Atlas da História

Nizamiyya de Bagdá (1065-1067): a madraça de Nizam al-Mulk como projeto político e doutrinário

obra iniciada em Dhu l-Hijja de 457 (novembro de 1065) e aberta em 10 de Dhu l-Qa'da de 459 (22 de setembro de 1067), segundo Özaydın · Mesopotâmia e Levante

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Entre novembro de 1065 e 22 de setembro de 1067, o vizir seljúcida Nizam al-Mulk mandou construir em Bagdá, na margem leste do Tigre, a madraça Nizamiyya, modelo das escolas que levaram seu nome em várias cidades do império. Segundo o verbete de Abdülkerim Özaydın, essas madraças nasceram para fortalecer o islã sunita e formar funcionários diante da propaganda dos fatímidas xiitas, e a de Bagdá era uma escola xafiita e asharita, mantida por doações perpétuas. A abertura foi marcada por uma polêmica sobre o terreno e pela ausência do mestre escolhido, Abu Ishaq al-Shirazi.

A obra em Bagdá: terreno, prazo e programa

Segundo Özaydın, Nizam al-Mulk quis uma madraça "sem igual no mundo" e encarregou da obra o administrador (amid) de Bagdá, Abu Sa'd al-Kashi, que escolheu um terreno na margem leste do Tigre. Foram derrubados alguns edifícios, cujos escombros serviram de material, e desapropriadas casas particulares. A obra começou em Dhu l-Hijja de 457 (novembro de 1065) e terminou em 10 de Dhu l-Qa'da de 459 (22 de setembro de 1067). O conjunto reunia quartos para mestres e alunos, salas de aula, mesquita, biblioteca, dormitório, refeitório e banho. O verbete nota que a Nizamiyya de Bagdá foi a mais famosa e magnífica, mas não a primeira do grupo, e rejeita a ideia, repetida por alguns historiadores, de que as Nizamiyyas foram as primeiras madraças do islã. (Özaydın)

A abertura e a polêmica do terreno

Nizam al-Mulk não pôde ir à abertura, dirigida por Abu Sa'd al-Kashi. O mestre que ele escolhera para dirigir a escola, Abu Ishaq al-Shirazi, prometera dar a aula inaugural, mas não apareceu, e foi procurado em vão por toda a cidade. Pediu-se então a Ibn al-Sabbagh que a desse; ele hesitou, provavelmente por receio de Nizam al-Mulk ou de Abu Ishaq, e só aceitou depois que um rico mercador, Abu Mansur ibn Yusuf, ficou como fiador. Segundo o verbete, que para a obra cita Ibn al-Jawzi e Ibn al-Athir, Abu Ishaq se ausentou, ao que tudo indica, porque lhe disseram que a madraça fora construída em terreno usurpado. Cedeu depois de pedidos de Nizam al-Mulk, dos alunos e do califa, e vinte dias depois substituiu Ibn al-Sabbagh. Lecionou até morrer, em 1083, quando a escola ficou um ano fechada em sua memória. (Özaydın)

Uma escola xafiita sustentada por waqf

Nizam al-Mulk dotou a madraça com doações perpétuas (waqf): a renda de um mercado ao lado, de terras, de banhos e de lojas ia para mestres e alunos. A escritura foi lida numa cerimônia com o filho do vizir do califa, os chefes das famílias hachemita e alida, notáveis e juízes. O texto dizia que a escola era para os xafiitas, com um mestre xafiita, um pregador, um bibliotecário, um recitador do Alcorão e um professor de língua árabe, e que até os varredores e porteiros deviam ser xafiitas; a administração do waqf cabia a Nizam al-Mulk e à sua descendência. Os mestres eram, a princípio, escolhidos por ele; segundo o verbete, em 1091 nomeou al-Ghazali, e mais tarde califas, sultões e vizires passaram a nomear, até que, depois de 1240, os califas assumiram a escolha. (Özaydın)

Ensino, biblioteca e a rede de Nizamiyyas

Nas Nizamiyyas se ensinavam, segundo Özaydın, o Alcorão e suas ciências, o hadith, o direito xafiita, a teologia asharita, a língua e a literatura árabes, a matemática e o direito de herança. O curso durava quatro anos e admitia alunos com mais de vinte. A biblioteca, de que há uma tradição de cerca de seis mil volumes, teve os livros salvos de um incêndio em 1116. Nishapur, Isfahan, Balkh, Mosul, Basra, Herat, Merv e Amul tiveram Nizamiyyas, e outras cidades foram citadas por tradições insuficientes; algumas foram fundadas depois da morte de Nizam al-Mulk e levaram o nome por imitação. Em 1184 Ibn Jubayr chamou a de Bagdá a maior e mais famosa da cidade. O verbete lembra a tese de que as Nizamiyyas teriam influenciado universidades europeias, como Salerno, Paris e Oxford, e a apresenta como afirmação apoiada em Hitti e em Sayılı. (Özaydın)

Fontes

  1. Özaydın, Abdülkerim. "Nizâmiye Medresesi". TDV İslâm Ansiklopedisi, republicado em KÜRE Ansiklopedi, 20/11/2024. https://kureansiklopedi.com/tr/detay/nizamiye-medresesi-2 (acesso em 30/10/2026). Acessar
  2. Özaydın, Abdülkerim. "Hasan Sabbâh". TDV İslâm Ansiklopedisi, republicado em KÜRE Ansiklopedi, 20/11/2024. https://kureansiklopedi.com/tr/detay/hasan-sabbah-2 (acesso em 30/10/2026). Acessar

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