)
Fontes
- Caesar, C. Iulius, De Bello Gallico, livros I-IV e VII. Tradução inglesa de W. A. McDevitte, em "De Bello Gallico" and Other Commentaries, Project Gutenberg eBook #10657. https://www.gutenberg.org/ebooks/10657 (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Plutarch, Life of Caesar, cap. 15. Tradução inglesa de Bernadotte Perrin, Plutarch's Lives vol. 7 (Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: Heinemann, 1919), Perseus Digital Library. https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Plut.+Caes.+15 (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Pliny the Elder, Natural History, livro VII, cap. 25 (7.91-92). Tradução inglesa de John Bostock e H. T. Riley (Londres: Bohn, 1855), Perseus Digital Library. https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus:text:1999.02.0137:book=7:chapter=25 (acesso em 30/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Cerco de Alésia (52 a.C.): Vercingetórix cercado, o exército de socorro e as linhas de César 52 a.C., verão ou outono (os meses vêm do Wikidata: julho a setembro; o texto de César lido não data o cerco)
- Armínio (Arminius), príncipe dos queruscos, oficial auxiliar de Roma e chefe da resistência na Germânia, c. 16 a.C.–21 d.C. nasceu em 17 ou 16 a.C.; morreu em 21 d.C., morto por parentes, aos 37 anos segundo a Enciclopédia Italiana
- Travessia dos Alpes por Aníbal (218 a.C.): os guias gauleses, o ataque dos alóbroges e a rota em debate, segundo Políbio 218 a.C.: a margem de Shuckburgh anota 'B.C. 218' na partida de Aníbal dos quartéis de inverno e '9th November' no topo da passagem; Políbio diz que a marcha toda levou cinco meses e a passagem dos Alpes quinze dias
- Muralha de Adriano c. 122 d.C. (UNESCO)
- Illerup Ådal (c. 205): o arsenal de um exército depositado num lago da Jutlândia e as espadas de lâmina soldada em padrão depósito principal em 205 d.C., segundo Bobou et al. (2025), datado por dendrocronologia e por moedas; há outros episódios de depósito no mesmo lago ao longo da Idade do Ferro
- Altar da Vitória de Augsburgo (260): a batalha contra os iutungos e a Récia sob Póstumo 24 e 25 de abril de 260 (batalha) e 11 de setembro de 260 (dedicação do altar), segundo Witschel