Oitava campanha de Sargão II (714 a.C.): Urartu, Musasir e a Carta ao deus Assur
714 a.C. (Luckenbill: a Carta ao deus Assur é datada no epônimo de Ishtar-duri, 714; Livius, artigo 'Urartu': Sargão derrota Rusa em 714) · Anatólia e Cáucaso, Irã e planalto iraniano
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo a Carta ao deus Assur, tablete datado do epônimo Ishtar-duri (714 a.C.), Sargão II atacou Urartu e o santuário de Haldi em Musasir: destruiu o armazém real de Ulhu, retirou o deus Haldi e levou a família do rei Urzana e 6.110 pessoas, além do tesouro do templo. Livius diz que o rei Rusa foi derrotado e se matou, e os Anais de Sargão ligam esse suicídio à derrota ou à queda de Musasir. Tudo vem de textos assírios; as palavras urartianas aparecem só citadas dentro deles.
A Carta ao deus Assur e a data
Luckenbill explica que o tablete, hoje no Louvre, saiu de Assur e foi publicado por Thureau-Dangin como 'Relação da oitava campanha de Sargão'; um pedaço faltante foi achado depois pelos escavadores alemães. Ele é 'datado no epônimo de Ishtar-duri, 714 a.C.' (§139). Livius, por sua vez, diz que em 714 o rei urartiano Rusa foi derrotado por Sargão, que atravessou o país quase sem oposição e tomou a estátua do deus supremo urartiano Haldi, e cita a lista de epônimos. Os Anais de Sargão abrem o 'ano 8' com os mannai e os medos (§19) e contam a derrota de Rusa em seguida (§20). (Luckenbill; Livius.org (site de Jona Lendering). 'Urartu'; página criada em 1998 e modificada em 12/10/2020; livius.org/articles/place/urartu/. Lidos em 02/11/2026)
Ulhu e a obra de Rusa
Ao descrever a destruição, a Carta registra o que havia: Rusa teria aberto um canal que levou água como o Eufrates, irrigado um pomar e plantado plátanos, usado camelos para bombear água para as valas e construído um palácio à beira do rio; havia celeiros cheios, adegas e jardins que a tropa assíria devorou e cortou (§§160–161). Sargão diz ter derrubado a muralha com machados e enxadas de ferro, levado vigas de cipreste para a Assíria e queimado as árvores. É uma descrição de obras hidráulicas e agrícolas urartianas feita por quem as arrasou. (Luckenbill)
Musasir, Haldi e o tesouro
Sargão diz que subiu com um carro e mil cavaleiros por montanhas sem trilha e entrou em Musasir; que Urzana não foi ao seu encontro; que mandou levar para fora o deus Haldi e a deusa Bagbartu e que levou a mulher, os filhos, as filhas e 6.110 pessoas de Urzana (§§170–172, 176). O inventário do templo lista ouro, prata, 3.600 talentos de cobre bruto, escudos, estátuas de bronze de reis urartianos (Ishtar-duri, Argishti e Rusa) e um selo de ouro de Bagbartu (§§172–173). O povo da província de Musasir foi contado como assírio, com imposto e trabalho obrigatório (§175). A Inscrição de Exibição fala em 20.170 pessoas (§59): os números não batem. (Luckenbill)
O luto de Rusa e o fim de Urartu em Livius
Na Carta, Rusa ouve da queda de Musasir, 'afunda no chão', rasga as roupas, arranca o turbante e os cabelos e bate no peito (§175); Sargão diz ter espalhado luto por Urartu e Nairi. Nos Anais, Rusa 'enfiou o próprio punhal de ferro no coração' (§20), e na Inscrição de Exibição o gesto vem depois de saber da queda de Musasir (§59). Livius escreve que, depois dessa humilhação, Rusa recusou-se a viver. (Luckenbill; Livius.org (site de Jona Lendering). 'Urartu'; página criada em 1998 e modificada em 12/10/2020; livius.org/articles/place/urartu/. Lidos em 02/11/2026)
Fontes
- Luckenbill, Daniel David. Ancient Records of Assyria and Babylonia, vol. II: Historical Records of Assyria from Sargon to the End. Chicago: University of Chicago Press, 1927; texto digitalizado do Internet Archive (archive.org/details/ancient-records-of-assyria-and-babylonia-vol-2, arquivo ancient_records_assyria2_djvu.txt). Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, a introdução do §139 e a Carta (§§140–178, trechos sobre Ulhu, Musasir, o tesouro do templo e o fim), os Anais (§§19–20) e a Inscrição de Exibição (§59); as demais partes da Carta, incluindo o percurso por Parsuash e Missi, foram lidas só em trechos. O OCR tem erros de números e de linhas; os trechos citados foram lidos como saíram do OCR.
- Livius.org (site de Jona Lendering). 'Urartu'; página criada em 1998 e modificada em 12/10/2020; livius.org/articles/place/urartu/. Lidos em 02/11/2026, no texto bruto, a página inteira.
Na mesma região
- Refinaria de ouro de Sardes (setor Pactolus Norte, Lídia): fornos de cementação e copelas que separavam ouro e prata do electro, na primeira metade do séc. VI a.C., no tempo de Creso primeira metade do séc. VI a.C. (limite mais antigo, 600 a.C.), segundo a Expedição de Sardes
- Gauleses na Anatólia (c. 278–275 a.C.): a travessia do Helesponto, a resposta de Pérgamo e a "Batalha dos Elefantes" de Antíoco I Travessia à Ásia em 278 a.C. (nota de edição do Loeb a Pausânias); a "Batalha dos Elefantes" em 275 a.C., segundo a cronologia de Lendering no Livius
- Vésperas Asiáticas (88 a.C.): o massacre de romanos e itálicos nas cidades da Ásia, a mando de Mitrídates VI, segundo Apiano 88 a.C.: a margem da tradução de Horace White marca B.C. 88 (Y.R. 666) nas páginas do relato; Apiano só diz que a ordem valia para o 'trigésimo dia' depois do envio das cartas
- Acordo de Rhandeia (63) e coroação de Tirídates em Roma (66): a Armênia entre a Pártia e Roma 63 (encontro de Córbulo e Tirídates, no ano dos cônsules Mêmio Régulo e Vergínio Rufo, em Tácito) a 66 (coroação em Roma, no consulado de Telesino e Suetônio Paulino, em Dião Cássio)
- Biblioteca de Celso em Éfeso (c. 114–135 d.C.): biblioteca pública e mausoléu de um senador c. 114–135 d.C. A inscrição de fundação diz que o filho de Celso começou a obra e os herdeiros dele a concluíram; o projeto de St Andrews dá a faixa 114–135, e a ficha de Duke registra propostas de 115 a 150
- Galeno de Pérgamo (nascido em 129): médico de gladiadores e depois da corte romana nasceu em Pérgamo em 129 d.C., segundo Pearcy; Tuna e Özer dão 131. Morreu algum tempo depois de 210, segundo Pearcy