Proglas, o prólogo de Constantino aos Evangelhos em eslavo (Grande Morávia, 863–867)
863–867 (permanência de Constantino na Morávia, segundo Jakobson; Wikidata: publicação em 863 e composição no séc. IX) · Europa Oriental
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Segundo Roman Jakobson, Constantino, o Filósofo, nascido em Salonica por volta de 826, trabalhou na Morávia entre 863 e 867 com o irmão Metódio, a pedido do príncipe Rastislav. Ele criou o alfabeto depois chamado glagolítico e a primeira língua literária eslava, e escreveu o Proglas, poema que serve de prólogo à tradução eslava dos quatro Evangelhos e defende que cada povo tenha livros em sua própria língua.
Quem era Constantino, o Filósofo
Segundo Jakobson, Constantino nasceu por volta de 826 em Salonica, cidade então bilíngue, de grego e eslavo, filho de um nobre e dignitário bizantino. Estudou em Constantinopla com Leão, o Matemático, e com Fócio, depois patriarca, e foi nomeado professor de filosofia. A Vita em eslavo eclesiástico antigo, compilada logo após a sua morte, lista gramática, Homero, geometria, dialética, retórica, aritmética, astronomia e música entre os estudos, e as fontes hagiográficas atestam seu domínio de grego, eslavo, latim, hebraico e siríaco. Foi enviado em missões aos árabes, aos cazares e, por fim, à Morávia. (Jakobson 1963)
A missão na Morávia e a língua escrita
O príncipe Rastislav pedira ao imperador bizantino mestres que propagassem a fé na língua eslava. Constantino trabalhou na Morávia de 863 a 867 com o irmão mais velho, Metódio. Jakobson diz que ele compôs o alfabeto depois chamado glagolítico e moldou a primeira língua literária dos eslavos, hoje chamada eslavo eclesiástico antigo. Começou pelo evangeliário, com um prefácio em prosa sobre os princípios da tradução, e depois, com Metódio, traduziu os Evangelhos completos, o Saltério e leituras dos Atos e das Epístolas. O Proglas introduz a tradução dos quatro Evangelhos. (Jakobson 1963)
A ida a Roma e a morte de Constantino
Jakobson conta que os irmãos deixaram a Morávia em 868 para defender a liturgia eslava diante do bispo de Roma, a cuja jurisdição a Morávia pertencia. Constantino adoeceu em Roma, tomou o hábito monástico com o nome de Cirilo e morreu em 14 de fevereiro de 869. Na viagem, em Veneza, teria feito o discurso em defesa da liturgia na língua do povo que a Vita resume. Um cânon composto por um discípulo no início do séc. X, segundo Jakobson, louva os dois irmãos por ensinarem a terra morávia a glorificar a Deus na língua nativa. (Jakobson 1963)
Fontes
- Jakobson, R. (1963). "St. Constantine's Prologue to the Gospel" [título como aparece no texto lido; a página da republicação se intitula "Prologue to the first Slavic Gospel"]. St. Vladimir's Seminary Quarterly, vol. 7, n. 1, pp. 14–19 (New York). Texto lido na republicação com tradução inglesa do Proglas por Jakobson, em Orthodox Ethos (blog; introdução de John Coffman): https://www.orthodoxethos.com/post/prologue-to-the-first-slavic-gospel. Acessar
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