Refinaria de ouro de Sardes (setor Pactolus Norte, Lídia): fornos de cementação e copelas que separavam ouro e prata do electro, na primeira metade do séc. VI a.C., no tempo de Creso
primeira metade do séc. VI a.C. (limite mais antigo, 600 a.C.), segundo a Expedição de Sardes · Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em Pactolus Norte, junto ao riacho Pactolo e fora das defesas de Sardes, a Expedição de Sardes encontrou fornos e centenas de copelas da primeira metade do séc. VI a.C. usadas para separar electro, liga natural ou artificial de ouro e prata, em ouro puro e prata pura. O ouro era recuperado por cementação, com folhas finas de electro entre sal e pó de tijolo cozidas a baixa temperatura, e a prata por fundição com chumbo e copelação. Os escavadores ligam o processo ao tempo de Creso e às primeiras moedas de ouro e prata; Heródoto, que escreve em grego, atribui aos lídios a moeda de ouro e prata, e um estudo de 2025 contesta que a separação do ouro tenha começado em Sardes.
Como se separava o ouro da prata em Sardes
Segundo a Expedição de Sardes, as técnicas principais eram a cementação, a fundição e a copelação. Na cementação, folhas finas de electro eram colocadas num pote cerâmico, separadas por uma mistura de sal e pó de tijolo, e cozidas em fornos a baixa temperatura até restar só ouro puro. A fundição e a copelação serviam para recuperar a prata do pó de tijolo, do sal e da cerâmica: os materiais ricos em prata eram fundidos com chumbo, e a liga resultante era aquecida em copelas ("fornos de bacia") até se isolar a prata. Centenas de copelas foram recuperadas na escavação. O ensaio não dá quantidades de ouro refinado nem dos cadinhos. (Archaeological Exploration of Sardis (Harvard Art Museums; Cornell University). Pactolus North: Churches E and EA)
Quem inventou: Sardes ou antes?
Albarède e colegas (2025) escrevem que a prata de cementação aparece em três objetos do Tesouro de Tod (c. 1900 a.C.), num pingente do Reino Médio e em vasos e braceletes aquemênidas, e que a prata assim obtida não foi purificada por copelação (traço de chumbo "futuro"). Dizem também que a prata de cementação foi pouco usada porque custava caro: a prata comum circulava como hacksilber, fragmentos cortados, e depois como moeda. O artigo, portanto, desloca a invenção da cementação para antes dos lídios, e deixa para Sardes o papel de maior evidência arqueológica inequívoca da técnica em escala industrial, na leitura dos próprios autores do texto lido. (Albarède)
Fontes
- Archaeological Exploration of Sardis (Harvard Art Museums; Cornell University). Pactolus North: Churches E and EA, Roman Villa, and Lydian Gold Refinery and Altar of Cybele; seções About Pactolus North e Lydian Gold Refinery and Altar. Sardis Expedition, https://sardisexpedition.org/en/essays/about-pn. Texto bruto lido em 02/11/2026; o ensaio não traz o nome do autor. Acessar
- Albarède, F.; Blichert-Toft, J.; Pinto, M. Salt, silver, and gold: early innovations in precious metal refining. npj Heritage Science, v. 13, art. 329, 2025. https://doi.org/10.1038/s40494-025-01895-5. Texto bruto lido em 02/11/2026 (introdução e discussão; as figuras e a tabela de dados não foram lidas). Acessar
- Herodotus. The Histories. Trad. A. D. Godley. Cambridge: Harvard University Press, 1920. Perseus Digital Library, https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus:text:1999.01.0126:book=1:chapter=94 (livro I, cap. 94, os lídios e a moeda de ouro e prata). Texto bruto lido em 02/11/2026; o grego não foi lido, e as notas são do tradutor. Acessar
- Herodotus. The Histories. Trad. A. D. Godley. Cambridge: Harvard University Press, 1920. Perseus Digital Library, https://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus:text:1999.01.0126:book=1:chapter=50 (livro I, cap. 50, os lingotes de Creso em Delfos). Texto bruto lido em 02/11/2026; o grego não foi lido, e as notas são do tradutor. Acessar
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