Atlas da História

Batalha de Kleidion (1014): a desfeita do exército de Samuil, os prisioneiros cegados e o debate sobre os números

29 jul. 1014 (Wikidata P585; Dospeyski dá o mesmo dia para o ataque final de Nicéforo Xifias ao amanhecer). A morte de Samuil, em 6 out. 1014, é consequência narrada no mesmo artigo. · Europa Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 29 de julho de 1014 o imperador bizantino Basílio II atravessou a defesa búlgara no desfiladeiro de Kleidion (Ključ), na serra da Belasica, quando um destacamento sob Nicéforo Xifias atacou os búlgaros pela retaguarda. Segundo Dospeyski, a maior parte do exército búlgaro foi aprisionada e os cativos foram cegados, um a cada cem preservado com um olho para guiar os demais, e enviados ao czar Samuil, que teria morrido dias depois, em 6 de outubro. Os números das fontes medievais (até 160 mil mortos) divergem muito e são discutidos.

As fontes e o que elas dizem

Segundo Dospeyski, as fontes principais sobre a batalha são a Breve História de Escilitzes-Cedreno, o Continuador de Jorge Monge, Zonaras, Constantino Manasses, Miguel Atalíates e o Strategikon de Cecaumeno, além de notícias em Adémar, João Diácono e Lupo Protospatário. Ele aponta que Escilitzes inverte a ordem dos fatos: narra Kleidion primeiro e depois a campanha de David Nestoritzes contra Salônica, embora os episódios estejam ligados. A relação entre as fontes é complexa, e o autor considera provável que o Continuador, Manasses, Atalíates e Orbini tenham um antecedente comum, um panegírico poético dedicado a Nicéforo III Botaniates. (Dospeyski)

A manobra de 29 de julho

Segundo Dospeyski, a defesa búlgara fechava a passagem com muros, valas e barreiras de madeira, e Basílio II, em vez de atacá-la de frente, enviou o governador de Plovdiv, Nicéforo Xifias, num rodeio pela Belasica. Segundo Cecaumeno, que o autor cita, a coordenação se faria com sinais de fogo à noite e de fumaça de dia. No dia 29 de julho de 1014, ao amanhecer, com trombetas, o destacamento de Xifias atacou de surpresa os búlgaros, desarmados e sonolentos, que fugiram e se mataram entre si na confusão. O autor relata ainda a campanha paralela de Teofilacto Botaniates, governador de Salônica, contra o cerco búlgaro. (Dospeyski)

Prisioneiros cegados e morte de Samuil

Segundo Dospeyski, depois da vitória Basílio II ordenou que os prisioneiros fossem cegados, com um homem de cada cem deixado com um olho para guiar os demais, e os mandou ao czar Samuil. Ao ver os soldados voltando cegos, o czar teve um golpe e morreu dois dias depois, em 6 de outubro de 1014; foi sepultado na basílica de São Aquiles, em Prespa. Dospeyski nota que Mateus de Edessa fala em envenenamento e considera que isso pode ser figurado, mas não exclui o sentido literal. Gavril Radomir subiu ao trono em 15 de outubro. (Dospeyski)

Os números em discussão

Segundo o Continuador de Jorge Monge, o exército búlgaro somava 360 mil homens e 160 mil morreram; Orbini fala em 50 mil combatentes; Escilitzes e Zonaras dão 15 mil cegados e Cecaumeno, 14 mil. Dospeyski conclui que a cifra de 160 mil incluiria mortos e prisioneiros e propõe, ao comparar as fontes, cerca de 1.000 a 2.000 mortos e 14 a 15 mil prisioneiros. Trata-se de reconstrução do autor, e não de dado de fonte primária. (Dospeyski)

Fontes

  1. Dospeyski, Antoan. "Битката при Беласица 1014 г." [A batalha de Belasica, 1014]. Българска Наука [Ciência Búlgara], n. 71, revista eletrônica, seção História, paginação da revista a partir da p. 86. PDF em https://nauka.bg/2014/71/Bitkata-pri-belasica-1014-2014.pdf (o texto remete a http://nauka.bg/forum/index.php?showtopic=17050), baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026; a data da edição não consta do texto extraído. Acessar

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