Atlas da História

Revolução de Outubro

25 out. 1917 (juliano) = 7 nov. 1917 (gregoriano) · Europa Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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A segunda das revoluções russas de 1917, que levou os bolcheviques ao poder. O nome vem da data no calendário juliano então usado na Rússia; no gregoriano, o evento caiu em novembro.

Golpe ou revolução?

O nome do acontecimento mudou com o regime. Fedorov (2016) lembra que a historiografia soviética falava em Grande Revolução Socialista de Outubro e que a pós-soviética passou a omitir “socialista” e a dizer “golpe de Outubro”. Para ele, a tomada do poder pelos bolcheviques pode mesmo ser chamada de golpe, mas reduzir o processo a isso é insuficiente: fevereiro e outubro de 1917 seriam duas fases de um mesmo processo, e foi a revolução de fevereiro, inacabada, que abriu caminho para outubro. Fitzpatrick (2001), escrevendo depois da abertura dos arquivos soviéticos e com base em fontes como as memórias de Viatcheslav Molotov, alarga ainda mais o quadro: para ela, a revolução só termina com os Grandes Expurgos de Stalin, último ato de um drama que acabou devorando os próprios filhos. (Федоров 2016; Fitzpatrick 2001)

O Comitê Central dividido

Reiman (1977) examina a política bolchevique no outono de 1917. Depois do fracasso da revolta do general Kornilov, a base social e política do Governo Provisório desmoronou, e os bolcheviques passaram a predominar nos sovietes. Dentro do Comitê Central havia três posições. A maioria defendia convocar um Congresso dos Sovietes e formar um governo soviético; a ala direita se opunha à tomada do poder e preferia a Assembleia Constituinte; Lenin, à esquerda, queria tomar o poder o mais depressa possível. Na disputa, Lenin isolou a direita e chegou a um compromisso com a maioria. Seus planos de assumir o poder por conta própria, porém, esbarraram na posição do partido e nas circunstâncias, que não permitiam formar governo fora do Congresso. Para Reiman, os acontecimentos seguiram, no conjunto, a linha da maioria do Comitê Central. (Reiman 1977)

O II Congresso e os primeiros decretos

Os bolcheviques fizeram coincidir a tomada do poder com a abertura do II Congresso dos Sovietes, que proclamou a passagem do poder aos sovietes e elegeu o Comitê Executivo Central (VTsIK) e o Conselho dos Comissários do Povo. Os socialistas-revolucionários de esquerda apoiaram a tomada e ocuparam um terço do VTsIK; o Conselho dos Comissários era todo bolchevique. Para Fedorov (2016), apoiar o novo poder no congresso deu-lhe uma legitimidade relativa e opôs à via liberal da Assembleia Constituinte a “democracia soviética”, mais acessível às massas que queriam paz, terra e direitos. O congresso aprovou o Decreto sobre a Paz, que propunha a todos os beligerantes um armistício imediato sem anexações nem indenizações, e o Decreto sobre a Terra, que aboliu a grande propriedade fundiária e declarou toda a terra propriedade do Estado. (Федоров 2016)

Outubro longe de Petrogrado

Fedorov (2016) mostra que o poder soviético avançou de forma desigual. Em Kazan, os bolcheviques, em bloco com socialistas de esquerda, tomaram o poder já em 25 de outubro; em Ufa, desde setembro, postos-chave estavam em suas mãos. Mas nas aldeias de tártaros, bashkires, maris e outros povos do Volga e dos Urais a passagem se arrastou até o início de 1918, às vezes com choques armados. Na região de Iakutsk, a eleição para a Assembleia Constituinte ocorreu de 12 a 14 de novembro de 1917 e elegeu o líder público e político G. V. Ksenofontov, da União Iacuta dos Trabalhadores Federalistas, e o socialista-revolucionário V. S. Pankratov. A Assembleia foi dispersa pelos bolcheviques em 5 de janeiro de 1918, mas as eleições continuaram na região, que ficou quase dois anos sob partidários do Governo Provisório, salvo de 1º de julho a 15 de agosto de 1918. (Федоров 2016)

Fontes

  1. Fitzpatrick, S. (2001). The Russian Revolution. Oxford University Press. DOI 10.1093/oso/9780192802040.001.0001. Acessar
  2. Reiman, M. (1977). "Les bolcheviks et la révolution d'Octobre: contribution à l'histoire de la politique bolchevique à l'automne 1917". Cahiers du monde russe et soviétique 18(4): 313–339. DOI 10.3406/cmr.1977.1297. Acessar
  3. Федоров, В. И. (2016). "Октябрь 1917 года: переворот или революция?". Северо-Восточный гуманитарный вестник 2(15): 29–33.

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