Atlas da História

Cerco de Alésia (52 a.C.): Vercingetórix cercado, o exército de socorro e as linhas de César

52 a.C., verão ou outono (os meses vêm do Wikidata: julho a setembro; o texto de César lido não data o cerco) · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 52 a.C., depois de vencer a cavalaria gaulesa, César cercou na cidade dos mandúbios, Alésia, Vercingetórix e, segundo o próprio César, cerca de 80 mil homens escolhidos; fechou a cidade com uma linha interna de 11 milhas e uma externa de 14 e derrotou o exército de socorro que ele calcula em cerca de 8 mil cavaleiros e 240 mil soldados de infantaria. Os mandúbios, expulsos da cidade com mulheres e filhos, pediram aos romanos que os aceitassem como escravizados em troca de comida e foram recusados; após a rendição, cada soldado romano recebeu um prisioneiro como butim e cerca de 20 mil cativos foram devolvidos a eduos e arvernos. A fonte lida não traz o total de mortos do cerco: só cerca de 3 mil gauleses mortos na retaguarda antes dele e "grande matança" no ataque final.

Leia sobre isto

As duas linhas de César

César descreve Alésia como uma cidade no alto de uma colina, tão elevada que só um cerco regular a tomaria, com dois rios nos pés da colina e uma planície de cerca de três milhas à frente. Os gauleses já haviam fechado o sopé com um fosso e um muro de pedra de seis pés. Os romanos começaram uma linha de circunvalação de onze milhas, com redutos e sentinelas. Depois de saber por desertores e prisioneiros do que se passava, César abriu um fosso de vinte pés de profundidade, com paredes verticais, e afastou o restante das obras 400 pés dele. Mais tarde cercou uma área de catorze milhas com fortificações iguais voltadas para fora, para se proteger de um inimigo externo, e mandou todos reunirem forragem e trigo para trinta dias. (Caesar)

Dentro da cidade: cavalaria, trigo e expulsão

Segundo César, Vercingetórix mandou a cavalaria sair de noite, na segunda vigília, pelo lado em que as obras ainda não estavam fechadas, com o pedido de que cada um convocasse em seu povo todos os que podiam portar armas. Ele afirmava ter trigo para cerca de trinta dias, ordenou a pena de morte aos que desobedecessem e distribuiu entre os homens o gado trazido pelos mandúbios. Quando o dia esperado para o socorro passou e o trigo acabou, houve uma assembleia: uns propunham render-se, outros sair para o combate, e Critognato propôs o caminho mais duro. Decidiu-se mandar para fora quem não servia para a guerra; os mandúbios, que haviam recebido os demais na cidade, saíram com mulheres e filhos. Chegando às linhas romanas, choravam e pediam para ser aceitos como escravizados em troca de comida, mas César pôs guardas no muro e proibiu que entrassem. (Caesar)

O exército de socorro e o fim do cerco

Os gauleses reunidos em conselho decidiram não convocar todos os que podiam combater, como queria Vercingetórix, mas fixar um contingente por povo, para não perder o controle nem o abastecimento. César dá os números por povo, de 35 mil pedidos aos eduos e seus dependentes a 3 mil pedidos a alguns povos menores, e conta que reuniram cerca de 8 mil cavaleiros e 240 mil soldados de infantaria, sob o comando de Comio, o atrebate, Viridomaro e Eporedórix, eduos, e Vergasilauno, arverno. Depois de dias de combate, a cavalaria romana apareceu na retaguarda, houve "grande matança", 74 estandartes foram levados a César e Vergasilauno foi capturado. No dia seguinte Vercingetórix se ofereceu ao conselho, as armas foram entregues e os chefes foram levados a César; ele reservou eduos e arvernos e distribuiu os outros cativos, um por soldado, como butim. Depois, devolveu cerca de 20 mil aos eduos e arvernos. (Caesar)

O que o solo e os objetos dizem

A nota de Carcopino de 1966 diz que o fosso achado nos Laumes, perto da escola da cidade, onde já aparecera em 1956 um trecho da circunvalação, tem forma e dimensões que correspondem à descrição de César: fossos paralelos de mesma profundidade (1,55 m), a um metro de distância, com largura próxima da média de 15 pés dada pelo texto. O texto lembra que a descrição é a do livro VII do De Bello Gallico. Duval, sobre as escavações de Napoleão III em torno do monte Auxois, escreve que armas e moedas dominam o material e que, antes da descoberta de grandes santuários de armas como o de Gournay-sur-Aronde, as armas de Alésia eram o conjunto mais importante já achado num sítio da época celta, com exceção das espadas. (Carcopino 1966; Duval 1987)

Fontes

  1. Caesar, C. Iulius, De Bello Gallico, livro VII, caps. 68-90 (Alésia). Tradução inglesa de W. A. McDevitte, em "De Bello Gallico" and Other Commentaries, Project Gutenberg eBook #10657, introdução de Thomas De Quincey. https://www.gutenberg.org/ebooks/10657 (acesso em 30/10/2026). Acessar
  2. Carcopino, Jérôme (1966). "Note de M. Le Gall à propos de la découverte aux Laumes d'une section de la circonvallation de Jules César (Fouilles d'Alésia)". Comptes rendus des séances de l'Académie des Inscriptions et Belles-Lettres 110(1): 36-37. DOI 10.3406/crai.1966.11932. https://www.persee.fr/doc/crai_0065-0536_1966_num_110_1_11932 Acessar
  3. Duval, Alain (1987). "Les armes d'Alesia au musée des Antiquités nationales". Revue historique des Armées 167: 56-62. DOI 10.3406/rharm.1987.6594. https://www.persee.fr/doc/rharm_0035-3299_1987_num_167_2_6594 (lido só o parágrafo de abertura que a página da Persée exibe). Acessar

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