Atlas da História

Saladoide: povos ceramistas das Antilhas

c. 2.500 anos atrás (Napolitano et al. 2019) a c. 600 d.C. (OECH) · Caribe

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Nome dado pelos arqueólogos, a partir do sítio de Saladero, na Venezuela, a povos ceramistas e agricultores que por volta de 2.500 anos atrás chegaram a Porto Rico e a boa parte das Pequenas Antilhas. A genética liga a população ceramista do Caribe a falantes de línguas arawak do nordeste da América do Sul, que passaram pelas Pequenas Antilhas rumo às Grandes.

Um nome tirado de Saladero

Napolitano e colegas (2019) explicam que Saladoide vem do sítio de Saladero, na Venezuela, onde se identificou a cerâmica característica. Por volta de 2500 anos atrás um grupo aparentemente novo passou a Porto Rico e a boa parte das Pequenas Antilhas. As datas, porém, não são todas contemporâneas, e algumas ilhas só foram ocupadas bem depois. Trata-se de um rótulo de estilo cerâmico, não do nome de um povo. (Napolitano et al. 2019)

Rota do sul ao norte ou ilha em ilha

Durante décadas prevaleceu o modelo de ilha em ilha, em parte pela presença de cerâmica saladoide em toda Porto Rico e nas Pequenas Antilhas e pela suposição de que era contemporânea. Com a seleção rigorosa de 2.484 datas e modelos bayesianos, Napolitano e colegas (2019) concluem que as ilhas do norte foram alcançadas antes das do sul, o que apoia a hipótese de rota para o sul e refuta o modelo de ilha em ilha. Eles estimam duas grandes dispersões, vindas da América do Sul. (Napolitano et al. 2019)

O que a genética mostra

Fernandes e colegas (2021) analisaram DNA antigo do Caribe. Os grupos arcaicos teriam sido substituídos em mais de 98% por uma população ceramista geneticamente homogênea, aparentada com falantes de línguas arawak do nordeste da América do Sul, que passou pelas Pequenas Antilhas e chegou às Grandes Antilhas pelo menos 1.700 anos atrás. Os 194 indivíduos de sítios ceramistas do Caribe datam de c. 1700 a 400 anos cal AP; oito da Venezuela, de c. 2350. Os autores não encontram correspondência entre os subgrupos genéticos e os estilos cerâmicos (saladoide, ostionoide, meillacoide, chicoide), o que contraria a ideia de que mudanças de estilo sejam chegada de novos povos. No sudeste da República Dominicana veem mais de mil anos de continuidade genética por mudanças de estilo. (Fernandes et al. 2021)

Datas em debate e o nome Igneri

A Oficina Estatal de Conservação Histórica de Porto Rico (OECH) situa o Saladoide, também chamado Igneri, entre 250 a.C. e 600 d.C., mais tarde que os c. 2500 anos atrás de Napolitano e colegas. Em Utuado, a OECH não registra sítios arcaicos nem desse primeiro grupo ceramista; os mais antigos são pré-taínos (600–1200 d.C.) e taínos (1200–1500 d.C.). As fontes lidas não resolvem a diferença de datas. (Oficina Estatal de Conservación Histórica de Puerto Rico; Napolitano et al. 2019)

Fontes

  1. Napolitano, M. F.; DiNapoli, R. J.; Stone, J. H.; Levin, M. J. et al. (2019). "Reevaluating human colonization of the Caribbean using chronometric hygiene and Bayesian modeling". Science Advances 5. DOI 10.1126/sciadv.aar7806. Acessar
  2. Fernandes, D. M.; Sirak, K. A.; Ringbauer, H.; Sedig, J. et al. (2021). "A genetic history of the pre-contact Caribbean". Nature 590: 103–110. DOI 10.1038/s41586-020-03053-2. Acessar
  3. Oficina Estatal de Conservación Histórica de Puerto Rico, "Sitios Arqueológicos de Utuado" (PDF). https://docs.pr.gov/files/OECH/Informaci%C3%B3n%20Arqueol%C3%B3gica%20por%20Municipio/Informacio%CC%81n%20Arqueolo%CC%81gica%20del%20Municipio%20de%20Utuado.pdf (consultado em 07/10/2026). Acessar

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