Atlas da História

Observatório de Maragha

1259 – c. 1309/10 (Isahaya 2023) · Irã e planalto iraniano

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Observatório fundado em 1259 em Maragha, sob o Ilcanato, que se tornou centro de uma rede intelectual de escala eurasiática. Naṣīr al-Dīn al-Ṭūsī administrou as doações pias (waqf) que o mantinham, cargo depois herdado por seus filhos; nenhuma fonte registra quando parou, o que Isahaya (2023) situa por volta de 1309/10.

Uma encomenda do il-cã e uma colina de Maragha

Segundo Seyidbeyli (2020), da Academia Nacional de Ciências do Azerbaijão, a obra foi decidida no início do domínio ilcânida: Naṣīr al-Dīn al-Ṭūsī chegou a Maragha com Hülegü, que lhe confiou a construção e arcou com os custos. O autor cita Rashid al-Din para a história de que o grão-cã Möngke já queria um observatório e pedira que Hülegü lhe enviasse o sábio. O lugar escolhido foi uma colina alta no noroeste da cidade, o Rasad Dagi; a obra teria começado em 657 H (1259) e, segundo Rashid al-Din, durado c. 7 anos. Seyidbeyli dá ao edifício c. 150 × 350 m, também segundo Rashid al-Din. Seyidbeyli informa que Hülegü convidou especialistas de várias regiões e, em outra versão que ele registra, até da China, que teriam trazido instrumentos. A data de fundação do registro (1259) coincide com essa tradição, que o artigo não confirma por escavação. (Seyidbeyli 2020)

Uma equipe de mais de cem estudiosos e seus instrumentos

Para Seyidbeyli (2020), o ponto notável de Maragha é a reunião de estudiosos de origens diversas sob a direção de al-Ṭūsī: ele cita nomes de Damasco, Mossul, Tiflis, Qazvin e Bagdá, como Muʾayyad al-Dīn al-ʿUrḍī e Qutb al-Dīn al-Shīrāzī, e menciona, por uma fonte, mais de cem colaboradores, entre estudiosos e discípulos, vindos do Irã, da Síria, do Cáucaso, da Ásia Central, da China e da Índia. Ele lista dez instrumentos construídos ali, entre eles um grande quadrante mural, uma esfera armilar e instrumentos para medir a obliquidade da eclíptica, o equinócio e a posição dos astros, além de relógios e globos celeste e terrestre, um dos quais é conservado em Dresden. O resultado de 12 anos de observações (1259–1271) teria sido o Zīj-i Īlkhānī, com tabelas dos planetas e um catálogo estelar. O autor também repete que a biblioteca teria 400 mil volumes, número que deve ser lido com cautela. (Seyidbeyli 2020)

Quem pagava: o waqf e a família Ṭūsī

Isahaya (2023), da Universidade de Hokkaido, desloca o foco das atividades científicas para o contexto político ilcânida. Segundo ele, al-Ṭūsī (1201–1274) obteve o cargo de administrador (mutawallī) das doações pias (waqf) que mantinham o observatório; depois da sua morte, os filhos herdaram o cargo. O autor lembra que nenhuma fonte histórica diz quando o observatório deixou de funcionar e que não há consenso sobre isso. Seyidbeyli (2020) afirma apenas que ele durou duas gerações e deixa de ser mencionado depois da primeira metade do séc. XIV. (Isahaya 2023; Seyidbeyli 2020)

Por que parou: a queda de Aṣīl al-Dīn em 1309/10

A tese de Isahaya (2023) é que o fim da atividade coincidiu com a queda de Aṣīl al-Dīn, filho de al-Ṭūsī (m. c. 1317), em 1309/10. Os bens da família ligados às doações pias foram alvo de ataque, o que levou à ruína dela. Depois disso, o oitavo il-cã, Öljeitü (r. 1304–1316), não instalou mais sua corte itinerante em Maragha, o que marcou o deslocamento do centro intelectual ilcânida para longe do observatório. Trata-se de uma proposta de interpretação, apoiada em indícios políticos, e não de uma data registrada pelas fontes. Seyidbeyli (2020) acrescenta que o observatório de Tabriz foi fundado por Qutb al-Dīn al-Shīrāzī, discípulo de al-Ṭūsī, e que restos do edifício de Maragha sobrevivem; a escavação do sítio por Varjāvand (1987) não foi lida aqui. (Isahaya 2023; Seyidbeyli 2020)

Fontes

  1. Isahaya, Y. (2023). "Marāgha Ceased to Function: The Ṭūsī Family’s Intellectual Network and Īl-Khānid Political Itinerance". Crossroads 22(1–2): 5–25. DOI 10.1163/26662523-bja10018. Acessar
  2. Varjāvand, P. (1987). Kāvish-i raṣadkhānah-i Marāghah va nigāhī bih pīshīnah-i dānish-i sitārahshināsī dar Īrān. Amīr Kabīr.
  3. Seyidbeyli, M. (2020). "Life and activity of Nasir al-Din al-Tusi". History of Science and Technology 10(2): 353–367. DOI 10.32703/2415-7422-2020-10-2-353-367. Acessar

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