Queda do Muro de Berlim
9 nov. 1989 · Europa Ocidental e do Norte, Europa Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Abertura do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989, meses depois de a Hungria abrir a Cortina de Ferro, em maio, e em meio a ocupações de embaixadas em países vizinhos do bloco oriental. O regime do SED tentava afrouxar as restrições de viagem sem perder o controle político e acabou se dissolvendo.
Hungria, embaixadas e a crise de 1989
Hertle (2001), que cruzou arquivos do partido no poder (SED), do Conselho de Ministros, da Stasi e do Ministério do Interior com cerca de 200 entrevistas, mostra como a RDA perdeu o controle das fronteiras antes de perder o Muro. Na cúpula do Pacto de Varsóvia em Bucareste, em julho de 1989, a União Soviética revogou oficialmente a doutrina Brejnev de soberania limitada. A Hungria passou a cumprir a Convenção de Genebra sobre refugiados a partir de 12 de junho e, depois de um acordo secreto com Bonn, que lhe concedeu crédito de 500 milhões de marcos, abriu em 10 de setembro a fronteira com a Áustria aos cidadãos da RDA. Ao mesmo tempo, alemães orientais ocupavam as embaixadas da Alemanha Ocidental em Praga e Budapeste e a representação permanente em Berlim Oriental, num êxodo que expunha a fraqueza do regime. Por trás havia uma crise financeira: a dívida da RDA com o Ocidente crescia 500 milhões de marcos-divisa por mês e, se nada mudasse, o país estaria insolvente em 1991. (Hertle 2001)
De Leipzig à troca de comando
Em 3 de outubro a RDA fechou a fronteira com a Tchecoslováquia, e as comemorações oficiais de 7 de outubro vieram acompanhadas de violência policial. O ponto de virada, segundo Hertle (2001), foi Leipzig, em 9 de outubro: diante de 70 mil manifestantes pacíficos, as forças armadas do Estado recuaram. Daí em diante a estratégia da repressão passou para segundo plano, embora a lei marcial continuasse como opção não declarada. Egon Krenz assumiu o comando em 18 de outubro; em 1º de novembro, Gorbachev recusou ajuda econômica. No mesmo dia, ameaças de greve forçaram a reabertura das viagens para a Tchecoslováquia, e a embaixada da Alemanha Ocidental em Praga voltou a se encher. Foi nesse quadro que a nova direção preparou um regulamento de viagens que pretendia aliviar a pressão sem abrir mão do controle da fronteira. (Hertle 2001)
Uma entrevista coletiva e a Bornholmer Straße
Na tarde de 9 de novembro, por volta das 16h, Krenz leu ao Comitê Central o projeto do novo regulamento. Günter Schabowski, que pouco conhecia o texto, anunciou-o perto das 19h numa entrevista coletiva e, perguntado sobre a vigência, respondeu que valia imediatamente, sem mencionar o embargo previsto até 10 de novembro. Às 19h05 a agência AP já noticiava a abertura das fronteiras, enquanto o Comitê Central seguia reunido até 20h45. Nos postos de passagem, sem ordens claras, os guardas deixaram algumas pessoas sair, mas carimbaram “inválido” em seus documentos: sem saber, os primeiros a cruzar estavam sendo expatriados. Na Bornholmer Straße, com a multidão crescendo, controladores de passaportes e soldados, temendo pela própria vida, decidiram por conta própria encerrar os controles às 23h30. Até a meia-noite a maior parte das passagens em Berlim estava aberta (Hertle, 2001). (Hertle 2001)
Plano, erro ou conspiração?
Hertle (2001) enumera as explicações que circularam depois: decisão deliberada do partido, último lance desesperado da direção, vingança do SED para tirar a revolução do movimento por direitos civis, ordem de Moscou, um erro espetacular ou uma conspiração de quatro oficiais da Stasi e do Ministério do Interior. A conclusão dele, é outra: a abertura foi uma autodissolução não intencional do regime, em que uma ficção criada pela mídia virou realidade. Os soviéticos, surpreendidos, mantiveram nos quartéis os 350 mil soldados estacionados na RDA e aceitaram a queda sem intervir. Para o governo de Hans Modrow, sumia também o principal trunfo para negociar créditos com o Ocidente, e em janeiro de 1990 já se reconhecia que a RDA não podia mais ser salva. (Hertle 2001)
Fontes
- Hertle, H.-H. (1996). Der Fall der Mauer: Die unbeabsichtigte Selbstauflösung des SED-Staates. Westdeutscher Verlag. DOI 10.1007/978-3-322-97076-3; ISBN 9783531129273. Acessar
- Major, P. (2009). "The Fall of the Wall: 9 November 1989". In: Behind the Berlin Wall. Oxford University Press, p. 227–257. DOI 10.1093/acprof:oso/9780199243280.003.0008; ISBN 9780199243280. Acessar
- Hertle, H.-H. (2001). "The Fall of the Wall: The Unintended Self-Dissolution of East Germany's Ruling Regime". Cold War International History Project Bulletin 12/13: 131–163.
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